O cenário eleitoral da IEADPE passa por mudanças internas que podem impactar alianças políticas e redefinir a força evangélica em Pernambuco.
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| Disputa por influência marca cenário da IEADPE em Pernambuco. Foto: Divulgação |
O cenário eleitoral da IEADPE (Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco) atravessa um período de mudanças internas que podem influenciar diretamente a disputa eleitoral de 2026 no estado. A avaliação é do jornalista Luiz Neto, comentarista político da TV Nova Nordeste, que aponta sinais claros de reorganização nas alianças políticas tradicionalmente ligadas à denominação.
Historicamente, a IEADPE concentrou grande parte de sua influência política em torno de lideranças específicas, especialmente no campo legislativo federal. No entanto, os movimentos recentes indicam um processo de fragmentação dessa base, com possíveis impactos na correlação de forças entre candidatos ligados ao segmento evangélico.
Afastamento entre lideranças marca novo momento político
De acordo com as informações analisadas por Luiz Neto, o presidente vitalício da IEADPE, pastor Ailton José Alves, estaria cada vez mais distante do deputado federal Pastor Eurico (PL-PE). O parlamentar, que construiu sua trajetória política com forte apoio da Assembleia de Deus, sempre contou com uma base eleitoral expressiva entre os fiéis da denominação.
Fontes próximas ao meio religioso indicam que o pastor Ailton não pretende declarar apoio à reeleição de Eurico. Embora não haja posicionamento público oficial sobre o tema, o distanciamento é interpretado por observadores como um fator relevante para o redesenho do cenário eleitoral da IEADPE.
Fragmentação da base evangélica altera equilíbrio político
A possível ausência de um apoio institucional explícito representa uma mudança significativa. Até então, a base evangélica ligada à Assembleia de Deus apresentava um comportamento eleitoral mais concentrado, favorecendo candidaturas específicas com ampla vantagem competitiva.
Agora, o que se observa é um ambiente mais fragmentado, no qual diferentes lideranças disputam espaço e influência. Essa dispersão de votos pode reduzir o peso eleitoral de candidaturas tradicionalmente consolidadas e abrir caminho para novos atores políticos no campo religioso.
Edilson Tavares surge como liderança emergente
Nesse novo contexto, o ex-prefeito de Toritama, Edilson Tavares, aparece como um dos nomes que ganham projeção dentro do cenário eleitoral da IEADPE. Membro da denominação, Tavares tem intensificado sua articulação junto a lideranças religiosas e comunitárias, buscando ampliar sua presença no eleitorado evangélico.
Analistas avaliam que sua trajetória administrativa e o diálogo com setores da igreja o colocam como uma figura estratégica nesse processo de reorganização. A expectativa é que ele forme uma dobradinha política com o presbítero Adalto Santos, que pretende disputar a reeleição para deputado estadual.
Dobradinha política e nova configuração de alianças
A possível aliança entre Edilson Tavares e Adalto Santos é vista como parte de uma estratégia mais ampla de redistribuição de forças dentro da base evangélica. Essa movimentação reforça a percepção de que o cenário eleitoral da IEADPE não está mais centralizado em um único nome, mas passa a refletir uma pluralidade maior de projetos políticos.
Esse novo arranjo pode beneficiar candidaturas que consigam dialogar com diferentes segmentos da igreja, em vez de depender exclusivamente de lideranças institucionais.
Desafios para lideranças tradicionais
Para o deputado Pastor Eurico, o momento representa um desafio inédito. Sem a garantia de apoio quase unânime da Assembleia de Deus, sua estratégia eleitoral precisará se adaptar a um ambiente mais competitivo e menos previsível.
Especialistas apontam que, em cenários como esse, a capacidade de articulação política, presença territorial e diálogo com outras bases sociais tornam-se ainda mais relevantes para a manutenção do capital eleitoral.
Tendência nacional de diversificação política religiosa
A reconfiguração observada em Pernambuco acompanha uma tendência nacional. Em diferentes estados, bases religiosas antes fortemente alinhadas a um único projeto político vêm passando por processos de diversificação e fragmentação.
Esse fenômeno reflete mudanças no comportamento do eleitor evangélico, que passa a considerar múltiplos fatores — como gestão pública, pautas sociais e posicionamentos institucionais — no momento do voto.
Silêncio institucional e expectativa por posicionamento
Até o momento, o pastor Ailton José Alves não se manifestou publicamente sobre o assunto. O silêncio institucional mantém o debate em aberto e alimenta especulações sobre os próximos passos da liderança da IEADPE no processo eleitoral.
Enquanto isso, lideranças políticas e analistas acompanham atentamente os desdobramentos, conscientes de que o cenário eleitoral da IEADPE pode desempenhar papel decisivo nas eleições de 2026 em Pernambuco.
Em síntese, as transformações internas da Assembleia de Deus em Pernambuco sinalizam uma mudança relevante no panorama político estadual. O afastamento entre lideranças tradicionais, o surgimento de novos nomes e a fragmentação da base evangélica indicam que o cenário eleitoral da IEADPE será mais plural, disputado e imprevisível nos próximos anos.
O desfecho desse processo dependerá da capacidade de diálogo, articulação e posicionamento das lideranças religiosas e políticas diante de um eleitorado cada vez mais diversificado.

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