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​Túlio Gadêlha: O Novo Bobo da Corte do Palácio Pernambucano

Como o deputado federal abriu mão de sua história na esquerda para virar o alívio cômico dos caciques políticos de Pernambuco.

                                    Foto: Falanews

​A história política é cíclica, mas às vezes ela prefere a paródia ao drama. No tabuleiro político de Pernambuco, onde outrora se digladiavam gigantes da articulação, hoje assistimos a um espetáculo de entretenimento involuntário. No centro do picadeiro, o deputado federal Túlio Gadêlha parece ter assumido, por livre e espontânea vontade, o figurino do bobo da corte contemporâneo. Suas recentes movimentações e "atrapalhadas construções" políticas viraram o principal motivo de piada e diversão nos bastidores do Palácio do Campo das Princesas.

​A Nobre Função do Riso (e o Riso de Quem se Beneficia)


​Na Idade Média, o bobo da corte tinha uma função clara: entreter o monarca, aliviar as tensões do reino e, sob a capa da bobeira, dizer verdades que mais ninguém ousava pronunciar. Contudo, existia uma linha tênue entre a ironia sagaz e o ridículo puro. Quando o bobo perdia a mão da narrativa e passava a ser a piada, e não o autor dela, seu valor político despencava.
​É exatamente esse o paralelo com a trajetória atual de Túlio. Suas tentativas de costurar alianças e criar palanques alternativos em Pernambuco não geram temor ou respeito entre os caciques locais; geram riso. Políticos tradicionais pernambucanos, conhecidos pela frieza cirúrgica em ano eleitoral, assistem às articulações do deputado com o mesmo espírito de quem assiste a uma comédia pastelão. Gadêlha virou o alívio cômico das tensões palacianas.

​O Erro Grave: Sacrificando a História por um Palanque Ilusório


​O erro mais grave dessa estratégia, se é que podemos chamar de estratégia, foi a decisão de Gadêlha de desidratar e sacrificar a sua própria biografia construída nos partidos de esquerda. Em nome de quê? Da promessa messiânica de garantir "um outro palanque" para o presidente Lula em Pernambuco.
​O pragmatismo cego o impediu de enxergar o óbvio. Enquanto Túlio se isola à esquerda tentando se provar o herói solitário do petismo, a governadora Raquel Lyra já emitiu todos os sinais de que repetirá a postura adotada na eleição de 2022. A fórmula do "em cima do muro" será reeditada: uma gestão que acena ao governo federal quando precisa de verbas, mas que constrói pontes sólidas com o bolsonarismo nos bastidores e nas bases municipais. Diante de uma máquina estadual que joga o jogo da conveniência com maestria, a tentativa de Túlio de forçar uma polarização nacionalizada soa anacrônica e ingênua. Foi um autêntico tiro no pé.

​A Navalha Imperdoável da História: O Limbo Político


​Historicamente, a vida dos bobos da corte não terminava bem quando a graça acabava. Assim como muitos deles, quando não estavam mais agradando ou eram acusados de traição aos interesses reais, acabavam levados à guilhotina, fica a provocação essencial: será que Túlio já não colocou sua cabeça para a navalha imperdoável da história e da memória do povo?
​Ao abrir mão do respeito da esquerda histórica sem conseguir a adesão do centro governista, o deputado caminha a passos largos para o esquecimento. Ele não é mais visto como uma liderança de renovação; é visto como um articulador trapalhão que não entrega resultados.
​Túlio Gadêlha hoje vive o pior cenário possível para um homem público: o limbo. Ele não tem o peso institucional para ditar os rumos do estado e perdeu a densidade ideológica que um dia o impulsionou. Sem eira nem beira, resta-lhe o consolo de continuar divertindo os poderosos do Palácio, enquanto a lâmina do julgamento popular se aproxima, silenciosa e fatal, nas próximas urnas.

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