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Recife é escolhida para projeto internacional de economia circular com investimento de até R$ 300 milhões

Recife foi escolhida pela Fundação Ellen MacArthur para implementar um projeto internacional de economia circular que poderá mobilizar até R$ 300 milhões em investimentos para reciclagem, cooperativas de catadores e despoluição dos rios.

Recife
Fundação Ellen MacArthur escolhe Recife para iniciativa internacional de economia circular. Foto: Marlon Diego

O Recife foi escolhido para ser a primeira cidade brasileira a colocar em prática um projeto internacional voltado à economia circular, desenvolvido pela Fundação Ellen MacArthur, organização britânica reconhecida mundialmente por iniciativas de sustentabilidade. A parceria foi oficializada nesta quarta-feira (1º) e poderá mobilizar mais de US$ 50 milhões, cerca de R$ 300 milhões, ao longo dos próximos cinco a sete anos.

A iniciativa reúne Prefeitura do Recife, empresas, cooperativas de catadores, organizações da sociedade civil e parceiros internacionais com o objetivo de fortalecer toda a cadeia da reciclagem, ampliar a coleta seletiva e reduzir o descarte irregular de resíduos, especialmente plásticos que chegam aos rios e ao oceano.

Recife foi escolhida por experiências já desenvolvidas

A escolha da capital pernambucana ocorreu após a publicação do relatório "Fechando o Ciclo: Transformando os Sistemas de Resíduos Urbanos e Protegendo os Rios do Brasil", elaborado pela Fundação Ellen MacArthur em parceria com a Clean Rivers.

Segundo as instituições, Recife reúne características semelhantes às de diversas cidades brasileiras e do Sul Global, permitindo que as soluções desenvolvidas possam servir de modelo para outras localidades.

Outro fator considerado foi o conjunto de políticas públicas implantadas nos últimos anos nas áreas de reciclagem, coleta seletiva, educação ambiental e fortalecimento da economia circular.

Prefeito destaca compromisso ambiental

Durante a cerimônia de assinatura da parceria, o prefeito Victor Marques afirmou que o projeto representa um reforço às ações ambientais já desenvolvidas pela gestão municipal.

"Nossa cidade conta com diversas iniciativas para proporcionar ainda mais sustentabilidade e agora vamos contar com esse reforço, transformando ainda mais o Recife em referência mundial. A trajetória para uma cidade mais ecológica não é simples, mas nós temos um compromisso e não teremos receio de cumprir cada etapa para trazer mais dignidade ao recifense", declarou.

Governo Federal defende integração entre instituições

O secretário de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Adalberto Maluf, afirmou que o sucesso da iniciativa depende da cooperação entre diferentes setores.

Segundo ele, Recife foi escolhida porque já desenvolvia ações consistentes na área ambiental e poderá demonstrar, na prática, como políticas públicas integradas podem ampliar os resultados da reciclagem e da economia circular.

Projeto será desenvolvido em três eixos

A iniciativa foi estruturada em três frentes principais.

Economia circular

O primeiro eixo pretende fortalecer toda a cadeia dos resíduos, desde a produção de embalagens até a reciclagem e o retorno dos materiais ao ciclo produtivo.

Limpeza urbana

O segundo eixo concentra esforços para reduzir o descarte irregular de resíduos sólidos em rios, canais e sistemas de drenagem, contribuindo para diminuir a poluição ambiental.

Fortalecimento dos catadores

O terceiro eixo busca ampliar oportunidades para cooperativas, associações e catadores autônomos por meio de investimentos, capacitação, inclusão produtiva e geração de renda.

O presidente da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), Daniel Saboya, afirmou que os catadores ocupam posição central na estratégia.

Segundo ele, a prioridade da Prefeitura é fortalecer a coleta seletiva e ampliar o apoio aos trabalhadores da reciclagem ao longo dos próximos anos.

Fundação destaca potencial brasileiro

A diretora para a América Latina da Fundação Ellen MacArthur, Luisa Santiago, ressaltou que o Brasil possui bases regulatórias, vontade política e uma ampla rede de catadores capazes de impulsionar um novo modelo de reciclagem.

Ela destacou que o principal desafio ainda é ampliar a infraestrutura necessária para consolidar uma economia circular em larga escala.

A expectativa da entidade é que a experiência desenvolvida no Recife possa inspirar outras cidades brasileiras e internacionais.

Clean Rivers aposta na redução da poluição dos rios

A CEO da Clean Rivers, Deborah Backus, afirmou que milhões de toneladas de resíduos chegam anualmente aos cursos d'água e aos oceanos.

Segundo ela, fortalecer os sistemas de gestão de resíduos reduz esse vazamento e protege tanto os ecossistemas quanto as comunidades que dependem desses recursos naturais.

A dirigente também ressaltou que Recife foi escolhida por possuir uma extensa rede hidrográfica que deságua no Oceano Atlântico, tornando a cidade estratégica para demonstrar os resultados do projeto.

Nova Ecoestação amplia descarte adequado

Durante o evento, a Prefeitura também inaugurou a Ecoestação Vila do Papel, localizada no bairro de São José.

A unidade é a 17ª implantada pelo programa Recife Limpa e recebe resíduos da construção civil, recicláveis, móveis usados, restos de poda, materiais volumosos e resíduos sujeitos à logística reversa obrigatória.

O objetivo é oferecer um local adequado para descarte, reduzindo pontos de lixo irregular e fortalecendo a reciclagem.

A presidente da Cooperativa Recicla Torre, Alexsandra Maria, afirmou que a nova estrutura representa uma oportunidade para ampliar a renda dos catadores e evitar que materiais recicláveis sejam descartados de forma inadequada.

Próximos passos

A próxima etapa do projeto consiste na elaboração de um plano de trabalho conjunto entre Prefeitura, empresas, cooperativas e organizações participantes.

Nos próximos seis meses deverão ser definidas metas, cronograma, responsabilidades e estratégias para execução das ações previstas.

A expectativa é que a iniciativa fortaleça a economia circular em Recife, amplie a reciclagem, gere oportunidades para os catadores e contribua para reduzir a poluição dos rios, criando um modelo que poderá ser replicado em outras cidades brasileiras e do Sul Global.

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