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Jô Cavalcanti aciona a PF contra grupo administrado por Thiago Medina

Vereadora Jô Cavalcanti pede investigação da Polícia Federal sobre ameaças à UFPE em grupo de WhatsApp após incêndio no campus.

Ameaças de bomba na UFPE envolvem grupo administrado por Thiago Medina
Jô Cavalcanti pede que PF investigue grupo ligado a Thiago Medina. Fotos: Divulgação/ Câmara do Recife

​Representante do PSOL pede apuração da PF após incêndio no campus e vazamento de mensagens com menções a bombas em grupo administrado por parlamentar.

​A vereadora do Recife Jô Cavalcanti (PSOL) acionou a Polícia Federal em Pernambuco nesta quinta-feira (8) para pedir a investigação de ameaças de ataques e uso de bombas contra a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A representação foi protocolada um dia após um incêndio atingir um prédio do campus do Recife e ocorre após o vazamento de mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp administrado pelo vereador e deputado federal eleito Thiago Medina (PL). O pedido requer perícia cibernética e a convocação dos citados para prestar esclarecimentos com base na Lei Antiterrorismo.

​O que aconteceu

​A vereadora Jô Cavalcanti encaminhou uma notícia de fato à Superintendência Regional da Polícia Federal em Pernambuco solicitando apuração rigorosa sobre mensagens que circulam em aplicativos de conversa. Os textos trazem ameaças diretas à segurança da comunidade acadêmica da UFPE.

​A iniciativa da parlamentar ocorreu na esteira de dois episódios graves registrados na capital pernambucana. Na noite de quarta-feira (7), um incêndio atingiu a estrutura da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da UFPE, no Campus Recife. Quase simultaneamente, vieram à tona prints de conversas do grupo intitulado “Uninassau BV Anti-Lula”, onde membros faziam menções a atos violentos e afirmavam ter artefatos explosivos.

​Entenda o caso

​O material anexado ao pedido apresentado à Polícia Federal reúne registros digitais de interações em que participantes do grupo mencionavam a intenção de cometer atentados. Em um dos trechos destacados na representação, um dos integrantes escreveu a frase: “Tenho bombas na mala do carro”.

​O ponto central da representação protocolada por Jô Cavalcanti é a presença de figura pública na gestão do canal. O vereador Thiago Medina (PL), recém-eleito deputado federal, consta nos registros do aplicativo de mensagens como um dos administradores do grupo onde o conteúdo circulava.

​O que dizem os envolvidos

​A vereadora Jô Cavalcanti argumentou que a participação de um representante eleito na gestão do grupo exige esclarecimentos imediatos das autoridades policiais e do Judiciário.

​“A presença de um parlamentar em um ambiente onde circulam ameaças dessa gravidade exige investigação sobre sua participação, seu conhecimento das mensagens e a administração do grupo. Estamos falando de ameaças gravíssimas contra uma universidade federal e de um parlamentar eleito aparecendo na administração de um grupo onde esse tipo de conteúdo circula. Isso precisa ser investigado com rigor”, declarou a vereadora.

​Até o momento do fechamento desta reportagem, a assessoria e a defesa do vereador Thiago Medina não haviam emitido posicionamento oficial sobre a representação. O espaço segue aberto para manifestação e atualização das informações divulgadas.

​Próximos passos da investigação

​Na notícia de fato apresentada à Polícia Federal, a parlamentar pede que a corporação realize perícia cibernética nos arquivos, prints e mídias apresentados. O objetivo é atestar a autenticidade dos dados e identificar o IP dos remetentes das mensagens.

​Além da checagem técnica, o documento requer a intimação de todos os envolvidos, incluindo o parlamentar Thiago Medina, para prestarem depoimento presencial. A representação sugere que os fatos sejam enquadrados e apurados sob o respaldo da legislação federal vigente, em especial os dispositivos da Lei Antiterrorismo.

​A segurança em instituições federais de ensino superior tem se tornado tema de frequente debate político e jurídico no Brasil. A atuação da Polícia Federal em ocorrências no perímetro universitário é resguardada por competência constitucional, uma vez que a UFPE é uma autarquia pública federal.

​O pedido formulado com base na Lei Antiterrorismo (Lei nº 13.260/2016) prevê diretrizes para a apuração de atos ou incitações que visem provocar terror social ou generalizado, bem como ameaças contra bens e instalações prestadoras de serviços públicos. A realização de perícia cibernética por parte do órgão policial é a etapa padrão para validar provas coletadas no ambiente virtual, rastreando a origem de postagens e a responsabilidade de administradores de redes sociais.

​A denúncia apresentada por Jô Cavalcanti coloca a segurança da comunidade acadêmica da UFPE no centro das atenções das forças federais de segurança em Pernambuco. A combinação de um incêndio recente no campus com a circulação de mensagens contendo menções a bombas gerou alerta na instituição.

​A apuração solicitada à Polícia Federal deverá determinar a veracidade do material, identificar a autoria dos textos e esclarecer o nível de responsabilidade dos gestores do grupo virtual. O Portal Fala News segue acompanhando o desdobramento do caso e atualizará as informações assim que houver manifestação oficial dos órgãos de apuração ou dos citados.

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