Cassação de vereadores em Escada abre disputa pelo comando da Câmara Municipal e movimenta articulações entre governo e oposição.
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| Presidência da Câmara de Escada entra em disputa após decisão do TRE-PE. Fotos: Divulgação |
A decisão da Justiça Eleitoral que determinou a cassação de cinco vereadores de Escada por fraude à cota de gênero provocou uma reconfiguração política no município da Mata Sul pernambucana. Além da mudança na composição da Câmara Municipal, o novo cenário abriu uma disputa considerada uma das mais acirradas dos últimos anos pela presidência da Casa Legislativa.
Entre os parlamentares atingidos pela decisão está o atual presidente da Câmara, Zé Amaro da Alvorada (PRD). Com a saída dele do cargo, o Legislativo deverá passar por uma transição interna até a definição do novo comando da Casa.
A expectativa nos bastidores é de que a primeira-secretária da Câmara, Sandra Valéria (PMB), assuma interinamente a presidência até a realização de uma nova eleição da Mesa Diretora.
Mudança altera equilíbrio político em Escada
A cassação dos mandatos decorre de um processo relacionado ao cumprimento da legislação eleitoral sobre a cota mínima de candidaturas femininas. A Justiça entendeu que houve irregularidades na composição das chapas partidárias, o que resultou na perda dos mandatos e na necessidade de recontagem dos quocientes eleitorais.
Com a chegada de novos parlamentares à Câmara, lideranças políticas já iniciaram articulações para tentar formar maioria e conquistar o comando do Legislativo municipal.
Nos bastidores, o nome de Sandra Valéria é apontado como um dos mais fortes dentro do grupo governista. Interlocutores políticos afirmam que a vereadora poderá receber o apoio da prefeita Mary Gouveia (PL) para consolidar uma candidatura de consenso no bloco aliado ao governo municipal.
Apesar disso, outros nomes também aparecem como possíveis candidatos à presidência da Câmara.
Dêda Móveis surge como opção governista
Outro vereador citado nas articulações é Dêda Móveis (PMB). Aliados políticos afirmam que ele teria o apoio de Zé Amaro da Alvorada, atual presidente da Casa, que deixará o cargo após a decisão judicial.
Nos bastidores, a avaliação é de que Dêda Móveis possui trânsito entre diferentes grupos políticos e pode surgir como alternativa caso o governo enfrente dificuldades para consolidar apoio em torno de Sandra Valéria.
A indefinição, no entanto, ainda permanece. Parlamentares ouvidos reservadamente afirmam que a composição final dependerá da posse dos novos vereadores e da formação das futuras alianças dentro da Câmara.
Oposição tenta construir unidade
No campo oposicionista, o nome do vereador Elias Ribeiro (PSB) aparece como um dos mais experientes para disputar o comando do Legislativo. Elias já presidiu a Câmara Municipal em dois biênios anteriores e possui histórico de atuação na política local.
Entretanto, lideranças da oposição admitem que existem resistências internas ao nome do parlamentar. Nos bastidores, vereadores que deverão assumir as novas vagas estariam avaliando outras possibilidades para evitar um cenário de divisão.
Diante disso, ganhou força nos últimos dias o nome do vereador Pedro Jorge (Avante). Parlamentares de diferentes grupos políticos avaliam que Pedro Jorge mantém bom relacionamento com vereadores governistas e oposicionistas, o que poderia facilitar a construção de uma candidatura de consenso.
Disputa promete intensificar articulações
A eleição para a presidência da Câmara costuma ter impacto direto na governabilidade municipal. O presidente da Casa é responsável por conduzir votações importantes, definir pautas legislativas e exercer influência sobre a relação entre Executivo e Legislativo.
Por isso, a disputa ganhou relevância dentro do cenário político de Escada.
Analistas políticos locais avaliam que a mudança na composição da Câmara poderá alterar o equilíbrio de forças no município, especialmente diante da aproximação das eleições de 2026.
Além do impacto institucional, a eleição interna também deverá servir como termômetro político para medir a capacidade de articulação do grupo da prefeita Mary Gouveia e da oposição.
Nova composição ainda depende de trâmites
A posse dos novos vereadores ainda depende da conclusão dos procedimentos legais e administrativos decorrentes da decisão judicial. Após essa etapa, a Câmara deverá convocar os parlamentares substitutos e iniciar oficialmente a reorganização da Mesa Diretora.
Enquanto isso, as negociações seguem intensas nos bastidores políticos de Escada.
Vereadores, lideranças partidárias e aliados do governo acompanham os desdobramentos da crise institucional que redesenhou o cenário do Legislativo municipal.
A expectativa é de que os próximos dias sejam decisivos para a definição do futuro comando da Câmara Municipal de Escada.
A cassação de cinco vereadores abriu uma nova fase política em Escada e transformou a eleição da presidência da Câmara em um dos temas centrais do município. Com nomes ligados ao governo e à oposição em articulação, o cenário segue indefinido e marcado por negociações intensas.
A futura composição do Legislativo poderá influenciar diretamente a relação entre os poderes municipais e o rumo político da cidade nos próximos anos.

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