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Pedido de impeachment contra João Campos será avaliado na Câmara

Câmara do Recife analisa pedido de impeachment contra João Campos após parecer da Procuradoria. Vereadores decidem se denúncia será admitida.

João Campos
Vereadores do Recife decidem sobre denúncia contra João Campos. Foto: Edson Holanda / PCR

A Câmara Municipal do Recife vai analisar, na próxima terça-feira (3), a admissibilidade do pedido de impeachment contra João Campos, prefeito do Recife e presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB). A apreciação ocorre após a Procuradoria da Casa emitir parecer favorável à tramitação da denúncia, abrindo caminho para que o plenário decida se o processo será admitido ou arquivado.

O pedido de impeachment ganhou repercussão após questionamentos envolvendo a nomeação de um servidor para uma vaga reservada a Pessoas com Deficiência (PCD) no concurso público da Procuradoria do Município. A denúncia aponta a existência de possível crime de responsabilidade, conforme previsto na legislação que rege a atuação de agentes públicos.

Parecer da Procuradoria orienta análise em plenário

Na quarta-feira (28), a Procuradoria da Câmara Municipal do Recife divulgou parecer técnico no qual conclui que o requerimento apresentado atende aos requisitos formais necessários para tramitação. Com isso, cabe exclusivamente ao plenário da Casa decidir sobre a admissibilidade da denúncia.

Em nota oficial, a Câmara esclareceu que o procedimento seguirá o rito previsto no regimento interno. Segundo o comunicado, “caberá ao plenário da Casa a decisão pela admissibilidade ou não da denúncia”, destacando que o requerimento será incluído na pauta da primeira reunião ordinária destinada à deliberação.

Os vereadores retornam às atividades legislativas na segunda-feira (2), com a abertura dos trabalhos do semestre. A análise do pedido de impeachment está prevista para a terça-feira (3), após a leitura da ordem do dia.

Entenda a motivação da denúncia

A motivação central do pedido de impeachment é a nomeação de Lucas Vieira da Silva para o cargo de procurador do município, em vaga reservada a pessoas com deficiência. De acordo com as informações apresentadas na denúncia, o candidato teria ficado na 63ª colocação no concurso, não possuía laudo que o enquadrasse como PCD no momento da seleção e não concorreu às vagas destinadas às ações afirmativas.

A partir desses elementos, os autores do pedido sustentam que a nomeação teria ocorrido de forma irregular, ferindo princípios da administração pública, como legalidade e impessoalidade.

Defesa do prefeito e posição do PSB

Nas redes sociais, João Campos se manifestou sobre o pedido de impeachment e afirmou que a iniciativa teria motivações políticas. Segundo o prefeito, a denúncia e a tentativa de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) estariam inseridas em um contexto de oportunismo eleitoral.

A liderança do PSB na Câmara Municipal do Recife também se posicionou de forma crítica ao pedido. Parlamentares da legenda afirmam que a denúncia não se sustenta do ponto de vista jurídico e que o problema relacionado à nomeação já teria sido sanado pela gestão municipal, não havendo, portanto, fundamento para a abertura de um processo de impeachment.

CPI também está em discussão

Além do pedido de impeachment, o caso motivou uma tentativa de abertura de CPI na Câmara Municipal do Recife. A comissão teria como objetivo investigar as circunstâncias da nomeação do servidor no concurso da Procuradoria do Município.

Até o momento, o pedido de CPI conta com nove assinaturas, número insuficiente para a instalação formal da comissão. Para que a CPI seja aberta, são necessárias pelo menos 13 assinaturas de vereadores, conforme estabelece o regimento interno da Casa Legislativa.

O que acontece a partir de agora

Caso o plenário da Câmara decida pela admissibilidade do pedido de impeachment contra João Campos, o processo seguirá para as etapas seguintes, que incluem a formação de uma comissão processante e a análise do mérito da denúncia. Se a maioria dos vereadores optar pelo arquivamento, o pedido será encerrado sem avanço do processo.

Especialistas em direito público costumam destacar que a fase de admissibilidade não julga o mérito da acusação, limitando-se a verificar se há elementos mínimos para a abertura do processo. Esse entendimento está alinhado com o que prevê a Lei nº 1.079/1950, que trata dos crimes de responsabilidade, além da Constituição Federal.

Contexto político e institucional

O caso ocorre em um momento de intenso debate político no Recife, com repercussões tanto no Legislativo municipal quanto no cenário partidário nacional, já que João Campos também ocupa a presidência nacional do PSB. A análise do pedido de impeachment contra João Campos tende a atrair atenção de diferentes setores da sociedade, incluindo juristas, entidades civis e a opinião pública.

Ao mesmo tempo, a Câmara Municipal do Recife reforça que seguirá estritamente os trâmites legais e regimentais, preservando o direito ao contraditório e à ampla defesa.

A Câmara do Recife analisa, na próxima terça-feira (3), a admissibilidade do pedido de impeachment contra João Campos, após parecer favorável da Procuradoria da Casa. A denúncia envolve a nomeação de um servidor em vaga destinada a PCD. O prefeito e o PSB classificam a iniciativa como oportunista, enquanto o plenário decidirá se o pedido será admitido ou arquivado. Paralelamente, há uma tentativa de abertura de CPI, que ainda não reúne assinaturas suficientes.

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