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Só quatro vereadores apoiam deputados de Mary Gouveia

Levantamento em Escada mostra que Mary Gouveia tem apoio direto de 4 vereadores para 2026, enquanto a Câmara se divide entre outros grupos.

Vereadores
Vereadores de Escada durante plenária na Câmara. Foto: Divulgação

A configuração política de Escada para as eleições de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos dentro da Câmara Municipal. Um levantamento de apoios entre os vereadores aponta que a prefeita  Mary Gouveia (PL), conta, neste momento, com apoio direto de apenas quatro parlamentares para os nomes ligados ao seu grupo político.

O dado chama atenção porque a Câmara de Escada tem 13 vereadores em atividade, de acordo com o sistema legislativo da Casa, o que significa que a base alinhada diretamente à prefeita, até agora, reúne menos de um terço do plenário.

Mary Gouveia e vereadores em Escada: como está o quadro

Segundo o levantamento informado à reportagem com base em anúncios e posicionamentos políticos já tornados públicos no município, os quatro vereadores que, até agora, devem apoiar os candidatos ligados à prefeita Mary Gouveia são Sandra do Matadouro, Déda Móveis, Gil Sat e Irmão Emanuel.

No restante da Casa, o cenário é mais pulverizado. Irmão Massé (DC) aparece alinhado a France Hacker (PSD) para deputado estadual e Carlos Veras (PT) para deputado federal. Márcio Água (PSDB) deve apoiar Jeferson Timóteo (PP) para estadual e Lula da Fonte (PP) para federal. Tarlina (PSDB) surge no mesmo desenho estadual de France Hacker (PSD), mas com Clodoaldo Magalhães (PV) para a disputa federal. Josias (PL) deve caminhar com Simone Santana (PSB) para estadual e Iza Arruda (MDB) para federal.

Já Meketrefe (PRD) é apontado como apoiador de Batista Cabral (PSB) para deputado estadual e Lula da Fonte (PP) para deputado federal. O presidente da Câmara, Zé Amaro da Alvorada (PRD), também anunciou apoio a Lula da Fonte (PP) na disputa federal. Na oposição, Pedro Jorge (Avante) é citado como candidato a deputado estadual em dobradinha com Waldemar Oliveira (Avante) para federal. Paulinho (Avante) deve apoiar Romero Filho (União Brasil) para estadual e Gabriel Porto (MDB) para federal. Elias Ribeiro, por sua vez, é apontado ao lado de Jeferson Timóteo para estadual e Guilherme Uchôa Júnior para federal.

O que os apoios revelam sobre a articulação política

Em termos práticos, o mapa de alianças sugere uma base governista menos coesa do que a observada em momentos anteriores da política local. No início de 2025, a eleição da Mesa Diretora da Câmara chegou a ser interpretada por setores políticos como um sinal de fortalecimento da prefeita no Legislativo. Entretanto, o quadro pré-eleitoral de 2026 indica que o apoio institucional à gestão não se converteu automaticamente em alinhamento eleitoral homogêneo.

Esse movimento não é incomum na política municipal pernambucana. Vereadores costumam separar a relação administrativa com o Executivo local da estratégia eleitoral estadual e federal. Em outras palavras, um parlamentar pode votar com a gestão em temas de interesse do município e, ao mesmo tempo, construir alianças distintas para as eleições proporcionais.

É justamente isso que parece ocorrer em Escada. O desenho atual mostra uma Câmara fragmentada, com apoios distribuídos entre diferentes projetos políticos e nomes que disputam espaço na Mata Sul e no cenário estadual.

O peso da oposição em Escada

Outro aspecto relevante é o reposicionamento da oposição. O vereador Pedro Jorge, por exemplo, já foi mencionado publicamente como uma das principais vozes oposicionistas no município. 

A presença de candidaturas e dobradinhas oposicionistas reforça que a disputa de 2026, em Escada, não será apenas uma medição de força da prefeita, mas também um teste sobre a capacidade de crescimento de grupos adversários dentro e fora da Câmara.

Nesse contexto, a oposição tende a usar o quadro atual para sustentar o discurso de que Mary Gouveia mantém a chefia do Executivo, mas não concentra mais a mesma capacidade de unificar o Legislativo em torno de seu projeto eleitoral. Já aliados da prefeita podem argumentar que ainda é cedo para cravar apoios definitivos e que parte dos vereadores mantém diálogo aberto com o governo municipal, mesmo sem anunciar alinhamento completo para 2026.

Base política e prestígio: o que é fato e o que é interpretação

Do ponto de vista factual, o principal elemento é a distribuição dos apoios entre os 13 vereadores. Isso pode ser medido numericamente. Se apenas quatro parlamentares estiverem, de fato, com os candidatos ligados diretamente ao grupo da prefeita, trata-se de uma base eleitoral reduzida dentro da Câmara.

Escada
Anderson e Andre Ferreira em inauguração em Escada com Mary Gouveia. Foto: Divulgação

Mary Gouveia e vereadores: impacto para 2026

A atual configuração pode ter pelo menos três efeitos sobre o jogo político em Escada.

O primeiro é simbólico. Uma prefeita que entra no debate de 2026 com apoio direto de poucos vereadores tende a enfrentar mais dificuldade para vender a imagem de unidade política.

O segundo é prático. Deputados e pré-candidatos costumam valorizar bases municipais organizadas. Quanto mais dividido o grupo local, maior a necessidade de negociação individual com lideranças e vereadores.

O terceiro é estratégico. A fragmentação abre espaço para que oposição e lideranças externas cresçam em áreas onde tradicionalmente o governo municipal teria vantagem.

Escada chega ao pré-jogo de 2026 com um cenário de divisão política dentro da Câmara. Mary Gouveia, atual prefeita do município, segue no centro do tabuleiro, mas o levantamento de apoios indica que, até agora, apenas quatro dos 13 vereadores caminham diretamente com os nomes do seu grupo. 

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