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Desabamento no Recife deixa dois mortos na comunidade do Pilar

Desabamento no Pilar, Recife, deixa dois mortos e dois feridos. Tragédia expõe risco em áreas ocupadas e ocorre durante alerta de chuvas intensas.

Desabamento no Pilar
Quatro vítimas foram retiradas dos escombros; duas morreram e duas seguem hospitalizadas. Foto: Karol Rodrigues/DP

Um desabamento no Pilar, área localizada no Centro do Recife, resultou na morte de duas pessoas e deixou outras duas gravemente feridas na noite da última segunda-feira (6). O incidente ocorreu por volta das 20h, no cruzamento da Rua Bernardo Vieira de Melo com a Rua do Ocidente, quando parte da estrutura lateral de uma edificação cedeu e atingiu casas próximas.

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE), quatro vítimas foram retiradas dos escombros. Duas delas já estavam sem vida no momento do resgate, enquanto outras duas foram socorridas com vida e encaminhadas ao Hospital da Restauração (HR), no Recife.

Vítimas e estado de saúde dos sobreviventes

Segundo relatos de moradores da comunidade, as vítimas fatais foram identificadas apenas como Simone e Fabiano, conhecido localmente como “Olho de Gato”. O casal vivia junto em uma das residências atingidas.

Entre os sobreviventes, estão Carolaine e Sidclei Oliveira de Brito, de 24 anos. Ambos foram resgatados com ferimentos graves. De acordo com familiares, o estado de saúde é delicado.

“Meu irmão está sem conseguir falar, com traumatismo craniano e está na UTI”, afirmou Liliane Oliveira de Brito, irmã de Sidclei. Segundo ela, o jovem morava de aluguel em uma das casas atingidas pelo desabamento.

Moradias em área de risco e ocupação irregular

Moradores e testemunhas afirmam que as casas atingidas foram construídas em um terreno anteriormente vazio, ocupado ao longo dos anos. As residências estavam localizadas próximas a uma estrutura considerada irregular, que acabou cedendo.

A ambulante Marilene Santiago, de 66 anos, relatou que vivia há mais de uma década na área e que o risco era conhecido pelos moradores. Segundo ela, a Defesa Civil e a Prefeitura do Recife já haviam emitido ordem de despejo anteriormente.

Apesar disso, os moradores alegam que não receberam alternativas habitacionais. “Já mandaram a gente sair daqui, mas não tinha para onde ir. Não ofereceram auxílio moradia”, afirmou.

Ela também destacou que o medo de um desabamento era constante, especialmente em períodos de chuva. “Dormir com um barraco encostado em um paredão desses dá muito medo”, relatou.

Autoridades acompanham o caso

Após o ocorrido, equipes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil foram mobilizadas para o local. Em publicação nas redes sociais, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, lamentou o episódio e informou que os órgãos estaduais estavam atuando no atendimento às vítimas e na contenção da área.

Além disso, a governadora reforçou a necessidade de atenção da população diante das condições climáticas adversas registradas no estado.

Chuvas intensas e alerta meteorológico

O desabamento no Pilar ocorreu em meio a um cenário de chuvas intensas na Região Metropolitana do Recife. A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) havia emitido, anteriormente, um alerta laranja que indica estado de atenção para a região.

Segundo o órgão, Pernambuco enfrenta um Distúrbio Ondulatório de Leste, fenômeno que pode provocar chuvas fortes, ventos intensos e descargas elétricas, especialmente no Litoral e na Zona da Mata.

Diante desse cenário, a Defesa Civil reforça a importância de monitoramento das áreas de risco e orienta que a população acione o órgão em caso de necessidade. O atendimento funciona 24 horas por meio dos telefones 0800.0813400 e (81) 3036-4873.

Desabamento no Pilar levanta debate sobre prevenção

O caso reacende discussões sobre a ocupação de áreas de risco e a necessidade de políticas públicas voltadas à habitação e prevenção de desastres. Especialistas apontam que eventos como esse costumam ser agravados por fatores como urbanização desordenada, ausência de fiscalização e condições climáticas adversas.

Enquanto isso, moradores da comunidade seguem apreensivos quanto à segurança das demais estruturas na região.

O desabamento no Pilar deixou duas pessoas mortas e duas feridas, evidenciando os riscos enfrentados por famílias que vivem em áreas vulneráveis. O episódio ocorreu durante um período de alerta para chuvas intensas, o que pode ter contribuído para o colapso da estrutura.

As autoridades seguem monitorando a área e investigando as causas do acidente, enquanto familiares e moradores cobram respostas e medidas preventivas para evitar novas tragédias.

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