Prints obtidos pelo Fala News mostram grupo anti-Lula ligado a deputado eleito, enquanto UFPE registra terceiro incêndio em uma semana.
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| Vereador Thiago Medina (PL). Foto: Francisco Silva/ DP foto |
Recife (PE) — Um escândalo de proporções gravíssimas está abalando os bastidores da política pernambucana e a segurança das universidades federais. Prints obtidos com exclusividade pelo Fala News revelam que o deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE) participa ativamente de grupos de WhatsApp intitulados "ANTI-LULA", nos quais membros articularam ameaças de bomba e incitaram violência contra a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A revelação vem à tona em meio a uma série de três incêndios que destruíram laboratórios e anos de pesquisa científica na instituição em menos de oito dias.
O que os prints revelam
Nas imagens analisadas pela nossa equipe, o número de telefone associado a Thiago Medina (+55 81 99170-2249) aparece como administrador do grupo "UFPE ANTI-LULA", que conta com 296 membros. Em uma das conversas, o parlamentar escreve: "Manifestação da esquerda hj na UFPE, né?". Em seguida, outro membro do grupo responde: "Vamos fazer uma nossa na próxima semana", demonstrando uma clara articulação para organizar atos de confronto direto no campus universitário.
A situação se agrava quando analisamos outro grupo, o "UNINASSAU BV ANTI-LULA", também com centenas de membros. Nele, um usuário identificado como "Micael" faz uma ameaça explícita: "Tenho bombas na mala do carro". A declaração foi dada logo após uma integrante do grupo avisar que haveria um evento pró-Lula na UPE. A resposta de outro membro, "Cade os cuido", sugere que o grupo estava ciente e não descartava a possibilidade de um ataque.
Além disso, há registros de discurso de ódio e ameaças de morte contra nordestinos e opositores políticos, como "tem que matar esse negrinho" e "DEMOCRACIA PRA NORDESTINO PORRA".

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A conexão com os incêndios na UFPE
A gravidade das mensagens se potencializa quando cruzamos os dados com os acontecimentos recentes na UFPE. Em menos de duas semanas, três incêndios atingiram o campus Recife. O mais recente, na última quarta-feira (7), atingiu um prédio de grandes proporções. O incêndio anterior, no Centro de Biociências, destruiu milhares de amostras de pesquisas sobre câncer, obesidade, COVID, TDAH e autismo, fruto de anos de trabalho de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
Em conversas de outro grupo, o "CCM+CCS COM LULA", alunos relatam a suspeita de que os incêndios não foram acidentais. "Os alunos já estão recebendo ameaças de grupos de direita, não duvidamos que seja criminoso o incêndio", escreveu um usuário. "Disseram que provavelmente foi proposital diante das ameaças que estamos vendo, creio que não pode ser coincidência", completou.
Quem é Thiago Medina
Eleito deputado federal pelo PL de Pernambuco, Thiago Medina é um dos parlamentares mais jovens do estado. Atualmente, ocupa o cargo de vereador do Recife, mas deixará a Câmara Municipal para assumir a vaga em Brasília a partir de fevereiro de 2027. Medina já acumula polêmicas: foi alvo de ação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE) por impulsionar um vídeo com ataques à comunidade trans durante a campanha, configurando propaganda eleitoral negativa e transfobia. Também foi acusado de racismo ao declarar ter ficado com "medo do odor" de mulheres negras que protestavam na Câmara Municipal do Recife.
O que precisa ser esclarecido
A apuração reúne dois acontecimentos que, neste momento, devem ser tratados separadamente: de um lado, a existência de grupos políticos nos quais aparecem mensagens de teor ameaçador; de outro, uma sequência de três incêndios registrados na UFPE em uma semana.
A proximidade temporal dos fatos justifica a apuração jornalística, mas não permite estabelecer uma relação causal sem evidências.
O ponto central agora é saber quem produziu as ameaças, se elas eram concretas, se houve planejamento de alguma ação contra instituições de ensino e quais foram as causas dos incêndios registrados no campus.
Se as autoridades encontrarem elementos que conectem os fatos, a dimensão do caso poderá aumentar significativamente. Se não encontrarem, as ocorrências deverão permanecer como episódios distintos.
Por enquanto, a principal questão é que há registros digitais que merecem ser periciados e uma universidade que sofreu três incêndios em apenas uma semana. A resposta sobre eventual conexão entre os acontecimentos depende de investigação técnica e oficial.
O que precisa ser investigado
A existência dos prints não permite, isoladamente, estabelecer uma ligação entre o deputado eleito, as ameaças reproduzidas nas imagens e os incêndios registrados na UFPE.
Para esclarecer os fatos, uma investigação poderá verificar a autenticidade das conversas, a titularidade das contas, metadados, registros de acesso e eventual identificação dos autores das mensagens.
Também cabe às autoridades determinar se houve ameaça concreta, planejamento de ataque ou qualquer relação entre as mensagens e os incêndios.
O caso ganha ainda mais importância porque envolve ameaças contra uma instituição federal de ensino e pesquisa e ocorre simultaneamente a uma sequência de incêndios no campus.
Até que haja confirmação oficial, qualquer vínculo entre Thiago Medina, as ameaças e os incêndios deve ser tratado como suspeita ou hipótese investigativa, e não como fato comprovado.

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