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Lula e Flávio divergem sobre o futuro da educação no Brasil

Enquanto Lula propõe ampliar o ensino integral, construir creches e fortalecer a educação pública, Flávio Bolsonaro defende escolas cívico-militares, vouchers educacionais e maior aproximação entre escolas e empresas.

Educação
Lula prioriza educação pública e Flávio defende modelo cívico-militar. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A educação está entre os temas que diferenciam os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. As propostas envolvem desde a educação infantil até o ensino superior, com diferenças nas estratégias de financiamento, na gestão das escolas e na formação profissional dos estudantes.

Lula apresenta a educação como instrumento de transformação social e mobilidade econômica. Entre as prioridades estão a ampliação das matrículas em tempo integral, a construção de creches e pré-escolas, a valorização dos professores e o fortalecimento de programas de permanência estudantil.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentra parte de suas propostas na expansão das escolas cívico-militares, na aproximação entre educação e mercado de trabalho e na participação da iniciativa privada para ampliar o acesso a vagas. 

Lula quer ampliar o ensino integral e fortalecer a rede pública

O plano de governo de Lula prevê ampliar a oferta de educação em tempo integral em diferentes etapas da educação básica. A modalidade considera jornadas de pelo menos sete horas diárias ou 35 horas semanais.

O governo também pretende dar continuidade à construção de creches e pré-escolas, com investimentos por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). A proposta inclui a retomada de obras educacionais e o aumento do apoio financeiro a estados e municípios.

Na alfabetização, Lula estabelece a meta de alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade certa até 2030, por meio da estratégia nacional voltada à alfabetização infantil.

Outra prioridade é o fortalecimento do Pé-de-Meia, programa que oferece incentivos financeiros a estudantes do ensino médio público inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). A iniciativa busca estimular a permanência dos jovens na escola e reduzir a evasão escolar.

O plano também prevê ampliar o acesso ao ensino técnico e superior, expandir a rede de Institutos Federais e melhorar a infraestrutura das universidades públicas.

Flávio Bolsonaro defende expansão das escolas cívico-militares

Flávio Bolsonaro propõe ampliar as escolas cívico-militares, modelo que ganhou espaço durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), entre 2019 e 2022.

A proposta associa disciplina escolar, participação das famílias e desempenho acadêmico. O candidato também defende uma educação sem o que classifica como doutrinação político-partidária ou militância nas escolas.

Na educação infantil, Flávio pretende ampliar a oferta de creches em período integral. Quando não houver vagas na rede pública, a proposta prevê vouchers para financiar o acesso das famílias a instituições privadas credenciadas.

O plano, entretanto, não detalha a origem dos recursos destinados ao financiamento desses vouchers.

Para a alfabetização, o candidato prioriza o método fônico, baseado na associação entre sons e letras. Ele também propõe condicionar parte dos repasses de recursos educacionais a estados e municípios ao cumprimento de metas de aprendizagem.

Ensino técnico aproxima propostas dos candidatos

A formação profissional aparece entre as prioridades dos dois candidatos, embora com estratégias distintas.

Flávio Bolsonaro defende ampliar a parceria entre escolas, empresas e setor produtivo. A proposta prevê cursos técnicos alinhados às necessidades do mercado de trabalho, com possibilidade de financiamento empresarial de bolsas de qualificação.

O candidato também pretende levar robótica, computadores, tablets e internet às escolas, além de estimular o ensino de competências relacionadas à tecnologia, à inteligência artificial e ao empreendedorismo.

Lula também propõe ampliar a formação técnica, mas destaca a expansão da rede pública de Institutos Federais, com prioridade para municípios com baixa oferta de cursos profissionalizantes, periferias urbanas e regiões consideradas vazios educacionais.

O plano prevê a implantação de 111 novos institutos federais, com novos campi em 106 municípios, além de ampliar as oportunidades de formação profissional para jovens.

Propostas para professores e aprendizagem

Na área de formação docente, Lula pretende ampliar iniciativas de capacitação, estimular a entrada de estudantes em cursos de licenciatura e fortalecer programas de valorização dos profissionais da educação.

Entre as medidas estão o Pé-de-Meia Licenciatura e o Bolsa Mais Professores, voltados, respectivamente, ao incentivo à formação de novos docentes e à atração e permanência de profissionais nas redes públicas.

Flávio propõe formação continuada de professores baseada em evidências científicas, mas o plano de governo não apresenta o mesmo nível de detalhamento sobre as medidas previstas.

Para reforçar a aprendizagem, o candidato do PL também sugere criar o Programa Acolher, pelo qual estudantes com bom desempenho poderão receber remuneração para ajudar colegas que enfrentam dificuldades escolares.

Já Lula prevê uma estratégia permanente de recomposição e aceleração da aprendizagem, com atenção especial aos anos finais do ensino fundamental e ao ensino médio.

O que os candidatos propõem para as universidades

As diferenças também aparecem no ensino superior.

Flávio Bolsonaro propõe transferir a gestão do ensino superior do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o objetivo de aproximar universidades, pesquisa científica e inovação.

O candidato também defende um novo modelo de financiamento estudantil inspirado no Empréstimo Contingente à Renda. Nesse sistema, o pagamento começa após a entrada do estudante no mercado de trabalho, com parcelas proporcionais aos rendimentos.

Lula pretende continuar investindo na infraestrutura das universidades federais, incluindo laboratórios, restaurantes universitários, salas de aula e novas unidades.

O plano também prevê avançar na implantação de projetos como a Universidade Indígena, a Universidade Federal do Esporte e a unidade do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará.

Na pesquisa científica, Lula defende a continuidade dos investimentos públicos e o fortalecimento da pós-graduação. Flávio propõe direcionar o financiamento científico para áreas com potencial de inovação, aplicação produtiva e transferência de tecnologia.

Conectividade e acesso à tecnologia

A inclusão digital também aparece nos dois programas de governo.

Lula propõe universalizar a conectividade das escolas brasileiras, com internet de qualidade e investimentos associados ao Novo PAC. O objetivo é ampliar as condições de acesso à tecnologia e à cidadania digital.

Flávio Bolsonaro pretende priorizar a distribuição de equipamentos tecnológicos e o ensino de robótica, com foco na preparação dos estudantes para o mercado de trabalho e para as transformações digitais.

As propostas compartilham o objetivo de ampliar o uso da tecnologia na educação, mas apresentam diferenças quanto aos instrumentos e às prioridades de implementação.

Educação entra no debate sobre o segundo turno

A comparação dos programas mostra que Lula e Flávio Bolsonaro atribuem importância à educação, mas apresentam caminhos diferentes para ampliar o acesso ao ensino e melhorar a aprendizagem.

Lula prioriza a expansão da rede pública, a educação integral, a valorização dos professores e o fortalecimento de programas de assistência estudantil. Flávio enfatiza as escolas cívico-militares, a participação da iniciativa privada, a formação profissional vinculada às empresas e mudanças na gestão e no financiamento educacional.

A execução dessas propostas dependerá de recursos orçamentários, da articulação com estados e municípios e da capacidade de implementação das políticas públicas. Para os eleitores, conhecer as diferenças entre os planos ajuda a compreender quais prioridades cada candidatura pretende adotar para a educação brasileira.

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