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Pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause é protocolado na Alepe

Priscila Krause e Zilda Cavalcanti são alvo de pedido de impeachment na Alepe. Deputados citam possíveis irregularidades e conflito de interesses.

Priscila Krause
Priscila Krause vice-governadora de Pernambuco. Foto - Crysli Viana

Os deputados estaduais Rodrigo Farias, Romero Albuquerque e Sileno Guedes protocolaram nesta quinta-feira (20), na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), um pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause e a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti. Segundo os parlamentares, a representação aponta possíveis crimes de responsabilidade, atos lesivos ao patrimônio público e supostas irregularidades na aplicação de recursos públicos, incluindo questionamentos sobre repasses destinados a uma unidade de saúde ligada ao marido de Priscila.

Pedido de impeachment contra Priscila Krause é protocolado

De acordo com as informações apresentadas pelos deputados, a representação protocolada na Alepe questiona atos relacionados à gestão de recursos públicos e pede a apuração de possíveis responsabilidades da vice-governadora e da secretária estadual de Saúde.

Um dos principais pontos citados é a relação de Priscila Krause com a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. A unidade tem entre seus sócios Jorge Branco Neto, marido da vice-governadora, segundo registros e reportagens anteriores sobre o caso.

Os parlamentares sustentam que a situação deve ser investigada para verificar se houve eventual conflito de interesses e se os procedimentos adotados pela administração estadual observaram os princípios que regem a administração pública.

O que os deputados alegam contra Priscila Krause

Segundo a representação, quando Priscila Krause assumiu interinamente o comando do Governo de Pernambuco, foram autorizados cerca de R$ 200 milhões em orçamento que, na avaliação dos parlamentares, também alcançariam a unidade de saúde ligada ao marido da vice-governadora.

A informação sobre os R$ 200 milhões integra a argumentação apresentada pelos deputados e não deve ser confundida com o valor efetivamente repassado ao hospital. Levantamentos anteriores apontaram que a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro recebeu mais de R$ 108,8 milhões em recursos públicos entre 2023 e 2026, segundo dados do Portal da Transparência analisados pelo Vero Notícias.

Em outro levantamento, publicado em setembro de 2025, o mesmo veículo informou que a unidade recebeu mais de R$ 3 milhões em 25 pagamentos realizados durante um período de 15 dias em março daquele ano, quando Priscila exercia interinamente o governo estadual.

Hospital ligado ao marido de Priscila já é alvo de apurações

A relação entre recursos públicos e o hospital de Garanhuns já vinha sendo questionada antes do novo pedido de impeachment. Em maio de 2024, o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco passou a apurar a contratação da unidade pelo governo estadual. Na ocasião, o contrato envolvia fornecimento de leitos de UTI e enfermaria, com custo anual informado de R$ 17,3 milhões.

Em agosto de 2026, uma auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) apontou cerca de R$ 905 mil em recursos federais relacionados a procedimentos cuja comprovação foi questionada. O levantamento analisou repasses federais de R$ 55,8 milhões realizados entre janeiro de 2023 e julho de 2025.

A Secretaria Estadual de Saúde informou, segundo as reportagens sobre a auditoria, que pretende contestar o resultado e solicitar a revisão do relatório. A unidade hospitalar também contestou os apontamentos e afirmou que apresentaria documentos e esclarecimentos pelas vias administrativas.

O que dizem as regras da Alepe

A Constituição de Pernambuco estabelece que cabe à Assembleia Legislativa autorizar, por dois terços dos deputados, a instauração de processos contra o governador e o vice-governador por crime de responsabilidade. A mesma previsão alcança secretários de Estado em crimes conexos aos do chefe do Executivo.

O Regimento Interno da Alepe prevê que denúncias por crimes de responsabilidade atribuídos ao governador, vice-governador ou secretários de Estado, nos casos previstos na norma, sejam apresentadas por escrito ao presidente da Assembleia e submetidas ao rito definido pela Casa. O artigo 328 determina que a denúncia deve estar assinada e acompanhada dos documentos que a comprovem.

Portanto, o protocolo de um pedido de impeachment não significa, por si só, que o processo tenha sido instaurado ou que as acusações tenham sido consideradas comprovadas. A tramitação depende da análise das instâncias competentes da Assembleia e do cumprimento das exigências legais e regimentais.

O que dizem os envolvidos

Os deputados Rodrigo Farias, Romero Albuquerque e Sileno Guedes são os autores da representação. Eles sustentam que os fatos apresentados justificam uma investigação sobre eventual conflito de interesses, aplicação de recursos públicos e possíveis atos enquadráveis como crimes de responsabilidade.

A assessoria de imprensa da vice-governadora Priscila Krause foi procurada, mas, até o momento da publicação desta matéria, não havia apresentado manifestação sobre o pedido.

Também não foi divulgada, nas informações fornecidas para esta reportagem, uma manifestação específica da secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, sobre a representação.

A controvérsia envolvendo Priscila Krause e o hospital de Garanhuns não começou com o pedido de impeachment. A unidade já havia sido alvo de questionamentos sobre contratos e repasses públicos durante a atual gestão estadual. Em 2024, o TCE-PE determinou apuração sobre a contratação da instituição.

Mais recentemente, auditoria do DenaSUS apontou inconsistências em procedimentos médicos e pagamentos relacionados à unidade. O relatório, contudo, é contestado pelo governo estadual e pelo próprio hospital, que afirmaram haver justificativas e documentação para os pontos questionados.

A legislação pernambucana prevê mecanismos específicos para apuração de crimes de responsabilidade envolvendo integrantes do Poder Executivo. A eventual abertura de um processo depende das etapas previstas na Constituição estadual e no Regimento Interno da Alepe.

O pedido de impeachment contra Priscila Krause e Zilda Cavalcanti foi protocolado nesta quinta-feira (20) pelos deputados Rodrigo Farias, Romero Albuquerque e Sileno Guedes. A representação aponta possíveis crimes de responsabilidade e questiona a aplicação de recursos públicos, especialmente em relação ao hospital de Garanhuns ligado ao marido da vice-governadora.

As alegações ainda dependem da análise das instâncias competentes e não representam, por si só, comprovação das irregularidades apontadas pelos parlamentares. A partir de agora, o caso deverá seguir o rito previsto nas normas da Assembleia Legislativa de Pernambuco, enquanto os envolvidos poderão apresentar suas manifestações e documentos.

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