Boletim Focus reduz pela segunda semana consecutiva a projeção da inflação para 2026. Mercado mantém estimativas para PIB, dólar e Selic.
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| Focus reduz previsão do IPCA e reforça expectativa de queda dos juros. Foto: Marcello Casal Jr |
O mercado financeiro voltou a reduzir a projeção da inflação para 2026, de acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. Pela segunda semana consecutiva, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, foi revisada para baixo, passando de 5,30% para 5,16%.
Os demais indicadores econômicos monitorados pelo levantamento permaneceram inalterados. As projeções para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), cotação do dólar e taxa básica de juros (Selic) seguiram estáveis em relação à semana anterior.
O Boletim Focus reúne as expectativas de instituições financeiras e consultorias econômicas consultadas regularmente pelo Banco Central e serve como referência para acompanhar as perspectivas do mercado.
O que mudou na projeção da inflação
A redução da expectativa para o IPCA ocorre após uma sequência de desaceleração da inflação observada nos últimos meses.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial registrou alta de 0,16% em junho, o menor resultado mensal desde outubro de 2025.
O desempenho foi influenciado principalmente pela primeira queda nos preços dos alimentos desde novembro de 2025, contribuindo para a perda de força da inflação pelo quarto mês consecutivo.
No acumulado de 12 meses, o IPCA soma 4,64%, percentual inferior aos 4,72% registrados até maio, embora ainda permaneça acima da meta do governo, cujo teto é de 4,5%.
PIB permanece próximo de 2%
As expectativas para a atividade econômica não sofreram alterações.
O mercado financeiro continua projetando crescimento de 1,99% para o PIB em 2026, repetindo a estimativa divulgada na semana anterior.
Para os anos seguintes, as previsões seguem em:
- 2027: 1,65%;
- 2028: 2%.
O Produto Interno Bruto representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e é um dos principais indicadores do desempenho da economia.
Dólar segue com expectativa estável
As estimativas para o câmbio também permaneceram inalteradas.
O mercado projeta que o dólar encerre 2026 cotado em R$ 5,20.
Para os anos seguintes, as previsões são:
- 2027: R$ 5,28;
- 2028: R$ 5,34.
A cotação da moeda norte-americana influencia diretamente diversos setores da economia, como importações, exportações, combustíveis e produtos industrializados.
Selic continua projetada em 14%
A expectativa para a taxa básica de juros permaneceu em 14% ao ano para 2026, repetindo a previsão pela terceira semana consecutiva.
Atualmente, a Selic está em 14,25%, percentual definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em sua reunião de 17 de junho.
Com isso, o mercado continua projetando pelo menos uma redução da taxa até o fim do ano.
A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 4 e 5 de agosto.
As projeções para os anos seguintes também permaneceram estáveis:
Selic projetada
- 2026: 14%;
- 2027: 12%;
- 2028: 10,5%.
Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, maior patamar desde julho de 2006, quando alcançou 15,25%.
Antes disso, entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes consecutivas.
Como a Selic influencia a economia
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.
Quando o Copom reduz os juros, o crédito tende a ficar mais barato, estimulando consumo, investimentos e produção. Em contrapartida, especialistas consultados pelo Banco Central para a elaboração do Boletim Focus apontam que juros menores também podem reduzir o ritmo de controle da inflação.
Já quando a Selic é elevada, empréstimos e financiamentos costumam ficar mais caros. Esse cenário tende a reduzir o consumo e favorecer aplicações financeiras de renda fixa, contribuindo para conter pressões inflacionárias, embora também possa desacelerar a atividade econômica.
Na definição das taxas cobradas dos clientes, os bancos ainda consideram fatores como risco de inadimplência, custos administrativos e margem de lucro.
INPC também desacelera
Além do IPCA, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou alta de 0,14% em junho.
Nos últimos 12 meses, o indicador acumula 4,33%.
O INPC é utilizado como referência para diversos reajustes salariais e mede a inflação das famílias com renda entre um e cinco salários mínimos.
Já o IPCA considera famílias com rendimento mensal entre um e 40 salários mínimos, sendo o principal indicador utilizado para acompanhar a inflação oficial do país.
Perspectiva do mercado
A nova redução na projeção da inflação para 2026 indica uma melhora gradual das expectativas do mercado financeiro em relação ao comportamento dos preços. Ao mesmo tempo, a manutenção das estimativas para crescimento econômico, câmbio e juros demonstra que os analistas seguem aguardando novos indicadores econômicos e as próximas decisões do Copom para avaliar possíveis mudanças no cenário macroeconômico brasileiro.

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