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REDE rebate Marina Silva em nota oficial

Nota da REDE Sustentabilidade responde Marina Silva, nega crise interna, defende democracia partidária e rebate acusações sobre o congresso.

Marina Silva
Direção nacional da REDE afirma que filiação de Marina nunca foi questionada. Foto: Wallace Martins / Estadão Conteúdo

A nota da REDE Sustentabilidade divulgada em 5 de abril de 2026 reacendeu o debate interno da legenda ao responder publicamente declarações da deputada e ex-ministra Marina Silva. No documento, a direção nacional afirma ter recebido “com surpresa” a manifestação da parlamentar sobre sua permanência no partido.

Segundo o texto, “em nenhum momento qualquer instância ou liderança da REDE questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamento”. A declaração busca afastar interpretações de que haveria tentativa de expulsão ou isolamento político dentro da sigla.

Contexto da nota da REDE Sustentabilidade

A manifestação da direção ocorre após Marina Silva divulgar posicionamento público indicando sua permanência na legenda, o que foi interpretado por setores internos como uma resposta a disputas políticas recentes.

A REDE Sustentabilidade, fundada com base em princípios como democracia participativa, pluralismo e sustentabilidade, enfrenta divergências internas que vêm sendo discutidas tanto nos espaços partidários quanto na esfera judicial.

De acordo com a direção, esses valores “não estão sob ameaça”, sendo reafirmados pela atual gestão eleita com 76% dos votos no 5º Congresso Nacional do partido.

Divergências históricas dentro da legenda

No documento, a direção relembra episódios anteriores de divergência envolvendo Marina Silva. Entre eles, cita o apoio da ex-ministra ao então candidato Aécio Neves no segundo turno das eleições presidenciais de 2014, em disputa contra Dilma Rousseff.

Também é mencionado o posicionamento favorável da parlamentar ao processo de impeachment da ex-presidente, decisão que, segundo a nota, teria ocorrido “contra a vontade da maioria do partido”.

A direção afirma que esses episódios foram enfrentados internamente dentro dos limites do debate democrático, sem resultar em punições ou exclusões.

Acusações de judicialização e “lawfare”

Um dos pontos centrais da nota da REDE Sustentabilidade é a crítica à judicialização de disputas internas. O documento atribui ao grupo político ligado a Marina Silva a prática de “lawfare”, termo utilizado para descrever o uso estratégico do sistema judicial em disputas políticas.

Segundo a direção, foram protocoladas 254 ações judiciais relacionadas ao funcionamento do partido. A maioria, de acordo com a nota, teria sido rejeitada ou não gerou efeitos práticos.

A legenda também contesta a afirmação de que a Justiça teria anulado o 5º Congresso Nacional, classificando decisões judiciais existentes como “liminares pontuais” ainda em tramitação.

Legitimidade do congresso e da direção partidária

A direção nacional sustenta que o congresso partidário foi realizado com ampla participação de delegados de todo o país, o que garantiria sua legitimidade.

Além disso, destaca que a atual executiva, composta por nomes como Heloísa Helena e Paulo Lamac, foi eleita de forma democrática e representa a maioria da militância organizada.

Segundo a nota, a democracia interna pressupõe que decisões coletivas sejam respeitadas, mesmo diante de divergências. “Não é o direito da minoria de paralisar o partido”, afirma o documento.

Posicionamento político e alianças

Outro ponto abordado na nota da REDE Sustentabilidade é o alinhamento político da legenda. O partido reafirma apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e menciona a integração na federação com o PSOL.

A direção também destaca diálogo com partidos como PT, PSB, PDT, PV e PCdoB, situando a REDE no campo democrático-popular.

Além disso, o documento cita o apoio à candidatura de Fernando Haddad em São Paulo, reforçando sua estratégia eleitoral para os próximos pleitos.

Crescimento e fortalecimento do partido

A nota afirma que a REDE saiu fortalecida das últimas disputas eleitorais, com crescimento no número de filiados e maior presença territorial.

O texto também menciona a chegada de novas lideranças políticas, apontadas como fator de fortalecimento do projeto coletivo da legenda.

Segundo a direção, esse avanço seria resultado de um trabalho contínuo de organização partidária e articulação com movimentos sociais.

Convite ao diálogo interno

Apesar das críticas, a direção nacional adota um tom conciliador ao final do documento. A nota convida setores divergentes, incluindo Marina Silva, a participarem do debate interno “pelas vias estatutárias”.

O texto defende que o fortalecimento da democracia partidária depende do respeito às instâncias eleitas e do diálogo político contínuo.

Confira abaixo a íntegra da nota emitida pela Direção Nacional da Rede


“Nota da Direção Nacional da REDE Sustentabilidade

A Direção Nacional da REDE Sustentabilidade recebeu com imensa surpresa a nota pública da deputada e ex-ministra Marina Silva em que ela anuncia sua “permanência” no partido que ajudou a fundar. Em nenhum momento qualquer instância ou liderança da REDE questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamento.

A REDE foi fundada com base em princípios claros: democracia radical, participação cidadã, pluralismo, justiça social e sustentabilidade. Esses valores não estão sob ameaça. Pelo contrário, são reafirmados diariamente pela direção eleita com 76% dos votos dos delegados no 5º Congresso Nacional, que expressou a vontade majoritária da militância organizada de todo o país. O respeito às divergências sempre foi exercitado. inclusive no momento de maior crise da REDE, quando Marina Silva, contra a vontade do partido, decidiu apoiar Aécio Neves no segundo turno de 2010 — contra Dilma Rousseff — e, a seguir, quando de seu apoio, também contra a vontade da maioria, ao impeachment da ex-presidente, ato que abriu o ciclo de ascenso da extrema-direita no país. Naquele triste capítulo da história brasileira, a REDE perdeu grandes lideranças.

Lamentamos que a deputada continue insistindo em narrar uma suposta “subtração antidemocrática” de valores fundacionais, quando a própria presença de seu grupo – minoritário – em todas as instâncias de direção, comprova o contrário. A saída de mandatários eleitos pela Rede, integrantes do grupo de Marina e que desertaram de nossas fileiras, sendo escolha pessoal ou decisão fracional, não resultou de qualquer expulsão, sanção ou perseguição. Democracia interna não é o direito da minoria de paralisar o partido ou bloquear judicialmente suas contas, quando não obtém maioria nas urnas de um congresso. É, acima de tudo, o dever de todos, de acatar a decisão coletiva.

A judicialização sistemática promovida pelo grupo Rede Vive caracteriza lawfare — o uso estratégico e abusivo do sistema judiciário como arma para perseguir, desgastar e eliminar inimigos políticos. Respeitamos o Poder Judiciário, mas não podemos aceitar a tentativa de substituir a soberania dos congressos partidários por supostas decisões judiciais obtidas em ações sucessivas. A afirmação de que “a Justiça anulou o 5º Congresso Nacional” não corresponde aos fatos. Houve liminares pontuais, todas com recurso em trânsito por se basearem em alegações falsas. A grande maioria das ações propostas pelo grupo de Marina Silva – 254 ao todo – tem sido rejeitada ou não produziu o efeito paralisante pretendido. O Congresso Nacional da Rede foi realizado com ampla participação de delegados de todo o Brasil e sua legitimidade deriva, em primeiro lugar, da vontade expressa pelos filiados.

A atual direção, democraticamente eleita, composta por Paulo Lamac, Heloísa Helena, Bruna Paola, Pedro Ivo, Sila Mesquita, Adilson Vieira, Alice Gabino, Laís Garcia, Cristiana Almeida, Marcelo Lavigne, Wesley Diógenes e tantos outros que constroem o partido de baixo para cima, sendo responsável por grandes avanços institucionais e pelo crescimento do partido. Ela tem feito exatamente o que o estatuto e o programa exigem: posicionar a REDE de forma clara e principista no campo democrático-popular.

Apoiamos o Presidente Lula desde o primeiro turno em 2024, integramos a federação com o PSOL, dialogamos de forma leal e republicana com PT, PSB, PDT, PV, PCdoB e todos os setores que resistem ao retrocesso autoritário e ao negacionismo e construímos um partido ecossocialista e de combate no campo democrático.

A REDE saiu das últimas disputas eleitorais mais fortalecida, com maior presença geográfica, crescimento de filiados e maior enraizamento junto aos movimentos sociais. Esse avanço é resultado de um trabalho sério e comprometido, que se reflete também na chegada de importantes lideranças, como Luizianne Lins e André Janones, fortalecendo ainda mais o projeto coletivo do partido.

Reafirmamos que a REDE tem lugar para todos que se identifiquem com seu manifesto e programa. Convidamos a militância que hoje diverge, incluindo a deputada Marina Silva, a participar da construção partidária pelas vias estatutárias, com debate franco, mas leal. O “bom combate da democracia” não se faz enfraquecendo as instâncias eleitas nem criando embaraços permanentes ao funcionamento do partido. Todos são bem-vindos no fortalecimento de nossa tática eleitoral para superar a cláusula de barreira.

Seguimos inteiramente comprometidos com a reeleição do Presidente Lula, com a vitória de Fernando Haddad em São Paulo e com o fortalecimento do campo que defende a democracia, a justiça social, o combate à crise climática e a soberania nacional.

A REDE Sustentabilidade não é de ninguém em particular. É de seus filiados e de seu projeto coletivo. Continuaremos construindo-a como espaço de pluralismo real, enraizado na maioria que se manifestou democraticamente em seu Congresso Nacional.

Direção Nacional da REDE Sustentabilidade
São Paulo/SP, 5 de abril de 2026.”

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