Ivan Moraes participou de protesto contra a Escola de Sargentos em Aldeia e cobrou do MPF alternativas para preservar a Mata Atlântica.
![]() |
| Ivan Moraes cobra posição do MPF sobre obra em Aldeia. Foto: João Carlos Mazella/Divulgação |
O candidato ao Governo de Pernambuco pela coligação Frente Pernambuco de Luta (Federação PSOL/REDE e PCB), Ivan Moraes, participou nesta quarta-feira (19) de um protesto em defesa da APA Aldeia-Beberibe, realizado em frente à sede do Ministério Público Federal (MPF), no Recife. O ato foi convocado pelo movimento “Salve APA Aldeia-Beberibe”, contrário à construção da Escola de Sargentos do Exército na região. Durante a manifestação, Ivan cobrou uma posição do MPF e defendeu que o empreendimento seja transferido para uma área alternativa, evitando a supressão de vegetação da Mata Atlântica.
Ivan Moraes participa de protesto contra Escola de Sargentos
Ivan Moraes participou do ato acompanhado de integrantes do movimento “Salve APA Aldeia-Beberibe”. A manifestação ocorreu em frente ao MPF, no Recife, e teve como foco os possíveis impactos ambientais associados à implantação da Escola de Sargentos do Exército no Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (CIMNC).
Segundo os organizadores do protesto, a implantação do empreendimento poderá resultar na derrubada de cerca de 200 mil árvores. O número é uma estimativa apresentada pelo movimento e não deve ser tratado como quantitativo definitivo de supressão vegetal.
Em informações divulgadas em 2026, reportagens sobre o projeto apontaram que a área de intervenção considerada nos estudos teria sido reduzida de aproximadamente 180 hectares para 90 hectares, mas que os levantamentos técnicos ainda definiriam com precisão a área de vegetação a ser suprimida.
Ivan Moraes cobra posição do MPF
Durante o protesto, Ivan Moraes cobrou uma manifestação do Ministério Público Federal sobre o projeto. O candidato afirmou que a legislação de proteção da Mata Atlântica deve ser considerada na avaliação do empreendimento.
“Quando eu li a lei, tava escrito que é proibido derrubar a Mata Atlântica”, declarou Ivan, ao defender que a existência de uma alternativa locacional seja considerada no processo.
A legislação federal estabelece regras específicas para a supressão de vegetação do bioma. O artigo 14 da Lei nº 11.428/2006 prevê, em determinadas situações, a necessidade de inexistência de alternativa técnica e locacional para autorizar a supressão de vegetação secundária em estágio médio de regeneração.
O que é a APA Aldeia-Beberibe
A APA Aldeia-Beberibe é uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável criada pelo Governo de Pernambuco em 2010. Segundo a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), a unidade possui 31.634 hectares e abrange oito municípios: Abreu e Lima, Araçoiaba, Camaragibe, Igarassu, Paudalho, Paulista, Recife e São Lourenço da Mata.
A área está inserida no bioma Mata Atlântica e possui cinco Unidades de Conservação de Proteção Integral em seu território. Entre os objetivos da APA estão a proteção dos recursos hídricos e da fauna e flora da região, além da melhoria da qualidade de vida da população do entorno.
O decreto estadual que criou a APA também destaca a importância dos recursos hídricos da região, incluindo a Barragem de Botafogo e a Formação Beberibe, considerada relevante para o abastecimento público da Região Metropolitana do Recife.
Escola de Sargentos é alvo de debate ambiental
A construção da Escola de Sargentos no território do CIMNC é discutida há vários anos. Em audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco em 2023, representantes do Exército afirmaram que a implantação buscaria reduzir os impactos ambientais.
Na ocasião, o Exército informou que a área de supressão prevista correspondia a menos de 2% dos 7 mil hectares considerados no espaço sob análise, estimando aproximadamente 130 hectares. Também foi apresentada a possibilidade de recuperação de áreas da APA como forma de compensação ambiental.
O projeto prevê a instalação da escola e de estruturas associadas ao complexo militar. O Plano Plurianual federal registra a implantação da Escola de Sargentos do Exército como investimento com execução prevista entre 2024 e 2034 e custo total indicado de R$ 1,6298 bilhão.
Debate envolve alternativas para a localização
Uma das principais críticas dos movimentos ambientais é a possibilidade de construção das estruturas em áreas de vegetação nativa dentro da APA. Entidades da sociedade civil defendem que o empreendimento seja deslocado para uma área alternativa.
Essa discussão também apareceu em debates públicos anteriores. Em 2023, representantes da sociedade civil defenderam a mudança do local das instalações como forma de evitar o desmatamento, enquanto representantes do Exército sustentaram a escolha da área próxima ao campo de instrução.
O ponto também possui relevância jurídica. O Ibama informa que a Lei da Mata Atlântica estabelece condições específicas para a supressão de vegetação primária ou secundária em estágios médio e avançado de regeneração, incluindo procedimentos de autorização e, em determinadas hipóteses, a demonstração de inexistência de alternativa técnica e locacional.
Defesa do meio ambiente
Durante o ato, Ivan Moraes afirmou que uma política ambiental não deve se concentrar apenas no combate ao desmatamento. O candidato defendeu também ações de recuperação de áreas degradadas e reflorestamento.
“A gente precisa parar de apenas lutar apenas contra o desmatamento e começar a falar sobre reflorestamento”, afirmou.
Ivan também relacionou a preservação ambiental à qualidade de vida da população. Segundo ele, a proteção dos ecossistemas deve garantir condições para que as pessoas possam viver com dignidade.
O que acontece agora
A discussão sobre a Escola de Sargentos permanece relacionada aos estudos técnicos, às avaliações ambientais e aos procedimentos institucionais necessários para a implantação do empreendimento.
O Ministério Público Federal já instaurou, anteriormente, procedimento administrativo para acompanhar possíveis impactos ambientais da construção da escola na APA Aldeia-Beberibe. O procedimento foi criado para acompanhar as medidas relacionadas ao projeto e contou com comunicação ao Comando da 7ª Região Militar.
Até o momento, não há, nas informações consultadas para esta reportagem, uma manifestação do MPF sobre o protesto realizado nesta quarta-feira (19). Também não foi localizada confirmação oficial de que a construção será definitivamente deslocada para outra área.
A APA Aldeia-Beberibe foi criada para proteger recursos naturais e áreas de Mata Atlântica em uma extensa região da Região Metropolitana do Recife. A CPRH aponta que a unidade tem 31.634 hectares e abrange oito municípios.
O projeto da Escola de Sargentos é defendido pelo Exército como empreendimento estratégico para a formação militar e para a instalação de uma estrutura de referência na Região Nordeste. Ao mesmo tempo, movimentos ambientais questionam os impactos da intervenção sobre a vegetação e os recursos hídricos.
O debate, portanto, envolve diferentes dimensões: defesa nacional, investimento público, geração de atividade econômica, preservação ambiental, legislação sobre a Mata Atlântica e definição da localização mais adequada para o empreendimento.
O Ivan Moraes participou do protesto contra a construção da Escola de Sargentos na APA Aldeia-Beberibe e cobrou do MPF uma posição sobre os impactos ambientais do projeto. O candidato defendeu que sejam consideradas alternativas de localização para evitar a supressão de vegetação.
A dimensão exata da área que poderá ser desmatada ainda depende dos estudos técnicos do empreendimento. Enquanto o Exército defende a implantação do projeto e medidas de redução e compensação dos impactos, movimentos ambientais continuam pressionando por uma mudança de localização.

0 Comentários