PSOL aprova apoio a Lula nas eleições e renova federação com Rede por mais quatro anos. Partido defende unidade da esquerda contra a extrema-direita.
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| Paula Coradi presidenta do PSOL e Edinho Silva presidente do PT. Foto: Divulgação/PSOL |
O Diretório Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) aprovou neste sábado (7) duas resoluções que devem influenciar a estratégia política da legenda para as próximas eleições nacionais. A principal decisão foi sinalizar o apoio do partido à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de renovar por mais quatro anos a federação partidária com a Rede Sustentabilidade.
As resoluções foram aprovadas durante reunião da direção nacional da sigla e reafirmam uma linha política que o partido diz seguir nos últimos anos: priorizar a unidade das forças de esquerda e de setores democráticos para enfrentar a extrema-direita no Brasil.
Segundo o texto aprovado pelo Diretório Nacional, a decisão de apoiar Lula ainda no primeiro turno das eleições é apresentada como consequência do posicionamento político adotado pela legenda desde o processo político que resultou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.
Apoio a Lula e estratégia contra a extrema-direita
Na resolução divulgada pelo partido, o PSOL afirma que o apoio ao atual presidente faz parte de uma estratégia mais ampla de enfrentamento às forças políticas classificadas pela legenda como de extrema-direita.
De acordo com o documento, o partido considera que a conjuntura política brasileira exige articulação entre setores progressistas e populares para garantir a continuidade de um projeto político considerado democrático.
“Desde a virada na conjuntura brasileira, com o golpe contra Dilma Rousseff, o PSOL assumiu a responsabilidade histórica de fortalecer a unidade das esquerdas para resistir aos retrocessos e reconstruir o Brasil”, afirma um trecho da resolução aprovada.
O texto também relembra posicionamentos adotados pelo partido em governos anteriores. A direção nacional menciona que o PSOL se posicionou contra as reformas do governo Michel Temer e atuou como oposição ao governo de Jair Bolsonaro.
Ainda segundo a resolução, o partido apoiou Lula já no primeiro turno das eleições presidenciais de 2022, o que é citado como referência para a decisão política atual.
Prioridade será unidade entre setores populares
Outro ponto destacado na resolução é a defesa da construção de uma frente política ampla entre partidos e movimentos sociais.
Segundo o PSOL, a prioridade política nacional permanece sendo a articulação entre diferentes setores da sociedade para enfrentar a extrema-direita no cenário eleitoral.
Nesse contexto, o partido afirma que pretende participar de um processo de diálogo político que inclua discussões programáticas sobre o projeto de país defendido pelas forças progressistas.
“Esse processo de diálogo deve envolver elementos programáticos, afinal a amplitude necessária para isolar o bolsonarismo precisa se combinar com o entusiasmo e o engajamento dos setores populares em defesa de um projeto de país justo e soberano”, afirma o texto da resolução.
Com base nessa estratégia, o PSOL também sinalizou que não pretende apresentar candidatura própria à Presidência da República no primeiro turno das eleições.
PSOL critica composição atual do Congresso
Além da estratégia eleitoral para o Executivo, a direção nacional do partido também abordou a composição atual do Congresso Nacional.
Na resolução, o PSOL afirma que considera necessário ampliar a presença de parlamentares alinhados a pautas progressistas no Legislativo federal.
Segundo o texto aprovado, o Congresso estaria atualmente dominado por forças políticas classificadas pelo partido como conservadoras.
“O Congresso não é um poder neutro, hoje ele funciona como escritório político dos bancos, do ruralismo e dos donos do capital”, diz um trecho da resolução.
A direção do partido afirma que ampliar bancadas parlamentares do PSOL no Congresso e nas assembleias legislativas seria uma forma de fortalecer pautas consideradas sociais e ampliar a representação de setores populares na política institucional.
Federação PSOL-Rede é renovada por mais quatro anos
Outro tema central discutido na reunião foi a continuidade da federação partidária entre PSOL e Rede Sustentabilidade.
A direção nacional aprovou a renovação da federação por mais quatro anos, mantendo a aliança que foi criada para disputar eleições de forma conjunta e compartilhar estrutura partidária no Congresso.
As federações partidárias foram instituídas no Brasil pela Lei nº 14.208/2021, permitindo que partidos atuem como uma única bancada parlamentar durante todo o período da legislatura.
Na avaliação apresentada pela direção do PSOL, o balanço da federação com a Rede é considerado positivo.
Segundo a resolução, a aliança permitiu consolidar posições políticas comuns em diferentes temas e ampliar a atuação parlamentar das duas siglas.
“Construímos unidade em temas centrais e estabelecemos diálogos ponderados para lidar com as diferenças”, afirma o texto aprovado.
Cláusula de barreira e fortalecimento das bancadas
Outro fator citado para justificar a renovação da federação é a necessidade de enfrentar os efeitos da chamada cláusula de barreira.
Essa regra eleitoral estabelece um percentual mínimo de votos nacionais ou de cadeiras na Câmara dos Deputados para que partidos tenham acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral.
De acordo com o PSOL, a manutenção da federação pode contribuir para que os partidos ampliem suas bancadas e garantam presença institucional no Congresso.
A estratégia também é apresentada como forma de preservar a diversidade de correntes políticas dentro do campo da esquerda brasileira.
Papel do PSOL na esquerda brasileira
No documento final aprovado neste sábado, a direção do partido também faz uma avaliação sobre o papel político que o PSOL pretende desempenhar nos próximos anos.
Segundo o texto, o partido busca consolidar uma identidade política considerada combativa e voltada para pautas sociais.
A resolução afirma que a legenda pretende ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade, incluindo movimentos sociais, trabalhadores e organizações populares.
“O PSOL vem se afirmando com uma identidade política e combativa reconhecida na sociedade capaz de dialogar com diferentes setores e representar causas fundamentais do povo brasileiro”, diz o documento.
Cenário político e próximos passos
As resoluções aprovadas pelo Diretório Nacional indicam a linha política que o PSOL pretende seguir no cenário eleitoral dos próximos anos.
Ao apoiar a reeleição de Lula e renovar a federação com a Rede Sustentabilidade, o partido sinaliza uma estratégia baseada na articulação entre forças progressistas e no fortalecimento de sua presença parlamentar.
Ao mesmo tempo, a legenda reafirma a importância de ampliar o debate programático e fortalecer alianças políticas que possam influenciar o cenário político nacional.
O resultado dessas decisões deverá orientar as negociações políticas da sigla nos próximos meses, especialmente em relação às alianças eleitorais e à definição de candidaturas para o Congresso Nacional.

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