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Copom reduz Selic para 14,5% e mantém cautela

Copom reduz Selic para 14,5% ao ano com cautela diante da inflação elevada e incerteza global, mantendo ritmo gradual de cortes.

Gabriel Galípolo
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante audiência no Senado. Foto: Gabriela Biló - 8.abr.26/Folhapress

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, nesta quarta-feira (29), reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) de 14,75% para 14,5% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual mantém o ritmo gradual iniciado na reunião anterior e reflete uma postura considerada conservadora diante de um cenário marcado por incertezas externas e pressão inflacionária.

A decisão foi tomada por unanimidade entre os membros presentes, sob a presidência de Gabriel Galípolo. No entanto, o encontro contou com três ausências, o que reduziu o número de votantes. Ainda assim, o colegiado manteve o consenso em torno da necessidade de cautela na condução da política monetária.

Inflação acima da meta influencia decisão do Copom

A principal justificativa para a manutenção de um ritmo moderado de cortes na Selic está no comportamento da inflação. Segundo o comunicado divulgado pelo Copom, as projeções para os índices de preços se distanciaram ainda mais da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

No cenário de referência, a estimativa de inflação para 2026 subiu de 3,9% para 4,6%. Já para 2027, a projeção passou de 3,3% para 3,5%. Esses números indicam dificuldades adicionais para o cumprimento da meta no médio prazo.

Além disso, dados recentes mostram aceleração da inflação cheia e de seus componentes subjacentes. O IPCA acumulado em 12 meses até março atingiu 4,14%, enquanto o IPCA-15 já aponta pressões em itens como combustíveis e alimentos.

Incerteza global reforça postura cautelosa

Outro fator relevante para a decisão do Copom é o cenário internacional. A continuidade do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, tem impactado diretamente os mercados globais, especialmente o setor energético.

O preço do petróleo Brent ultrapassou os US$ 100 por barril, chegando a US$ 111 nesta quarta-feira, o maior nível desde abril. Esse movimento tende a pressionar os custos de produção e, consequentemente, os preços ao consumidor.

Diante desse contexto, o Copom destacou que a incerteza sobre a duração e os desdobramentos do conflito dificulta a elaboração de projeções mais precisas para a inflação. Por isso, o comitê optou por não sinalizar claramente os próximos passos da política monetária.

Mercado financeiro já esperava corte moderado

As expectativas do mercado financeiro estavam alinhadas com a decisão do Copom. De acordo com levantamento da Bloomberg, a maioria dos analistas projetava um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, mantendo o ritmo gradual.

Entre as 31 instituições consultadas, apenas uma apostava na manutenção da taxa em 14,75% ao ano. Esse consenso reforça a percepção de que o Banco Central está adotando uma estratégia previsível, embora cautelosa.

Diferença entre juros do Brasil e dos EUA aumenta

No cenário externo, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter sua taxa de juros entre 3,5% e 3,75% ao ano pela terceira reunião consecutiva. Com isso, a diferença entre os juros brasileiros e americanos chegou a 10,75 pontos percentuais.

Essa disparidade influencia o fluxo de capitais internacionais e pode impactar o câmbio. Atualmente, o dólar está cotado em torno de R$ 5, abaixo dos R$ 5,20 considerados pelo Copom na reunião anterior.

Atividade econômica desacelera, mas mercado de trabalho resiste

O Copom também destacou que a economia brasileira apresenta sinais de desaceleração, em parte devido ao impacto prolongado dos juros elevados. Essa moderação abre espaço para ajustes na política monetária.

Por outro lado, o mercado de trabalho continua resiliente, o que pode sustentar a demanda e gerar pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços.

Riscos para a inflação seguem elevados

O comitê apontou diversos fatores de risco que podem influenciar a trajetória da inflação nos próximos meses. Entre os principais riscos de alta estão:

  • Persistência das expectativas de inflação acima da meta
  • Possíveis restrições na oferta de petróleo
  • Pressões no setor de serviços
  • Impactos de políticas econômicas internas e externas

Por outro lado, há também riscos de queda nos preços, como:

  • Desaceleração mais intensa da economia
  • Redução nos preços das commodities
  • Enfraquecimento da economia global

Política fiscal também entra no radar

Além do cenário externo e da inflação, o Copom voltou a mencionar a importância da política fiscal. Segundo o comitê, decisões fiscais podem influenciar diretamente a política monetária e os ativos financeiros.

Nesse sentido, o ambiente fiscal contribui para reforçar a necessidade de cautela, especialmente em um contexto de elevada incerteza.

Próximos passos seguem indefinidos

Diferentemente de ciclos anteriores, o Copom optou por não fornecer indicações claras sobre os próximos movimentos da taxa Selic. A estratégia, segundo o comunicado, é manter flexibilidade para ajustar a política monetária conforme novas informações surgirem.

A próxima reunião do comitê está marcada para os dias 16 e 17 de junho, quando novos dados econômicos poderão influenciar a decisão.

Resumo da decisão do Copom sobre a Selic

A redução da Selic para 14,5% ao ano confirma a continuidade de um ciclo gradual de flexibilização monetária. No entanto, o ritmo moderado reflete preocupações com a inflação acima da meta e com o cenário internacional instável.

Ao evitar sinalizações antecipadas, o Copom busca preservar a capacidade de reação diante de mudanças no ambiente econômico. Assim, a política monetária brasileira segue guiada por cautela, equilíbrio e dependência de dados.

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