Discurso de Zé Amaro na Câmara de Escada repercute após declaração sobre formação das chapas e caso da cota de gênero.
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| Presidente da Câmara citou Jandelson Gouveia ao falar das chapas proporcionais. Foto: TV Câmara |
O presidente da Câmara Municipal de Escada, Zé Amaro da Alvorada, utilizou a tribuna da Casa Legislativa, nesta terça-feira (26/05), para criticar ex-vereadores envolvidos na ação judicial que resultou na cassação dos mandatos de cinco parlamentares eleitos no município. Durante o discurso, no entanto, uma declaração específica acabou chamando atenção nos bastidores políticos locais.
O trecho do discurso do presidente da Câmara de Escada, Zé Amaro da Alvorada, que mais repercutiu politicamente foi a declaração em que ele atribui ao ex-prefeito e atual secretário de Finanças, Jandelson Gouveia, a articulação das chapas proporcionais ligadas ao grupo político da prefeita Mary Gouveia nas eleições de 2024.
Ao tentar se defender das acusações relacionadas à fraude à cota de gênero, Zé Amaro afirmou que não participou diretamente da montagem partidária e revelou quem, segundo ele, coordenava a formação dos grupos eleitorais.
“Eu cheguei para o chefe do executivo que é o marido da prefeita (Jandelson Gouveia), e eu disse me coloque em qualquer um desses aí, pra mim tanto faz qualquer um eu disputo aí”, declarou o parlamentar durante sessão na Câmara.
A fala acabou criando um novo componente político no caso, porque sugere que Jandelson teria atuado como principal articulador das chapas proporcionais da frente partidária que apoiou a reeleição municipal.
Nos bastidores políticos de Escada, a declaração passou a ser interpretada por adversários da gestão como um indicativo de que o ex-prefeito teria exercido influência direta na composição partidária que posteriormente foi alvo das ações eleitorais julgadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco.
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| Prefeita Mary Gouveia e seu esposo secretário de finanças, Jandelson Gouveia. Foto: Divulgação |
TRE-PE manteve condenações por fraude à cota de gênero
O processo envolvendo candidaturas proporcionais em Escada teve desdobramentos significativos após decisões do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco. A Corte analisou denúncias relacionadas ao uso de candidaturas femininas fictícias para cumprimento da legislação eleitoral sobre participação mínima de mulheres nas chapas partidárias.
A legislação brasileira determina que os partidos políticos reservem ao menos 30% das candidaturas para mulheres. Quando a Justiça identifica candidaturas consideradas fictícias, registradas apenas para preencher a cota legal, sem campanha efetiva ou participação real no processo eleitoral, podem ocorrer cassações coletivas das chapas proporcionais.
No caso de Escada, a decisão judicial atingiu vereadores eleitos e também dirigentes partidários. Entre os condenados à inelegibilidade por oito anos está Paulo Roberto Fernandes Filho, então presidente do PRD municipal e assessor de comunicação da Prefeitura.
Além de Zé Amaro, outro nome atingido pela decisão foi o vereador Henrique Meketrefe, apontado como o mais votado da história política recente do município.
Declaração gera novo debate político
A citação direta a Jandelson Gouveia durante o discurso acabou sendo interpretada por adversários políticos como um elemento novo dentro da crise política envolvendo as chapas proporcionais de 2024.
Até então, o foco principal do processo estava direcionado aos partidos e às candidaturas investigadas pela Justiça Eleitoral. Com a declaração feita em plenário, setores da oposição passaram a defender que o episódio pode ampliar o debate sobre a articulação política que resultou na composição das chapas.
Por outro lado, aliados do governo municipal argumentam que a fala de Zé Amaro não representa, necessariamente, prova de participação direta em eventual irregularidade eleitoral. Integrantes da base governista afirmam que lideranças políticas frequentemente participam de negociações partidárias e da montagem de grupos eleitorais durante períodos de campanha.
Especialistas em direito eleitoral ouvidos em casos semelhantes ressaltam que eventuais responsabilidades jurídicas dependem de produção de provas e análise específica da Justiça Eleitoral, não apenas de declarações políticas feitas em discursos parlamentares.
Críticas aos autores da ação
Durante a mesma fala, Zé Amaro também criticou os ex-vereadores que moveram a ação eleitoral responsável pela cassação dos mandatos.
Sem citar detalhes aprofundados sobre o andamento processual, o presidente da Câmara declarou:
“Todo mundo que está aqui hoje sabe como surgiu esses processos, tanto o de Massé que conseguiu ganhar como os nossos que perdemos.”
A declaração, no entanto, não trouxe esclarecimentos adicionais sobre quem seriam os responsáveis pela articulação das ações judiciais mencionadas.
Nos bastidores políticos de Escada, o clima segue de tensão entre grupos aliados da prefeita Mary Gouveia e setores de oposição que acompanham os desdobramentos das decisões eleitorais.
Impacto político em Escada
A crise envolvendo a cota de gênero continua produzindo efeitos relevantes no cenário político do município da Mata Sul pernambucana.
Além das mudanças na composição da Câmara Municipal, o caso também influencia articulações para as eleições de 2026 e os movimentos antecipados visando o cenário municipal de 2028.
Analistas políticos avaliam que declarações públicas como a feita por Zé Amaro tendem a aumentar a pressão política sobre grupos ligados à atual gestão municipal, especialmente diante da repercussão das decisões judiciais já tomadas pelo TRE-PE.
Ao mesmo tempo, integrantes da base governista defendem cautela na interpretação das falas e argumentam que eventuais conclusões sobre responsabilidades devem respeitar o devido processo legal.
O que diz a legislação sobre cota de gênero
A regra da cota de gênero existe para ampliar a participação feminina na política brasileira. A Justiça Eleitoral entende como fraude situações em que candidaturas femininas são registradas sem efetiva campanha eleitoral, votação mínima ou movimentação política compatível com uma candidatura real.
Nos últimos anos, decisões semelhantes vêm sendo registradas em diferentes municípios do país, com cassações coletivas de vereadores eleitos e punições partidárias.
O tema ganhou maior rigor após decisões do Tribunal Superior Eleitoral, que consolidaram entendimento sobre a punição de chapas inteiras em casos comprovados de fraude.
O discurso de Zé Amaro da Alvorada acabou ampliando a repercussão política do caso envolvendo a fraude à cota de gênero em Escada. A declaração sobre a formação das chapas proporcionais trouxe um novo elemento ao debate local e gerou reações entre aliados e opositores da gestão municipal.
Enquanto o cenário político segue em movimento, o caso continua sendo acompanhado por lideranças partidárias, setores jurídicos e pela população do município.


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