Bancada do PP na Alepe deixa blocão governista e passa a atuar com independência após crise no Ceasa, ampliando tensão com o governo estadual.
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| Decisão do PP ocorre após desgaste com saída do comando do Ceasa e amplia tensão com o governo estadual. Foto: Divulgação |
A bancada do Partido Progressistas (PP) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) decidiu deixar o chamado blocão governista e passar a atuar de forma independente. A decisão, formalizada nesta semana, ocorre em meio a um cenário de desgaste político entre a legenda e o governo estadual.
O movimento foi liderado pelo deputado Henrique Filho, líder do PP na Casa, que já protocolou a saída oficial. A publicação deve constar no Diário Oficial ainda hoje. Com isso, o partido deixa de integrar a base governista e passa a adotar uma posição autônoma nas votações e articulações legislativas.
Crise no Ceasa impulsiona saída do PP da Alepe
A ruptura está diretamente relacionada à recente crise envolvendo a saída do comando do Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa), considerado um dos principais espaços de indicação política do partido. A mudança no órgão foi interpretada por integrantes do PP como um gesto de enfraquecimento da legenda dentro da gestão estadual.
Além do Ceasa, o partido também perdeu influência em outros equipamentos estratégicos, como o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) e o Porto do Recife. Essas decisões ocorreram após articulações políticas envolvendo o presidente estadual do PP, deputado federal Eduardo da Fonte, e o cenário eleitoral de 2026.
Reconfiguração política e impacto na Alepe
Após a janela partidária, encerrada no início do mês, a Federação União Progressista (UP) passou a ser a maior bancada da Alepe, com 11 parlamentares. Esse novo arranjo fortalece a posição do grupo, mesmo fora da base formal do governo.
Com a mudança, a federação terá maior protagonismo nas comissões permanentes da Casa. Estão previstas duas vagas nas comissões de Justiça e Administração, além de espaço já consolidado na Comissão de Finanças. Esse reposicionamento pode influenciar diretamente a tramitação de projetos do Executivo.
Governo pode enfrentar maior dependência da bancada
Apesar de inicialmente avaliar que teria ampliado sua base de apoio, o governo estadual pode enfrentar um cenário mais desafiador. A atuação independente da UP tende a aumentar a necessidade de negociação para aprovação de matérias no plenário.
Nos bastidores, parlamentares reconhecem que a federação já teve papel decisivo na aprovação de projetos do Executivo em ocasiões anteriores. A nova postura, portanto, pode ampliar o poder de barganha do grupo dentro da Alepe.
Próximos passos e articulação política
Uma reunião entre a bancada do PP e o presidente estadual da legenda, Eduardo da Fonte, está marcada para a próxima segunda-feira. O encontro deve definir os próximos passos do partido, incluindo possíveis alianças e estratégias para o cenário político estadual.
Em declarações públicas, Da Fonte tem reforçado o discurso de autonomia política do grupo, destacando que a legenda não depende de cargos para manter sua atuação. O posicionamento sinaliza que a relação com o governo pode continuar marcada por tensões nos próximos meses.
A saída do PP do blocão governista na Alepe representa uma mudança relevante no equilíbrio político da Assembleia. Motivada por disputas por espaços de poder, a decisão fortalece a independência da legenda e pode impactar diretamente a governabilidade em Pernambuco.

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