Deputado eleito Thiago Medina ignora perguntas do Fala News sobre grupos 'Anti-Lula' com ameaças de bomba na UFPE e promete processar o portal.
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| Thiago Medina vereador do Recife e deputado federal eleito pelo PL. Foto - Arnaldo Sete - Marco Zero |
O vereador do Recife e deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE) optou pelo silêncio e pela intimidação. Procurado insistentemente pela reportagem do Fala News para esclarecer sua participação em grupos de WhatsApp intitulados "Anti-Lula", onde foram articuladas ameaças de bomba contra a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e proferidos discursos de ódio, o parlamentar se recusou a dar sua versão dos fatos. Em vez de responder aos questionamentos, sua chefia de gabinete limitou-se a ameaçar processar o portal.
A recusa ao esclarecimento
A equipe do Fala News entrou em contato com a chefia de gabinete de Medina, representada por Lucas Leite, na noite desta quarta-feira (7) e na manhã desta quinta-feira (8). Foram enviadas perguntas diretas e objetivas:
O número identificado como "Thiago Medina" (+55 81 99170-2249) é de fato do parlamentar?
Por que ele participa de grupos onde há mensagens de ódio e ameaças de bomba?
Qual é o objetivo de sua presença nesses espaços?
Nenhuma das perguntas foi respondida. A única manifestação recebida foi uma ameaça de processo. O chefe de gabinete afirmou:
"A versão é que qualquer um que o associar a esse episódio será processado."
O Fala News rebateu, esclarecendo que a reportagem não associou o deputado como autor dos incêndios ou das ameaças, mas que o jornalismo exige o questionamento sobre a presença de um número identificado com seu nome em grupos onde há mensagens de ódio e ameaças de bomba. Diante disso, a resposta foi ainda mais ríspida:
"Você vai ter a oportunidade de prestar todos esses esclarecimentos ao juiz, muito em breve."
O que os prints revelam
As imagens obtidas com exclusividade pelo Fala News mostram o número associado a Thiago Medina como administrador do grupo "UFPE ANTI-LULA", que conta com 296 membros. Em uma das conversas, o parlamentar escreve: "Manifestação da esquerda hj na UFPE, né?". Em seguida, outro membro do grupo responde: "Vamos fazer uma nossa na próxima semana".
A situação se agrava em outro grupo, o "UNINASSAU BV ANTI-LULA". Nele, um usuário identificado como "Micael" faz uma ameaça explícita: "Tenho bombas na mala do carro". A declaração foi dada logo após uma integrante do grupo avisar que haveria um evento pró-Lula na UPE. Há ainda registros de discurso de ódio e ameaças de morte contra nordestinos e opositores políticos.
A conexão com os incêndios na UFPE
A gravidade das mensagens se potencializa quando cruzamos os dados com os acontecimentos recentes na UFPE. Em menos de duas semanas, três incêndios atingiram o campus Recife. O mais recente, na quarta-feira (7), atingiu um prédio de grandes proporções. O incêndio anterior, no Centro de Biociências, destruiu milhares de amostras de pesquisas sobre câncer, obesidade, COVID, TDAH e autismo, fruto de anos de trabalho de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
Em conversas de outro grupo, o "CCM+CCS COM LULA", alunos relatam a suspeita de que os incêndios não foram acidentais. "Os alunos já estão recebendo ameaças de grupos de direita, não duvidamos que seja criminoso o incêndio", escreveu um usuário. "Disseram que provavelmente foi proposital diante das ameaças que estamos vendo, creio que não pode ser coincidência", completou.
A pergunta que fica: Se o deputado eleito não deve nada, por que se recusa a esclarecer? O silêncio e a ameaça de processo não são respostas. A população de Pernambuco e a comunidade acadêmica da UFPE merecem saber a verdade. O Fala News mantém o espaço aberto para o parlamentar, mas não se calará diante de intimidações.


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