Marina Silva deve permanecer na Rede Sustentabilidade apesar da crise interna, dizem aliados, mesmo com negociações com PT e PSB.
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| Crise na Rede não deve tirar Marina, avaliam aliados. Foto: Sérgio Lima |
Aliados da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, avaliam que a possibilidade de saída da ambientalista da Rede Sustentabilidade é remota, mesmo diante do aumento das tensões internas na legenda. Segundo interlocutores próximos, “só um milagre” levaria a ministra a deixar o partido que ajudou a fundar.
Apesar disso, o cenário político segue em aberto. Às vésperas do fim da janela partidária, Marina mantém conversas com lideranças do Partido dos Trabalhadores e do Partido Socialista Brasileiro, o que indica que alternativas ainda estão sendo consideradas.
Negociações políticas e cenário eleitoral
Nos bastidores, Marina Silva tem defendido sua permanência na Rede “até o fim”. No entanto, o calendário eleitoral pode impor limitações práticas à sua estratégia política. A ministra é cotada para disputar uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições de 2026.
Nesse contexto, lideranças da federação entre a Rede e o Partido Socialismo e Liberdade articulam para que Marina componha como segunda candidata ao Senado em uma eventual chapa liderada por Fernando Haddad ao governo estadual.
A ambientalista, por sua vez, teria estabelecido três principais para uma candidatura:
Condições para eventual candidatura
- Apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
- Construção de uma frente ampla, especialmente em São Paulo
- Fortalecimento de políticas ambientais e da agenda verde
Até o momento, o desenho político em São Paulo já inclui Haddad como possível candidato ao governo e Simone Tebet como nome ao Senado pelo PSB.
Convites e interesse de outros partidos
Além do PT e do PSB, outras siglas também demonstraram interesse na filiação de Marina Silva. Entre elas estão o Partido Verde, o PSOL e o Partido Democrático Trabalhista.
A ministra chegou a receber um convite formal do PT. No entanto, as negociações esfriaram nas últimas semanas, sem anúncio de avanço concreto.
Esse cenário reflete um dilema político: permanecer na Rede para tentar influenciar os rumos da legenda ou migrar para outro partido visando viabilidade eleitoral.
Crise interna na Rede Sustentabilidade
O tensionamento dentro da Rede não é recente. A relação entre Marina Silva e a atual direção partidária se deteriorou após a eleição interna realizada em abril de 2025.
Na ocasião, o candidato apoiado pela ministra foi derrotado por Paulo Lamac, aliado da deputada federal Heloísa Helena, com quem Marina mantém divergências políticas desde 2022.
Enquanto Marina se define como “sustentabilista” e integra o governo federal, Heloísa Helena adota uma postura de oposição ao Planalto e defende o chamado ecossocialismo corrente que associa preservação ambiental à transformação do sistema econômico.
Manifestos, disputas e decisões judiciais
As divergências internas se intensificaram nos últimos meses. Em dezembro, aliados de Marina publicaram um manifesto criticando mudanças no estatuto da Rede e alegando perseguição política dentro da sigla.
O conflito também chegou ao Judiciário. Em janeiro, a Justiça do Rio de Janeiro anulou o congresso nacional da legenda que havia consolidado a vitória do grupo ligado a Heloísa Helena. A decisão gerou questionamentos sobre a legitimidade da atual direção partidária.
Posteriormente, uma nova decisão judicial, desta vez no Distrito Federal, concedeu liminar favorável a dirigentes próximos de Marina. A medida suspendeu os efeitos de uma resolução partidária que condicionava pedidos de desfiliação à aprovação do diretório nacional.
Na decisão, a juíza responsável destacou que a legislação eleitoral permite a mudança de partido durante o período da janela partidária sem prejuízo ao mandato, desde que configurada justa causa.
Janela partidária pressiona decisão
A janela partidária período em que parlamentares podem trocar de partido sem perder o mandato — se encerra neste sábado. O prazo aumenta a pressão sobre Marina Silva e outros políticos que avaliam mudanças de legenda.
A ministra foi eleita deputada federal em 2022, o que torna a decisão ainda mais estratégica do ponto de vista jurídico e eleitoral.
Além disso, Marina está entre os ministros que devem deixar o governo federal nesta semana. A expectativa é que o atual secretário-executivo da pasta, João Paulo Capobianco, assuma o comando do Ministério do Meio Ambiente.
Diferentes visões dentro da Rede
A crise na Rede Sustentabilidade expõe visões divergentes sobre o papel do partido no cenário político nacional.
De um lado, aliados de Marina defendem a reconstrução da legenda com base nos princípios fundadores, como sustentabilidade, ética e democracia interna.
De outro, o grupo ligado a Heloísa Helena aposta em uma linha mais ideológica e crítica ao governo federal, o que tem gerado conflitos sobre o posicionamento político da sigla.
A direção nacional do partido afirmou, em nota, que mantém compromisso com a transparência e a democracia interna, apesar das decisões judiciais contrárias recentes.
A situação política de Marina Silva envolve múltiplas variáveis. Embora existam tensões internas na Rede Sustentabilidade e interesse de outros partidos, aliados consideram improvável sua saída da legenda no curto prazo.
Ao mesmo tempo, a proximidade do calendário eleitoral e a possibilidade de candidatura ao Senado mantêm abertas as negociações políticas.
Diante desse cenário, a decisão final da ministra deverá equilibrar fatores ideológicos, estratégicos e jurídicos, com impacto direto na configuração das eleições de 2026.

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