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Cúpula do PT vê como certa filiação de Marina Silva

A possível filiação de Marina Silva ao PT movimenta os bastidores políticos e envolve negociações com PSB e PSOL para as eleições estaduais.

Marina Silva
PT aposta em retorno de Marina Silva para eleições estaduais. Foto: Ricardo Stuckert / PR

A possível filiação de Marina Silva ao PT tem sido tratada como provável por integrantes da cúpula petista envolvidos diretamente na definição das chapas que disputarão as próximas eleições estaduais. Embora a ministra do Meio Ambiente ainda não tenha anunciado publicamente sua decisão, interlocutores do partido afirmam que as conversas avançaram nas últimas semanas.

Marina, que ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, deixou a legenda em agosto de 2009, alegando insatisfação com os rumos do segundo mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde então, construiu uma trajetória política marcada por posições independentes e pela criação da Rede Sustentabilidade, partido do qual é fundadora.

Atualmente, segundo fontes políticas ouvidas reservadamente, a ministra já sinalizou a dirigentes petistas o desejo de deixar a Rede. Paralelamente, manteve diálogos com o PT, PSB e PSOL para discutir uma possível candidatura ao Senado por São Paulo, um dos principais colégios eleitorais do país.

Fundo eleitoral e estrutura partidária pesam na decisão

No entendimento do PT, o partido reúne as condições mais favoráveis para abrigar uma eventual candidatura de Marina. Entre os fatores considerados estratégicos está o fundo eleitoral. A legenda figura entre as cinco que mais recebem recursos públicos destinados ao financiamento de campanhas, o que permite maior capacidade de investimento.

Dirigentes petistas sustentam que esse cenário garantiria competitividade à ministra, especialmente em uma disputa majoritária como a do Senado. A promessa de apoio financeiro e estrutural tem sido apontada como um diferencial em relação ao PSB e ao PSOL, que contam com recursos mais limitados.

Além disso, o PT avalia que a presença de Marina poderia fortalecer a chapa paulista como um todo, ampliando o diálogo com setores do eleitorado ambientalista e progressista.

Cenário paulista e disputa por protagonismo

Outro elemento considerado nas negociações envolve a composição da chapa em São Paulo. Uma eventual filiação de Marina ao PSB, segundo avaliação de petistas, poderia gerar um “congestionamento” político.

Isso porque, caso o presidente Lula não consiga convencer o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a disputar o governo paulista, a aliança governista pode optar por apoiar o nome do ministro Márcio França, do PSB, que vem se movimentando para viabilizar sua candidatura.

Nesse contexto, o protagonismo excessivo do PSB poderia reduzir o espaço do PT na principal disputa estadual, algo que dirigentes petistas afirmam querer evitar.

Rusgas do passado e tentativa de reaproximação

Apesar do histórico de divergências, o PT afirma considerar superado o mal-estar com Marina Silva. Dirigentes têm se empenhado em sinalizar que a ministra seria “muito bem-vinda” de volta à legenda.

Nas eleições de 2014, quando Marina disputou a Presidência da República, sua campanha foi alvo de críticas duras por parte da então candidata Dilma Rousseff. À época, Marina afirmou que o PT promovia contra ela uma “campanha desleal”.

Um dos episódios mais lembrados daquele período foi uma peça do programa eleitoral petista que mostrava um prato vazio, sugerindo que programas sociais como o Bolsa Família poderiam acabar caso Marina fosse eleita. O episódio deixou marcas na relação política entre as partes.

Atualmente, lideranças petistas avaliam que o contexto político mudou e que a reaproximação seria estratégica para ambos os lados.

Expectativa também envolve Simone Tebet

A definição do futuro partidário de Marina Silva é acompanhada com atenção pela cúpula petista, assim como a eventual decisão da ministra do Planejamento, Simone Tebet. Tebet também vem sendo sondada para integrar a chapa apoiada pelo presidente Lula em São Paulo, o que amplia a complexidade das negociações.

Nos bastidores, dirigentes avaliam que a composição da chapa dependerá do equilíbrio entre diferentes forças políticas da base governista.

Rede diz não ter sido comunicada oficialmente

Apesar das especulações, a Rede Sustentabilidade afirma que Marina ainda não formalizou sua intenção de deixar o partido. O porta-voz nacional da legenda, Paulo Lamac, declarou que a ministra não comunicou oficialmente qualquer decisão nesse sentido.

Segundo ele, o recente racha interno ocorrido durante o processo de eleição partidária não seria, por si só, justificativa suficiente para a saída da ministra.

“Ela não formalizou essa intenção. Nossa expectativa é que Marina, no tempo dela, explicite qual é o desejo dela. É público que tivemos um processo de disputa interna que deixou marcas, mas isso não é suficiente para justificar sua saída”, afirmou Lamac.

A possível filiação de Marina Silva ao PT permanece em aberto, mas é tratada como provável por setores do partido. A decisão envolve fatores como fundo eleitoral, estratégia em São Paulo, histórico político e equilíbrio entre aliados da base governista. Enquanto o PT vê vantagens claras em sua filiação, a Rede afirma não ter sido oficialmente informada. O desfecho deverá influenciar diretamente o desenho das chapas para as próximas eleições estaduais.

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