Agricultura urbana no Recife beneficia mais de 8 mil pessoas, amplia hortas comunitárias e fortalece segurança alimentar com ações agroecológicas.
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| Mais de 100 territórios agroecológicos recebem ações de agricultura urbana na capital. Foto: Hélia Scheppa |
A expansão da agricultura urbana no Recife tem ganhado destaque como política pública voltada à segurança alimentar, à sustentabilidade ambiental e à inclusão social. Dados divulgados pela Prefeitura do Recife apontam que as ações desenvolvidas em 2025 pela Secretaria Executiva de Agricultura Urbana (SEAU) já beneficiaram mais de 8 mil pessoas em diferentes territórios da cidade.
As iniciativas incluem a implantação e manutenção de hortas comunitárias, programas de compostagem, formação em agroecologia e projetos voltados ao reaproveitamento de resíduos orgânicos. Segundo o balanço oficial, as atividades estão presentes em mais de 100 territórios agroecológicos, incluindo escolas, unidades de saúde, espaços culturais e comunidades urbanas.
A política municipal busca integrar produção de alimentos saudáveis, educação ambiental e fortalecimento da economia circular. Além disso, o modelo tem sido apontado como alternativa para ampliar o acesso a alimentos frescos em áreas urbanas e reduzir impactos ambientais.
Expansão da agricultura urbana no Recife
Entre os resultados apresentados no balanço anual da secretaria está a ampliação da rede de hortas urbanas em diferentes equipamentos públicos. Atualmente, as ações estão presentes em 49 escolas e creches, 18 unidades de saúde, 14 hortas comunitárias e diversos equipamentos institucionais e culturais.
Além da implantação de estruturas produtivas, a prefeitura realizou mais de 550 visitas técnicas para apoiar iniciativas locais e incentivar o cultivo de alimentos em espaços urbanos. Também foram distribuídas mais de 20 mil mudas de plantas e cerca de 12 toneladas de esterco, além de insumos provenientes de podas urbanas.
Segundo a gestão municipal, a estratégia busca fortalecer redes comunitárias e estimular práticas sustentáveis em áreas com maior vulnerabilidade social.
A secretária executiva de Agricultura Urbana, Adriana Figueira, afirmou que a iniciativa tem contribuído para consolidar o Recife como referência nacional na área.
“Estamos ampliando parcerias e fortalecendo territórios produtivos com o objetivo de garantir alimento saudável, cuidado ambiental e melhoria da qualidade de vida da população”, afirmou a gestora.
Compostagem e redução de resíduos
Outro eixo das ações da agricultura urbana no Recife envolve o reaproveitamento de resíduos orgânicos por meio de programas de compostagem.
Dados apresentados pela prefeitura indicam que aproximadamente 160 toneladas de resíduos orgânicos foram reaproveitadas, resultando na produção de mais de 56 toneladas de composto orgânico utilizado nas hortas da cidade.
Esse processo também contribui para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Estima-se que a iniciativa tenha evitado a liberação de cerca de 100 toneladas de gases poluentes no ambiente urbano.
Entre as iniciativas nesse campo está o programa Recolheita, voltado ao aproveitamento de alimentos e resíduos provenientes de feiras e mercados públicos. Parte dos alimentos ainda próprios para consumo é destinada a cozinhas solidárias e equipamentos que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade.
Especialistas em sustentabilidade urbana apontam que iniciativas desse tipo ajudam a reduzir desperdícios e fortalecem a economia circular nas cidades.
Agricultura urbana e saúde mental
Além da produção de alimentos, alguns projetos têm integrado a agricultura urbana a políticas de saúde pública.
Um exemplo é o projeto Muvúka – Agricultura Urbana e Saúde Mental, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Saúde do Recife e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A proposta utiliza hortas terapêuticas como ferramenta de cuidado para usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Em 2025, o programa implantou 18 hortas terapêuticas em equipamentos de saúde, beneficiando cerca de 450 pessoas.
De acordo com profissionais envolvidos no projeto, o cultivo agroecológico pode contribuir para estimular o convívio social, reduzir níveis de estresse e promover o bem-estar entre os participantes.
Formação e educação agroecológica
Outro ponto destacado no balanço da prefeitura é a ampliação das ações de formação em agroecologia.
Por meio do programa Cultiva Recife, foram realizadas 60 oficinas e cursos, beneficiando aproximadamente 1.500 participantes em diferentes territórios da cidade.
As atividades abordam temas como:
compostagem doméstica
produção de mudas
agroflorestas urbanas
plantas medicinais
soberania alimentar
Também foram promovidas ações voltadas à ressocialização de pessoas em cumprimento de medidas socioeducativas, com oficinas e atividades práticas em hortas urbanas.
Além disso, projetos como o Cultiva Terreiro – Saberes Ancestrais e Agricultura Urbana promoveram encontros em terreiros de matriz africana da Região Metropolitana do Recife, fortalecendo a troca de conhecimentos tradicionais sobre cultivo e uso de plantas.
Recife como referência em agroecologia urbana
O relatório divulgado pela prefeitura também destaca a participação da cidade em redes nacionais e internacionais voltadas à agroecologia e aos sistemas alimentares sustentáveis.
Entre os espaços de articulação está o Pacto de Milão, iniciativa internacional que reúne cidades comprometidas com políticas alimentares urbanas sustentáveis.
Representantes do município também apresentaram experiências da capital pernambucana no Congresso Brasileiro de Agroecologia, compartilhando iniciativas relacionadas à compostagem urbana, agricultura comunitária e saúde mental.
Além disso, Recife sediará o 2º Encontro Nacional de Agricultura Urbana (ENAU), evento que reúne pesquisadores, gestores públicos e movimentos sociais para discutir políticas de produção de alimentos nas cidades.
Desafios e perspectivas
Apesar dos avanços apresentados no balanço, especialistas apontam que a expansão da agricultura urbana ainda enfrenta desafios em diversas cidades brasileiras.
Entre os principais pontos citados estão:
garantia de financiamento contínuo para projetos comunitários
acesso à terra e regularização de espaços urbanos para cultivo
ampliação da participação da população nas iniciativas
Por outro lado, pesquisadores destacam que experiências como a do Recife demonstram o potencial das políticas públicas para integrar sustentabilidade ambiental, produção de alimentos e inclusão social.
O balanço divulgado pela Prefeitura do Recife indica que a agricultura urbana no Recife tem se consolidado como uma política pública estratégica voltada à sustentabilidade, segurança alimentar e inclusão social.
Com ações em mais de 100 territórios, formação de centenas de participantes e reaproveitamento de resíduos orgânicos, os programas buscam integrar produção de alimentos saudáveis, educação ambiental e fortalecimento de redes comunitárias.
Ao mesmo tempo, especialistas ressaltam que a continuidade dessas iniciativas depende de investimentos, participação social e articulação entre diferentes setores da gestão pública e da sociedade.
Diante desse cenário, a experiência da capital pernambucana passa a integrar o debate nacional sobre políticas alimentares urbanas e modelos de desenvolvimento sustentável nas cidades.
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