Desmatamento cai 42% na Amazônia e 24% no Cerrado, que registram os menores índices da série histórica, segundo dados divulgados pelo Inpe.
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| Segundo o monitoramento do INPE, a Amazônia apresentou uma redução de 41,8%, enquanto o Cerrado registrou queda de 23,8% em comparação com o período anterior - Foto: Acervo ICMBio |
Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam uma redução expressiva da derrubada de vegetação nativa nos dois biomas. Segundo a Folha de S.Paulo, a taxa anual de desmatamento caiu 42% na Amazônia Legal e 24% no Cerrado no período de agosto de 2025 a julho de 2026.
Desmatamento cai na Amazônia e no Cerrado
A Amazônia Legal registrou 3.335 km² de área desmatada, uma redução de 42% em relação ao período anterior. O resultado representa o menor índice anual da série histórica utilizada no levantamento e fica 27% abaixo do recorde mínimo anterior, registrado em 2012.
No Cerrado, a área de vegetação nativa destruída chegou a 5.516 km², com queda de 24% na comparação com o ciclo anterior. O bioma acumula três anos consecutivos de redução no desmatamento, segundo os dados divulgados pelo Inpe.
Políticas ambientais estão entre os fatores apontados
A redução ocorre durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente durante parte do período analisado. Entre as medidas associadas à queda estão o fortalecimento da fiscalização, os planos de prevenção e controle do desmatamento e a aplicação de embargos e multas contra responsáveis por infrações ambientais.
Essas iniciativas também incluem o reforço da atuação de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O monitoramento por satélite permite identificar áreas de supressão da vegetação e orientar operações de fiscalização.
Os resultados, entretanto, não devem ser atribuídos exclusivamente a uma única medida. A redução do desmatamento depende da combinação de políticas públicas, fiscalização, condições econômicas, atuação dos governos estaduais e cumprimento da legislação ambiental.
Cerrado continua sob pressão do agronegócio
Apesar da queda percentual, o Cerrado registrou uma área desmatada superior à da Amazônia Legal no período analisado. Isso evidencia a dimensão do desafio de proteger a vegetação nativa do segundo maior bioma da América do Sul.
Uma das diferenças entre as duas regiões está nas regras de proteção das propriedades rurais. Na Amazônia Legal, a legislação geralmente exige a preservação de 80% da vegetação nativa em imóveis rurais situados em áreas de floresta, com exceções previstas em lei. No Cerrado, o percentual de reserva legal pode ser de 20% em muitas áreas, embora existam regras específicas para determinadas regiões.
A estrutura fundiária também influencia a dinâmica do desmatamento. Na Amazônia, parte importante dos problemas está relacionada à ocupação irregular de terras públicas e à invasão de áreas protegidas. No Cerrado, a conversão da vegetação nativa está fortemente associada à expansão de atividades agropecuárias em propriedades privadas.
Pesquisadores apontam que ampliar a proteção do Cerrado exige aprimorar o controle sobre a supressão vegetal, fortalecer o licenciamento ambiental e criar incentivos econômicos para quem conserva a vegetação nativa.
Queda no desmatamento é importante para o clima
O combate à destruição de florestas e outras formações vegetais tem impacto direto sobre as metas climáticas brasileiras. O desmatamento libera gases de efeito estufa, reduz a capacidade de armazenamento de carbono dos ecossistemas e compromete serviços ambientais essenciais.
A preservação da Amazônia contribui para a manutenção dos ciclos de chuva e para o equilíbrio climático em diferentes regiões do país. Já o Cerrado abriga nascentes e áreas de recarga hídrica importantes para diversas bacias hidrográficas brasileiras.
A perda de vegetação também ameaça habitats, reduz a biodiversidade e afeta comunidades tradicionais e populações que dependem diretamente dos recursos naturais.
Por isso, a redução dos índices representa um avanço no monitoramento ambiental, mas sua continuidade é fundamental para a conservação dos biomas.
Desafio é manter a tendência de queda
Mesmo com os resultados positivos, a preservação ambiental continua sendo alvo de disputas políticas e econômicas. Propostas legislativas que alteram regras de licenciamento, fiscalização e proteção territorial podem influenciar a capacidade do poder público de combater o desmatamento.
A continuidade da redução depende de fiscalização permanente, recursos para os órgãos ambientais, responsabilização por crimes e infrações, além de alternativas econômicas que permitam produzir sem ampliar ilegalmente a destruição da vegetação.
O governo brasileiro também assumiu o compromisso de alcançar o desmatamento zero até 2030. Para chegar a essa meta, será necessário transformar as quedas anuais em uma tendência duradoura e enfrentar tanto a derrubada ilegal quanto as pressões sobre áreas de vegetação nativa.
Os números da Amazônia e do Cerrado indicam uma mudança importante no cenário ambiental, mas o resultado de longo prazo dependerá da manutenção das políticas de proteção e da capacidade de impedir que novas pressões revertam os avanços registrados.

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