Pernambuco realiza seminários sobre desertificação para atualizar políticas públicas e enfrentar os impactos da seca em áreas vulneráveis.
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| Dos 184 municípios pernambucanos, 141 municípios estão em áreas sujeitas à desertificação. Foto: Juciana Cavalcante/ Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. Foto: CBHSF |
A partir do dia 23 de março, o estado de Pernambuco sediará uma série de seminários voltados ao combate à desertificação e à mitigação dos efeitos da seca, reunindo especialistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil. A iniciativa ocorre em parceria com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e a Universidade Federal do Vale do São Francisco.
Os encontros serão realizados em duas cidades estratégicas do interior: Salgueiro, nos dias 23 e 24 de março, e Caruaru, nos dias 26 e 27. A proposta é promover o debate sobre políticas públicas ambientais e revisar estratégias de enfrentamento à desertificação no estado.
Desafios ambientais em Pernambuco
De acordo com dados do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil), Pernambuco possui 141 municípios inseridos em Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD). Isso representa cerca de 90% do território estadual, o que evidencia a dimensão do problema.
Diante desse cenário, os seminários têm como principal objetivo atualizar o Programa de Ação Estadual de Pernambuco para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAE-PE), elaborado em 2009. Desde então, mudanças climáticas e transformações socioeconômicas intensificaram os desafios enfrentados pelas regiões mais vulneráveis.
Revisão de políticas públicas ambientais
O PAE-PE foi desenvolvido originalmente com apoio de instituições como a Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH), o Instituto Tecnológico de Pernambuco (ITEP), a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe) e a Universidade de Pernambuco (UPE), entre outras entidades.
Agora, segundo os organizadores, a atualização do programa é necessária para alinhar as políticas às demandas atuais. “Este é um momento importante para fortalecer as ações já existentes e reestruturar o planejamento elaborado há mais de uma década”, afirmou o pesquisador Victor Uchôa, coordenador da Sudene.
Além disso, a iniciativa busca integrar diferentes setores e ampliar o diálogo entre ciência, gestão pública e sociedade civil.
Diagnóstico aponta avanços e lacunas
Um levantamento recente do Programa de Ações de Combate à Desertificação (Proades), coordenado pela Univasf, indica que Pernambuco registrou avanços em educação ambiental e práticas de convivência com o semiárido.
No entanto, o diagnóstico também aponta que muitas dessas ações não foram direcionadas às áreas mais críticas, o que limita sua eficácia. Dessa forma, a revisão estratégica se torna essencial para priorizar regiões mais vulneráveis.
Participação e inscrições abertas
As inscrições para os seminários já estão abertas e podem ser realizadas por meio do site oficial do Proades (www.proades.com.br/seminario/). A expectativa é reunir representantes de diferentes setores para contribuir com propostas e soluções.
A ação faz parte de um ciclo nacional de encontros que já passou por estados como Minas Gerais, Ceará, Paraíba, Piauí, Espírito Santo, Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte. Os dados coletados nesses eventos irão subsidiar a atualização de diagnósticos estaduais e fortalecer políticas públicas no Brasil.
Serviço
Salgueiro
23/03 – das 14h às 17h
24/03 – das 8h às 17h
Local: Centro Vocacional Tecnológico (CVT)
Caruaru
26/03 – das 14h às 17h
27/03 – das 8h às 17h
Local: Secretaria de Educação e Esportes
Em síntese, os seminários sobre desertificação em Pernambuco representam uma tentativa de atualizar políticas públicas diante de um problema que afeta grande parte do território estadual. Ao reunir diferentes atores, a iniciativa busca construir soluções mais eficazes e alinhadas às necessidades atuais, contribuindo para o enfrentamento da seca e a promoção do desenvolvimento sustentável no semiárido.

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