Victor Marques assume Prefeitura do Recife após renúncia de João Campos, marcando nova fase política na capital pernambucana.
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| Prefeito do Recife Victor Marques. Foto: Edson Holanda |
A Prefeitura do Recife passará por uma mudança de comando nos próximos dias. Com a renúncia de João Campos (PSB) para disputar o Governo de Pernambuco, o vice-prefeito Victor Marques (PCdoB) assumirá oficialmente a chefia do Executivo municipal. A posse está prevista para a próxima segunda-feira (6), no período da tarde.
A transição ocorre após semanas de agenda conjunta entre os dois gestores, marcada por inaugurações e entregas de obras na capital pernambucana. Desde o anúncio da pré-candidatura de João Campos, em 20 de março, ambos intensificaram a presença pública em eventos institucionais, em um movimento interpretado como preparação para a mudança administrativa.
Agenda conjunta marcou período de transição
Durante esse período, João Campos e Victor Marques participaram lado a lado de diversas ações públicas. A agenda incluiu inaugurações de equipamentos urbanos e entregas de obras em diferentes áreas da cidade.
Um dos momentos mais simbólicos ocorreu na inauguração da segunda etapa do Parque da Tamarineira, no último dia 26. Na ocasião, João Campos se emocionou ao comentar sua saída do cargo.
“Recife foi muito generoso comigo. O que me dá tranquilidade é saber que o Victor vai fazer muito mais do que eu”, afirmou o então prefeito, em discurso público.
A fala reforçou o tom de continuidade administrativa defendido pela atual gestão, embora especialistas apontem que a nova liderança poderá imprimir características próprias ao governo municipal.
Quem é Victor Marques, novo prefeito do Recife
Aos 31 anos, Victor Marques é natural do Recife e possui formação em engenharia civil pela Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco (UPE). Antes de assumir a vice-prefeitura, ocupava o cargo de secretário de Infraestrutura da cidade.
Sua trajetória pessoal inclui uma vivência entre o litoral e o sertão pernambucano. Ainda criança, mudou-se para o interior do estado, onde estudou, retornando ao Recife apenas na adolescência.
Na vida política, Victor tem origem familiar. Seu pai, José Saturnino Alves, conhecido como Zezinho de Sata, foi vereador em São José do Belmonte. Já seu irmão, Vinícius Marques, é atualmente prefeito do município.
Apesar dessa base, sua atuação política foi predominantemente técnica. Desde 2017, Victor ocupou cargos administrativos em diferentes esferas, incluindo funções no Governo de Pernambuco, na Câmara dos Deputados e na Prefeitura do Recife.
Trajetória política marcada por atuação nos bastidores
Antes de se filiar ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Victor Marques construiu sua carreira em funções de assessoramento e gestão. Entre os cargos exercidos estão:
- Assessor no Governo de Pernambuco (2017–2019)
- Chefe de gabinete na Câmara dos Deputados (2019–2020)
- Chefe de gabinete da Prefeitura do Recife (2021–2024)
Esse histórico reforça a percepção de um perfil técnico e de bastidores. Fontes ouvidas pela reportagem indicam que sua escolha como vice-prefeito, nas eleições de 2024, gerou surpresa em parte do meio político.
“Ele nunca foi político de fato, estava sempre no gabinete. Mas demonstrou disposição para aprender”, afirmou uma fonte que preferiu não se identificar.
Por outro lado, aliados destacam sua capacidade de articulação e escuta, além da relação próxima com João Campos, construída desde o período universitário.
Relação com João Campos e influência na gestão
Victor Marques e João Campos se conheceram ainda na juventude, durante o período acadêmico. Segundo relatos do próprio João, a relação de proximidade foi construída desde cedo.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, João Campos destacou qualidades do sucessor. “Altamente preparado, bom de trabalho e de política, sabe ouvir as pessoas”, afirmou.
Essa relação de confiança foi determinante para a escolha de Victor como vice-prefeito e, posteriormente, para sua projeção como sucessor natural na administração municipal.
Estilo de gestão e desafios à frente da Prefeitura
Apesar da proximidade com o antecessor, há expectativa sobre o estilo de gestão que será adotado por Victor Marques. Em entrevistas, ele demonstra preferência por temas técnicos e estruturais, com foco em áreas como infraestrutura urbana.
Especialistas avaliam que sua experiência administrativa pode contribuir para a continuidade de projetos em andamento. No entanto, também apontam desafios, como a necessidade de ampliar sua visibilidade política e consolidar liderança própria.
Além disso, a condução da Prefeitura do Recife ocorrerá em um contexto de pré-campanha estadual, o que pode influenciar decisões estratégicas da gestão.
Presença nas redes sociais e comunicação política
Nas redes sociais, Victor Marques mantém uma frequência alta de publicações, embora inferior à de João Campos. Sua comunicação segue tendências contemporâneas da política digital, com vídeos dinâmicos, linguagem acessível e interação com o público.
Analistas observam uma tentativa de construção de imagem alinhada ao perfil de “político conectado”, com uso de recursos audiovisuais e estratégias de engajamento.
Ainda assim, sua imagem pública permanece em processo de consolidação, especialmente diante da nova posição como chefe do Executivo municipal.
Expectativas para a nova gestão no Recife
A posse de Victor Marques representa não apenas uma mudança formal, mas também um momento de transição política relevante para o Recife. A continuidade administrativa deve ser um dos eixos centrais da nova gestão, ao lado da necessidade de afirmação de identidade própria.
Entre os principais desafios estão:
- Manutenção de projetos em andamento
- Gestão fiscal e administrativa
- Ampliação do diálogo político
- Consolidação de liderança pública
Ao mesmo tempo, a proximidade com João Campos e o alinhamento com a base governista podem facilitar a articulação institucional.
A chegada de Victor Marques à Prefeitura do Recife marca uma nova etapa na política local, em meio à saída de João Campos para a disputa estadual.
Com perfil técnico e trajetória construída nos bastidores, o novo prefeito assume o desafio de dar continuidade à gestão e, ao mesmo tempo, construir sua própria identidade política.
A forma como conduzirá esse equilíbrio será determinante para os rumos da administração municipal nos próximos anos.

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