Governadora Raquel Lyra cria Grupo de Trabalho para discutir impactos da MP 1357/2026 no Polo de Confecções de Pernambuco.
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| Polo de Confecções movimenta economia de 92 municípios pernambucanos. Foto: Hesídio Goes |
A governadora Raquel Lyra anunciou nesta segunda-feira (25), no Palácio do Campo das Princesas, a criação de um Grupo de Trabalho para acompanhar os impactos da Medida Provisória nº 1357/2026 sobre o Polo de Confecções de Pernambuco.
A iniciativa ocorre após representantes do setor demonstrarem preocupação com as novas regras de tributação simplificada para remessas postais internacionais, que zeraram o imposto de importação para compras de até US$ 50.
O encontro reuniu empresários, prefeitos, sindicatos, parlamentares e entidades ligadas ao setor têxtil, considerado um dos principais motores econômicos do Agreste pernambucano.
Setor teme perda de competitividade
A MP 1357/2026, anunciada pelo Governo Federal no último dia 12 de maio, provocou reação de representantes da indústria nacional, especialmente do Polo de Confecções do Agreste, que reúne centros produtivos em cidades como Toritama, Santa Cruz do Capibaribe e Caruaru.
Empresários argumentam que a ampliação da competitividade de produtos importados pode afetar diretamente a produção local, responsável por milhares de empregos diretos e indiretos em Pernambuco.
Segundo a governadora, o objetivo do Grupo de Trabalho será construir propostas em conjunto com o setor produtivo e acompanhar as discussões no Congresso Nacional.
“Será criado um Grupo de Trabalho para que possa ser adotado um acompanhamento junto ao Congresso Nacional e para que, em um prazo de trinta dias, possamos apresentar soluções no âmbito estadual e nacional”, afirmou Raquel Lyra.
A chefe do Executivo estadual destacou ainda que o Polo de Confecções já impacta 92 municípios pernambucanos e ultrapassa os limites tradicionais do Agreste.
Empresários defendem incentivos à indústria nacional
Durante a reunião, representantes empresariais reforçaram a defesa de medidas que ampliem a competitividade da indústria brasileira diante do mercado internacional.
O presidente do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE), Pedro Miranda, afirmou que a principal reivindicação do setor é a adoção de políticas tributárias que fortaleçam a produção nacional.
“Queremos que o produto seja produzido em Pernambuco, porque gera emprego, renda e desenvolvimento”, declarou.
Além das discussões tributárias, os representantes do Polo também apresentaram demandas relacionadas à qualificação profissional, inovação tecnológica, modernização da cadeia produtiva e fortalecimento da moda pernambucana no mercado nacional.
Governo afirma que diálogo já vinha acontecendo
A secretária de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Danielle Jar Souto, afirmou que o governo estadual já vinha realizando escutas com representantes do Polo antes mesmo da publicação da Medida Provisória.
Segundo ela, o Estado tem buscado identificar necessidades específicas dos municípios que integram a cadeia produtiva têxtil.
“Temos hoje uma escuta ativa, que é um levantamento das necessidades reais de cada um dos municípios que fazem parte desse polo”, explicou.
A secretária acrescentou que o diálogo com o NTCPE ocorre de forma permanente para avaliar ações consideradas prioritárias pelo setor.
Parlamentares e prefeitos defendem articulação política
O deputado estadual Edson Vieira avaliou que a reunião representa um passo importante para a construção de soluções conjuntas.
Segundo ele, será necessária uma articulação envolvendo governo estadual, bancada federal e representantes empresariais.
Já o deputado estadual Adalto Santos afirmou que o Polo de Confecções representa uma importante força econômica e social para Pernambuco.
Entre os prefeitos presentes, o prefeito de Toritama, Sérgio Colin, destacou a necessidade de garantir igualdade competitiva entre os produtos nacionais e internacionais.
O prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Helinho Aragão, informou que também pretende dialogar com representantes do Governo Federal sobre o tema.
Entidades participaram da reunião
Também estiveram presentes representantes de entidades empresariais e comerciais ligadas ao setor, entre elas:
- NTCPE;
- Moda Center;
- ACIC;
- ACIT;
- Ascap;
- CDL de Santa Cruz do Capibaribe;
- Sindivest-PE;
- Facep;
- Apatec;
- Associação dos Sulanqueiros de Caruaru.
Importância econômica do Polo de Confecções
O Polo de Confecções de Pernambuco é considerado um dos maiores centros de produção têxtil do Brasil. A atividade econômica movimenta cadeias de produção, comércio e serviços, além de gerar empregos em dezenas de municípios.
Especialistas do setor avaliam que as mudanças no cenário internacional do comércio eletrônico têm potencial para alterar dinâmicas de competitividade da indústria nacional, o que amplia a pressão por políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção local.
Ao final da reunião, o governo estadual informou que o Grupo de Trabalho deverá apresentar propostas e encaminhamentos dentro de um prazo de até 30 dias.
A criação do Grupo de Trabalho marca o início de uma nova etapa de articulação entre o Governo de Pernambuco, empresários e representantes políticos em torno do futuro do Polo de Confecções. O debate envolve competitividade, tributação, geração de empregos e estratégias para manter a relevância econômica do setor diante das mudanças no comércio internacional.
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