Encontro entre Marília Arraes e José Dirceu reacende debates sobre a composição da chapa e a disputa por uma vaga no Senado em 2026.
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| Articulação entre Dirceu e Marília envolve vaga no Senado. Foto: Divulgação |
De volta à corrida eleitoral no pleito de outubro, o ex-ministro da Casa Civil e figura histórica do Partido dos Trabalhadores (PT), José Dirceu, anunciou sua intenção de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Em entrevistas recentes, o petista afirma que seu retorno à vida pública está associado à defesa de uma reorganização do campo democrático e à necessidade de mudanças estruturais no sistema político brasileiro.
O movimento marca mais um capítulo na trajetória de Dirceu, que voltou a atuar de forma mais intensa nos bastidores da política nacional, especialmente no debate sobre a correlação de forças entre Executivo e Legislativo a partir da próxima legislatura.
Encontro com Marília Arraes e movimentações na Frente Popular
Na última sexta-feira (23), José Dirceu se reuniu com a ex-deputada federal Marília Arraes, atualmente filiada ao Solidariedade. O encontro reacendeu discussões internas na Frente Popular, coalizão que historicamente reúne partidos de esquerda e centro-esquerda em Pernambuco.
Dirceu tem demonstrado entusiasmo com a possibilidade de Marília voltar a disputar cargos majoritários. A ex-deputada é considerada um nome competitivo, sobretudo após o desempenho expressivo nas eleições de 2022, quando obteve mais de 1 milhão de votos no primeiro turno e 2,1 milhões no segundo, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Aliados avaliam que o capital eleitoral de Marília segue relevante, apesar de sua atual legenda enfrentar limitações de capilaridade no estado.
Reforma política e preocupação com o Senado
Além das articulações eleitorais, José Dirceu tem defendido publicamente uma reforma política, com foco no fim das emendas impositivas e na revisão da relação entre o governo federal e o Congresso Nacional.
Segundo o ex-ministro, o Senado será um dos principais pontos de atenção nas eleições deste ano, já que dois terços das cadeiras da Casa serão renovadas. Para Dirceu, a configuração do Senado pode influenciar diretamente a governabilidade e a estabilidade institucional nos próximos anos.
Projeções indicam avanço da oposição no Senado
Levantamentos recentes indicam a possibilidade de crescimento da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado a partir de 2027. De acordo com projeção publicada pela colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles, com base em pesquisas da Real Time Big Data e no posicionamento atual dos senadores, partidos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) podem alcançar até 44 das 81 cadeiras.
Esse número permitiria ao grupo disputar a presidência do Senado, mas não seria suficiente para viabilizar iniciativas mais extremas, como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que exige quórum qualificado.
Especialistas ouvidos pelo mercado político avaliam que, mesmo sem maioria absoluta, um Senado mais conservador pode impor dificuldades à agenda do Executivo.
Articulações nacionais e atuação nos bastidores
Nos bastidores de Brasília, é mencionado que José Dirceu segue atuando a pedido do presidente Lula na articulação de chapas competitivas para o Congresso Nacional, com foco na ampliação da bancada de partidos alinhados ao governo.
Dentro dessa estratégia, Pernambuco aparece como um dos estados considerados prioritários. O cenário local envolve negociações complexas entre PT, PSB e outras siglas do campo progressista.
Pernambuco no centro das decisões do PT
No estado, Dirceu tem avaliado caminhos para viabilizar uma composição eleitoral alinhada ao PSB, tendo o prefeito do Recife, João Campos, como possível candidato ao governo. Embora João Campos ainda não trate publicamente do tema, a hipótese é discutida internamente.
No PT, a presença do senador Humberto Costa na chapa ao Senado é considerada condição inegociável caso a aliança com o PSB avance. A eventual formação de uma dobradinha é vista como estratégica para garantir espaço do partido na Casa Alta.
Possível mudança partidária de Marília Arraes
Paralelamente, circula no meio político a possibilidade de Marília Arraes mudar de legenda, diante da avaliação de que o Solidariedade possui alcance limitado em Pernambuco.
O tema foi abordado publicamente pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, ao mencionar negociações em curso no PDT. “Tem muita gente boa querendo vir para o PDT. Não posso dizer, senão atrapalha as negociações, mas há dois nomes de muito peso”, afirmou. Em seguida, citou diretamente a ex-deputada como uma das possibilidades.
Disputa antecipada pelo Senado
A corrida pelo Senado em Pernambuco tem se mostrado mais aquecida do que a própria disputa pelo governo estadual. A oito meses das eleições, o debate já domina o cenário político, com a governadora Raquel Lyra (PSD) buscando a reeleição e João Campos consolidado como principal adversário.
O PT se encontra no centro dessa movimentação. O partido avalia se mantém o apoio ao PSB ou se constrói uma alternativa com Raquel Lyra, apesar de setores internos defenderem dois palanques para Lula no estado.
Outros nomes na disputa
Caso a aliança entre PT e PSB se confirme, uma vaga ao Senado permanece em disputa. Além de Marília Arraes, aparecem como possíveis candidatos o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil).
Silvio conta com o apoio declarado do presidente Lula, mas enfrenta desafios relacionados à baixa lembrança eleitoral. Já Miguel Coelho tenta se posicionar como oposição ao governo estadual, enfrentando entraves internos da federação entre União Brasil e Progressistas.
O retorno de José Dirceu ao processo eleitoral ocorre em um contexto de rearranjo político nacional e estadual, marcado por disputas antecipadas, projeções de mudança no Senado e negociações complexas entre partidos. Mais do que uma candidatura individual, o movimento reflete uma tentativa de reorganização do campo democrático diante de um cenário considerado desafiador para o governo federal nos próximos anos.

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