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Brasil quer ser potência verde, diz Lula na Alemanha

Lula defendeu os biocombustíveis brasileiros na Alemanha e criticou regras da UE. Presidente destacou eficiência do etanol e pediu parceria comercial.

Lula
Em Hannover, Lula defendeu pioneirismo do etanol e rebateu mitos sobre produção de alimentos. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Hannover (Alemanha) – Durante missão oficial à Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o protagonismo do Brasil na transição energética global. Em discurso no 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, realizado em Hannover, Lula rebateu as novas barreiras ambientais propostas pela União Europeia (UE) e classificou como "unilateral" o mecanismo de cálculo de carbono do bloco .

O chefe do Executivo brasileiro argumentou que as regras europeias ignoram práticas consolidadas de sustentabilidade. “Nosso etanol, de cana-de-açúcar, tem uma das menores pegadas de carbono do mundo e reduz emissões em até 90% em relação à gasolina”, afirmou Lula, citando dados do setor sucroenergético .

Disputa por Padrões Verdes


Enquanto a UE planeja atingir 50% de renováveis em sua matriz até 2050, Lula destacou que o Brasil já alcançou esse patamar em 2025. Contudo, o presidente demonstrou preocupação com a revisão do regulamento europeu sobre biocombustíveis. “Estão na mesa propostas que ignoram práticas de sustentabilidade no uso do solo brasileiro”, criticou .

Em janeiro deste ano, entrou em vigor um sistema de aferição de carbono que, na visão de Lula, penaliza o produtor brasileiro. “A elevação de padrões ambientais é necessária, mas não é correta quando adota critérios que ignoram outras realidades”, completou o presidente .

Abertura Comercial e Parcerias


Além das críticas regulatórias, a viagem teve um forte viés comercial. A Alemanha é o principal parceiro do Brasil na Europa, abrigando mais de 1.200 empresas alemãs em território brasileiro . Lula aproveitou a ocasião para pedir celeridade na implementação definitiva do acordo entre Mercosul e União Europeia.

“Conto com o engajamento do setor privado para garantir que a vigência provisória do acordo seja transformada em vigência permanente”, declarou, em um recado direto aos empresários europeus que ainda resistem ao tratado .

Por outro lado, a Comissão Europeia tem demonstrado cautela. Em janeiro, foi divulgada a intenção de reclassificar o biodiesel de soja, o que poderia impactar as exportações brasileiras a partir de 2030. Defensores dessas regras na Europa argumentam que biocombustíveis não podem ser cultivados às custas de desmatamento, um ponto que Lula nega veementemente. “Ninguém come biodiesel. Não há hipótese de o Brasil deixar de produzir alimentos para produção de biocombustível”, rebateu .

A passagem de Lula por Hannover escancara a tensão entre o apetite europeu por energia limpa e a imposição de barreiras verdes unilaterais. Ao mesmo tempo em que critica o que chama de "resistência ideológica", o governo brasileiro tenta capitalizar a crise energética global. Como afirmou o presidente, o Brasil se oferece como solução para quem busca energia mais barata e renovável, mas condiciona essa parceria ao reconhecimento de sua trajetória ambiental.

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