Governo Federal lança os programas Desenrola Adimplentes e Fies Empreendedor para ampliar o acesso ao crédito, reduzir o endividamento e incentivar novos negócios. Confira quem pode participar.
![]() |
| Governo Federal cria Desenrola Adimplentes e Fies Empreendedor; veja quem pode participar. Foto: Ricardo Stuckert/PR |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, na segunda-feira (29), dois novos programas voltados à ampliação do acesso ao crédito e à prevenção do endividamento da população brasileira. Instituídos por meio de Medida Provisória, o Desenrola Adimplentes e o Fies Empreendedor têm como objetivo atender públicos específicos que, embora mantenham histórico de pagamento regular, enfrentam dificuldades para acessar crédito em condições favoráveis.
As medidas ampliam a política iniciada com o Desenrola Brasil e fazem parte da estratégia do Governo Federal para estimular a inclusão financeira, reduzir o comprometimento da renda das famílias com dívidas e incentivar o empreendedorismo entre beneficiários do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
O que é o Desenrola Adimplentes
O Desenrola Adimplentes é uma expansão do Novo Desenrola Brasil voltada para trabalhadores informais sem vínculo empregatício regido pela CLT.
Segundo o governo, poderão participar pessoas que:
- não sejam servidores públicos;
- não recebam aposentadoria ou pensão do INSS;
- mantenham histórico recente de adimplência;
- possuam parcelas em dia ou com atraso máximo de 90 dias;
- tenham saldo devedor igual ou inferior a R$ 15 mil por instituição financeira.
Juros reduzidos e prazo maior
A proposta permite a renegociação das dívidas com juros de até 1,99% ao mês, além da ampliação do prazo de pagamento.
Outra regra prevista é que a nova prestação não poderá ultrapassar 90% do valor da parcela originalmente contratada, buscando evitar aumento do comprometimento da renda do consumidor.
O programa tem como público potencial aproximadamente 38,5 milhões de trabalhadores informais, segmento que frequentemente encontra maiores dificuldades para obter crédito em condições competitivas.
Endividamento das famílias continua elevado
O lançamento ocorre em um cenário de elevado comprometimento da renda das famílias brasileiras.
Dados do Banco Central apontam que, no final de 2025, 29,7% da renda das famílias estava comprometida com dívidas, indicando que praticamente um terço do orçamento doméstico era destinado ao pagamento de financiamentos e empréstimos.
Além disso, uma em cada cinco famílias declarou utilizar mais da metade de seus rendimentos para quitar débitos.
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) também mostra que 80,4% das famílias brasileiras possuíam algum tipo de dívida em março de 2026.
O percentual é ainda maior entre as famílias de menor renda. Entre aquelas com rendimento de até três salários mínimos, o índice de endividamento alcança 82,5%, enquanto entre famílias com renda superior a dez salários mínimos o percentual cai para 68,3%.
Fies Empreendedor aposta em novos negócios
Outra medida anunciada foi o Fies Empreendedor, criado para oferecer crédito com juros reduzidos a ex-estudantes que mantiveram regularidade no pagamento do financiamento estudantil e desejam abrir ou fortalecer um empreendimento.
Podem aderir pessoas físicas ou jurídicas nas quais pelo menos um dos sócios tenha quitado as últimas 36 parcelas do Fies sem atrasos e sem histórico de renegociação.
Segundo estimativa da Casa Civil, o público potencial varia entre 50 mil e 125 mil pessoas, considerando aproximadamente 500 mil beneficiários adimplentes.
Condições do financiamento
O programa oferece juros de 0,87% ao mês, inferiores às taxas normalmente praticadas no mercado.
As condições anunciadas são:
Pessoa física
- financiamento de até R$ 80 mil;
- prazo de até 60 meses;
- seis meses de carência.
Pessoa jurídica
- financiamento de até R$ 180 mil;
- prazo de até 96 meses;
- seis meses de carência.
A proposta busca facilitar a abertura ou expansão de pequenos negócios por profissionais recém-formados que encontram dificuldades de inserção no mercado de trabalho.
Cenário dos recém-formados
O lançamento do programa ocorre após a criação do Desenrola Fies, anunciado pelo governo em maio para atender estudantes inadimplentes.
Segundo dados apresentados pelo Executivo, o programa já contabilizou 113.444 renegociações, gerando R$ 323,1 milhões em pagamentos de entrada.
O governo estima que mais de 1 milhão de estudantes com contratos firmados até 2017 poderão ser beneficiados pela iniciativa.
O cenário é influenciado pelas dificuldades enfrentadas por muitos recém-formados para conseguir emprego compatível com sua formação ou obter renda suficiente para cumprir as obrigações financeiras logo após a conclusão do curso.
Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos era de 14,9%, enquanto na faixa entre 25 e 39 anos o índice era de 6,5%.
Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) citado pelo governo aponta que muitos jovens ingressam inicialmente em ocupações de menor remuneração por não possuírem experiência compatível com as exigências do mercado.
A mesma pesquisa indica, entretanto, que o ensino superior tende a aumentar as oportunidades de melhores empregos ao longo da carreira, embora os primeiros anos após a graduação sejam justamente o período em que começam as cobranças das parcelas do financiamento estudantil.
Objetivo das medidas
Com o lançamento do Desenrola Adimplentes e do Fies Empreendedor, o Governo Federal afirma buscar ampliar o acesso ao crédito para públicos considerados de maior dificuldade de financiamento, estimular a reorganização financeira das famílias e incentivar novos empreendimentos.
A efetividade das iniciativas dependerá da adesão das instituições financeiras, da participação do público elegível e dos resultados na redução do endividamento e na ampliação das oportunidades de geração de renda nos próximos meses.

0 Comentários