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Deputados do PSB denunciam superlotação na saúde pública de Pernambuco

Deputados apontam redução de leitos e corte de R$ 1,5 bilhão na saúde como fatores da crise nos hospitais públicos de Pernambuco.

saúde de PE
Hospitais estaduais de PE vivem cenário crítico, dizem deputados. Foto: Pedro Caldas

A crise nos hospitais de Pernambuco voltou ao centro do debate político estadual após deputados da oposição apresentarem denúncias sobre superlotação, precarização estrutural e redução da capacidade de atendimento da rede pública de saúde. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (26), durante entrevista coletiva na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), após fiscalizações realizadas em grandes emergências do Recife.

As visitas ocorreram no Hospital da Restauração, Hospital Otávio de Freitas, Hospital Getúlio Vargas e Hospital Agamenon Magalhães. Segundo os parlamentares, os hospitais apresentaram corredores lotados, pacientes acomodados em macas improvisadas, demora nos atendimentos e problemas estruturais recorrentes.

Deputados apontam redução de investimentos

De acordo com os deputados, um dos principais fatores para o agravamento da crise nos hospitais de Pernambuco seria a redução proporcional dos investimentos estaduais em saúde nos últimos anos.

Os dados apresentados indicam que os aportes na área caíram de 18,8% da receita corrente líquida do estado em 2022 para cerca de 15,7% e 15,8% em 2024 e 2025. Conforme os parlamentares, a diferença representa aproximadamente R$ 1,5 bilhão a menos destinados à saúde pública estadual.

Além disso, os deputados afirmam que houve redução de 17% nos investimentos voltados às principais unidades hospitalares da rede estadual.

O líder da oposição na Alepe, Sileno Guedes, afirmou que o cenário atual vai além do aumento da demanda hospitalar.

Segundo ele, a crise seria consequência direta da diminuição da capacidade operacional da rede pública.

Redução de leitos amplia pressão sobre emergências

Outro ponto destacado pelos parlamentares foi a redução do número de leitos hospitalares disponíveis na rede estadual.

Dados apresentados durante a coletiva mostram que, durante o governo de Eduardo Campos, foram adicionados 879 leitos à rede pública estadual. Já na gestão de Paulo Câmara, outros 594 leitos teriam sido incorporados.

No entanto, segundo os deputados, o saldo dos três primeiros anos da gestão da governadora Raquel Lyra seria de 440 leitos a menos.

Os parlamentares também citaram o fechamento de unidades hospitalares e desativação de UTIs pediátricas desde 2023. Entre elas estão o Hospital de Retaguarda em Neurologia, no Recife, e o Hospital Jesus Nazareno, em Caruaru.

Além disso, UTIs pediátricas do Hospital Barão de Lucena, do Hospital Correia Picanço e do Hospital José Fernandes Salsa, em Limoeiro, teriam sido desativadas.

Fiscalizações identificam problemas estruturais

Durante as visitas realizadas pelos deputados, foram registrados problemas estruturais considerados graves.

No Hospital da Restauração, os parlamentares mencionaram o desabamento de parte do teto da unidade pouco tempo após ações de revitalização da fachada divulgadas pelo Governo de Pernambuco.

Para os deputados, o episódio simboliza a diferença entre a comunicação institucional e as condições enfrentadas diariamente por pacientes e profissionais da saúde.

O vice-presidente da Alepe, Rodrigo Farias, afirmou que a combinação entre redução de recursos e diminuição da capacidade hospitalar estaria provocando um “colapso progressivo” nas maiores emergências públicas do estado.

Já o deputado Diogo Moraes declarou que os problemas estruturais encontrados nas unidades estariam sendo “maquiados” por ações de comunicação institucional.

Governo do Estado investe em obras e comunicação

Os deputados também apresentaram números relacionados aos investimentos do Governo de Pernambuco em outras áreas.

Segundo os dados divulgados, entre 2023 e maio de 2026, cerca de R$ 913,9 milhões foram gastos com construção, ampliação, reforma e equipagem de unidades hospitalares.

Em paralelo, os parlamentares afirmam que aproximadamente R$ 1,067 bilhão foram destinados a comunicação, marketing e festividades no mesmo período.

As críticas ocorreram em meio ao lançamento de licitação de R$ 15 milhões para recuperação da fachada do Hospital Agamenon Magalhães.

Relatórios técnicos apontam sobrecarga regional

Outro ponto apresentado pelos deputados foram relatórios técnicos produzidos pelo próprio Governo de Pernambuco.

Os documentos indicariam que hospitais regionais operam com limitações em serviços de alta complexidade. Como consequência, haveria maior transferência de pacientes para Recife e Caruaru, ampliando a pressão sobre os grandes hospitais estaduais.

Para especialistas em gestão hospitalar, a concentração da demanda em poucas unidades tende a aumentar o tempo de espera, elevar a superlotação e dificultar a manutenção da qualidade assistencial.

Governo ainda não respondeu oficialmente às críticas

Até o fechamento desta matéria, o Governo de Pernambuco não havia divulgado posicionamento oficial sobre as declarações apresentadas pelos deputados durante a coletiva.

A expectativa é que novos relatórios sejam encaminhados aos órgãos de controle e fiscalização nas próximas semanas.

O deputado Eriberto Filho afirmou que as fiscalizações continuarão em outras unidades da rede estadual de saúde.

Crise na saúde segue como desafio em Pernambuco

A crise nos hospitais de Pernambuco amplia o debate sobre financiamento da saúde pública, gestão hospitalar e regionalização dos serviços no estado.

Enquanto parlamentares cobram medidas emergenciais para ampliação da rede e recomposição de investimentos, pacientes e profissionais de saúde seguem enfrentando desafios diários relacionados à superlotação, demora nos atendimentos e limitações estruturais.

O tema deve permanecer em evidência na Alepe e no cenário político estadual nos próximos meses, especialmente diante da pressão crescente por melhorias na assistência hospitalar pública.

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