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MEC aciona Polícia Federal após ameaças contra universidades

Ministério da Educação quer investigação específica sobre mensagens que ameaçam instituições e estudantes; UFPE e UFF estão entre os casos relatados

Leonardo Barchin
Ministro da educação Leonardo Barchin. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC) vai acionar a Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal (PF) para investigar ameaças contra universidades federais divulgadas em redes sociais e aplicativos de mensagens. A medida foi anunciada pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, após denúncias envolvendo a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade Federal Fluminense (UFF).

Em entrevista à Agência Brasil, publicada nesta quinta-feira (8), o ministro afirmou que o governo está preocupado com a possibilidade de agravamento da violência contra as instituições de ensino superior. Segundo ele, a investigação específica sobre as ameaças será solicitada diante dos relatos recebidos de estudantes, professores e reitores.

UFPE sofre incêndio e relata preocupação com ameaças

O anúncio ocorreu durante a visita de Leonardo Barchini à UFPE, no Recife, após um incêndio de grandes proporções atingir, na noite de quarta-feira (7), o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da universidade.

O incêndio provocou prejuízos estimados em R$ 100 milhões, segundo informações divulgadas pela instituição. O edifício abrigava laboratórios e pesquisas científicas, incluindo estudos relacionados ao câncer, à Covid-19 e a doenças raras.

A Polícia Federal já instaurou um inquérito para apurar as causas do incêndio. Com as denúncias de ameaças nas redes sociais, o MEC pretende ampliar a atuação investigativa para identificar os responsáveis pelas mensagens e esclarecer as circunstâncias dos episódios.

Até o momento, não há confirmação de que o incêndio tenha sido provocado intencionalmente ou esteja relacionado às ameaças. Essa relação depende da apuração das autoridades.

UFF também denuncia ameaças contra estudantes

A Universidade Federal Fluminense informou nesta quinta-feira que recebeu denúncias de mensagens com ameaças à integridade da comunidade acadêmica e ao patrimônio público.

De acordo com a instituição, os conteúdos circularam em redes sociais e aplicativos de mensagens e mencionavam a possibilidade de incendiar a universidade e agredir estudantes durante atos políticos.

A UFF encaminhou o material à Polícia Federal e a outros órgãos competentes. A instituição também informou que solicitou reforço da segurança nos campi, em Niterói, no Rio de Janeiro, e intensificou as medidas internas de proteção.

O reitor em exercício da universidade, Fabio Passos, afirmou que as ameaças começaram na quarta-feira (7). Segundo ele, estudantes vinham realizando manifestações pacíficas relacionadas à situação política e eleitoral do país.

MEC alerta para risco de escalada da violência

Leonardo Barchini afirmou que o governo acompanha os relatos e pretende recorrer à estrutura especializada da Polícia Federal para investigar as ameaças no ambiente digital.

O ministro também ressaltou o papel das universidades como espaços de pluralidade e manifestação política. A preocupação do MEC é evitar que intimidações e possíveis agressões comprometam a segurança de estudantes, professores, pesquisadores e demais integrantes das comunidades acadêmicas.

A investigação deverá buscar a identificação dos autores das mensagens e avaliar a dimensão das ameaças denunciadas.

Liberdade de manifestação e segurança nas universidades

Os episódios reforçam a preocupação com a segurança nas instituições públicas de ensino superior, especialmente diante de ameaças dirigidas a estudantes em razão de manifestações políticas.

Universidades são espaços de produção científica, debate público e circulação de diferentes ideias. A proteção da comunidade acadêmica exige que denúncias de violência sejam apuradas com rigor, sem antecipar conclusões sobre a autoria ou a motivação dos envolvidos.

No caso da UFPE, a investigação sobre o incêndio permanece distinta da apuração das ameaças nas redes sociais. A confirmação de eventual conexão entre os episódios dependerá das provas reunidas pela Polícia Federal.

O MEC informou que pretende acompanhar os casos em articulação com as autoridades responsáveis, enquanto as universidades buscam garantir a segurança de suas comunidades e a continuidade das atividades acadêmicas.

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