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Gleide Ângelo propõe Botão do Pânico em Pernambuco

Projeto do Botão do Pânico em Pernambuco propõe aplicativo para mulheres com medida protetiva acionarem ajuda rápida contra violência doméstica.

Gleide Ângelo
Proposta prevê aplicativo para mulheres com medida protetiva acionarem ajuda imediata. Foto: Américo Santos

Diante do aumento dos casos de violência doméstica e feminicídio em Pernambuco, um novo projeto de lei propõe a criação de um mecanismo tecnológico para ampliar a proteção às vítimas. A iniciativa, apresentada pela deputada estadual Gleide Ângelo, prevê a implantação do chamado Botão do Pânico por meio de um aplicativo de celular voltado a mulheres que possuem medida protetiva.

O Projeto de Lei nº 3947/2026 tramita na Assembleia Legislativa de Pernambuco e busca oferecer resposta mais rápida em situações de risco iminente. A proposta surge em um cenário considerado preocupante por especialistas e órgãos de segurança pública.

Botão do Pânico como ferramenta de proteção imediata

O principal objetivo do projeto do Botão do Pânico é permitir que mulheres em situação de ameaça acionem rapidamente as autoridades. O sistema funcionaria por meio de um aplicativo compatível com smartphones populares, ampliando o acesso à tecnologia.

Ao ser acionado, o dispositivo enviaria um alerta para a rede de proteção, incluindo forças policiais e serviços especializados. A ideia é reduzir o tempo de resposta em casos de emergência, considerado um fator decisivo para evitar agressões mais graves ou até mortes.

Segundo a deputada, a medida protetiva, embora essencial, não garante segurança plena sem mecanismos eficazes de monitoramento e resposta rápida. Em declaração pública, ela afirmou que a integração entre os órgãos e a agilidade no atendimento são fundamentais para salvar vidas.

Integração entre órgãos públicos e rede de apoio

O projeto também estabelece a articulação entre diferentes instituições. A proposta prevê que o Poder Executivo firme convênios com entidades como o Ministério Público de Pernambuco, a Defensoria Pública e o Poder Judiciário.

Além disso, a iniciativa envolve secretarias estaduais e municipais responsáveis por políticas públicas voltadas às mulheres. O atendimento às vítimas deverá incluir suporte policial, técnico, psicossocial e jurídico.

Especialistas apontam que a integração entre esses setores é um dos principais desafios no combate à violência doméstica no Brasil. A fragmentação dos serviços, segundo estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pode dificultar o acesso das vítimas à proteção efetiva.

Contexto de aumento da violência contra a mulher

O debate sobre o Botão do Pânico ganha força diante de dados recentes. Informações do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que os casos de feminicídio cresceram 14% em Pernambuco em 2025, percentual superior à média nacional, de 4,7%.

Outro levantamento, realizado pela Rede de Observatórios da Segurança, aponta que o estado liderou o número de mortes decorrentes de violência contra a mulher entre as unidades analisadas.

Esses números reforçam a percepção de especialistas de que políticas públicas mais eficazes são necessárias para conter o avanço da violência de gênero.

Experiência local inspira proposta estadual

A proposta de ampliação do Botão do Pânico tem como base uma experiência já implementada no município de Ipojuca, no litoral sul do estado.

Desde 2021, a cidade adotou um sistema semelhante para monitorar mulheres com medida protetiva. De acordo com dados apresentados pela parlamentar, foram registrados 1.437 casos de violência doméstica até dezembro de 2025, com média anual de 359 ocorrências.

Embora os números ainda sejam elevados, a experiência é considerada um modelo de referência para expansão em nível estadual. Defensores da proposta afirmam que o sistema contribui para agilizar o atendimento e fortalecer a rede de proteção.

Pontos de apoio e críticas à proposta

A iniciativa tem recebido apoio de setores ligados à defesa dos direitos das mulheres, que destacam a importância de medidas concretas para enfrentar a violência doméstica.

Para esses grupos, o uso da tecnologia pode ser um aliado importante, especialmente em situações em que a vítima não consegue buscar ajuda de forma convencional.

Por outro lado, especialistas em políticas públicas alertam para desafios na implementação. Entre eles, estão a necessidade de investimento em infraestrutura, treinamento de equipes e garantia de funcionamento contínuo do sistema.

Também há questionamentos sobre a efetividade da medida sem o fortalecimento paralelo de outras políticas, como educação, prevenção e ampliação de delegacias especializadas.

Importância da prevenção e políticas integradas

Pesquisadores da área de segurança pública defendem que soluções tecnológicas, como o Botão do Pânico, devem ser combinadas com ações estruturais.

Entre as medidas apontadas estão campanhas educativas, ampliação de casas de acolhimento e fortalecimento das delegacias da mulher. A combinação dessas estratégias é vista como essencial para reduzir a violência de forma sustentável.

Tramitação e próximos passos

O projeto ainda será analisado pelas comissões da Assembleia Legislativa antes de ser levado à votação em plenário. Caso aprovado, caberá ao governo estadual regulamentar e implementar o sistema.

A expectativa é que o debate sobre o Botão do Pânico avance nas próximas semanas, impulsionado pelos dados recentes de violência e pela pressão de movimentos sociais.

O projeto do Botão do Pânico em Pernambuco representa uma tentativa de fortalecer a proteção às mulheres em situação de risco, utilizando tecnologia e integração institucional.

Embora a proposta seja vista como um avanço por parte de especialistas e entidades, sua efetividade dependerá da implementação adequada e do alinhamento com outras políticas públicas.

Diante do aumento dos casos de violência, o tema permanece no centro do debate público, reforçando a necessidade de respostas rápidas e estruturadas para garantir a segurança e os direitos das mulheres.

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