TSE dá 72 horas para Flávio Bolsonaro esclarecer pedidos contra Lula, Alckmin e Janones e exige arquivos digitais antes de analisar medidas urgentes.

TSE cobra detalhes sobre pedido para suspender canal de Janones
TSE cobra detalhes sobre pedido para suspender canal de Janones. Foto: Adriano Machado / Reuters , Jorge Lopes/EM/D.A Press


A decisão do corregedor-geral eleitoral não determina a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado por André Janones. O ministro estabeleceu que a campanha de Flávio Bolsonaro complemente as informações necessárias para que os pedidos urgentes possam ser examinados.

Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão a existência de solicitações semelhantes em outros processos, eventuais decisões anteriores e a identificação das irregularidades atribuídas a cada publicação questionada.

O ministro também pediu que a campanha identifique os anúncios eleitorais que continuariam ativos e detalhe quais dados pretende preservar. Sem informações suficientes, determinados pedidos poderão não ser conhecidos pela Justiça Eleitoral.

O que Flávio Bolsonaro pede ao TSE

A ação de investigação judicial eleitoral apresentada por Flávio Bolsonaro tem como alvos Lula, Alckmin e Janones. O senador alega que o canal “Exército do Lula” teria sido utilizado para coordenar a divulgação de conteúdos desinformativos e ofensivos contra sua candidatura.

Segundo a petição, a atuação de Janones teria ocorrido com conhecimento e benefício dos candidatos à reeleição. Essas afirmações fazem parte das alegações do autor e ainda dependem da análise das provas pela Justiça Eleitoral.

Flávio pede a cassação do registro ou diploma de Lula e Alckmin, além da declaração de inelegibilidade dos responsáveis pelas supostas condutas abusivas.

Entre as medidas urgentes solicitadas estão:

  • A suspensão do canal “Exército do Lula” no WhatsApp.

  • A retirada do perfil @janones.apoio do Instagram.

  • A remoção de publicações questionadas pela campanha.

  • A interrupção de impulsionamentos eleitorais considerados irregulares.

  • A preservação de dados digitais relacionados às alegações.

A campanha também solicita a suspensão do canal até 26 de outubro. O TSE, porém, ainda não decidiu se concederá essas medidas.

Canal de Janones chegou a 3,2 milhões de integrantes

O canal “Exército do Lula” foi criado por André Janones no WhatsApp para mobilizar apoiadores do presidente durante o segundo turno das eleições de 2026.

De acordo com informações publicadas pelo Metrópoles em 10 de outubro, o canal alcançou aproximadamente 3,2 milhões de integrantes. No dia 6 de outubro, reunia cerca de 920 mil seguidores, em meio à intensificação da mobilização digital para a campanha de Lula.

Janones passou a distribuir orientações para que os participantes compartilhassem conteúdos e convidassem outras pessoas a integrar o canal. A iniciativa tornou-se um dos instrumentos de mobilização digital dos apoiadores do presidente na disputa eleitoral.

Após o pedido de suspensão apresentado por Flávio, Janones classificou a iniciativa judicial como uma tentativa de censura, conforme relato do Metrópoles. Essa manifestação representa a posição do deputado sobre o caso, não uma conclusão da Justiça.

TSE exige arquivos digitais que não foram anexados ao processo

Além do prazo de 72 horas para os esclarecimentos, Ricardo Villas Bôas Cueva determinou que Flávio Bolsonaro apresente, em cinco dias, os arquivos digitais originais mencionados na petição inicial.

O material inclui vídeos, mensagens e outros registros utilizados como fundamento para as acusações. Segundo o TSE, esses arquivos não haviam sido incluídos no processo eletrônico.

O ministro determinou que os documentos sejam identificados e organizados para permitir a conferência do conteúdo e assegurar o direito de defesa dos investigados. O pen drive entregue à Secretaria Judiciária permanecerá sob guarda, mas não substitui a apresentação dos arquivos nos autos.

A exigência é relevante para a análise judicial porque permite verificar o material apresentado como prova e confrontá-lo com os argumentos das partes envolvidas.

Lula, Alckmin e Janones terão cinco dias para apresentar defesa

O corregedor-geral eleitoral admitiu o processamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e determinou a notificação de Lula, Alckmin e Janones para que apresentem defesa em cinco dias.

A tramitação da ação, no entanto, não significa que o tribunal tenha confirmado as acusações. A apuração deverá considerar os documentos apresentados, as manifestações dos investigados e os demais elementos do processo.

O ministro também negou o pedido para que o processo tramitasse sob sigilo, ressalvada a possibilidade de proteção de dados específicos.

A ação está registrada no TSE sob o número 0602694-73.2026.6.00.0000.


O que acontece agora no processo eleitoral

O próximo passo é a apresentação dos esclarecimentos solicitados à campanha de Flávio Bolsonaro dentro do prazo de 72 horas. Em paralelo, os arquivos digitais deverão ser entregues em cinco dias, assim como as defesas dos três investigados.

Com as informações complementares, o ministro poderá analisar os pedidos urgentes, inclusive a solicitação de suspensão do canal de Janones e de retirada de publicações.

A decisão sobre essas medidas ainda está pendente. O TSE não declarou comprovadas as supostas irregularidades, e o resultado dependerá da análise judicial dos argumentos e das provas apresentados pelas partes.

Entenda o papel da Ação de Investigação Judicial Eleitoral

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) é um instrumento da Justiça Eleitoral utilizado para apurar possíveis práticas que comprometam a legitimidade e a normalidade das eleições, incluindo hipóteses de abuso de poder político ou econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.

No caso em análise, a campanha de Flávio Bolsonaro atribui essas possíveis irregularidades à atuação de Janones nas redes digitais e sustenta que Lula e Alckmin teriam sido beneficiados. Cabe à Justiça avaliar se as alegações têm respaldo nas provas e se os fatos se enquadram nas normas eleitorais.

É importante distinguir a admissão de uma ação de uma decisão de mérito: o início da tramitação não confirma a responsabilidade dos investigados.

Por que a decisão importa para a campanha digital

O processo coloca em discussão a utilização de canais de mensagens e de publicidade digital durante uma eleição presidencial. Essas ferramentas podem ampliar rapidamente o alcance de conteúdos políticos, mas sua utilização também está sujeita às regras eleitorais aplicáveis.

A controvérsia envolve alegações de desinformação, impulsionamento de propaganda e possível abuso de poder. A apuração precisa identificar as publicações questionadas, examinar os arquivos originais e avaliar as circunstâncias de cada conduta.

O caso também evidencia que pedidos de retirada de conteúdo ou suspensão de canais dependem de análise judicial. Até a divulgação de uma decisão específica sobre as liminares, não é possível afirmar que o canal será bloqueado ou que as acusações foram comprovadas.

O TSE deu 72 horas para Flávio Bolsonaro esclarecer os pedidos urgentes de sua ação contra Lula, Alckmin e Janones e determinou a apresentação de arquivos digitais em cinco dias. A suspensão do canal “Exército do Lula” ainda não foi decidida. O andamento do processo dependerá dos esclarecimentos, das provas e das defesas apresentadas à Justiça Eleitoral.