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Caiado acusa Flávio de não explicar dinheiro de Vorcaro para o filme do Bolsonaro

Caiado cobra prestação de contas de Dark Horse após Flávio Bolsonaro dizer que o caso é “página virada” durante agenda de campanha em São Paulo.

Ronaldo Caiado
Caiado questiona prestação de contas prometida por Flávio. Foto: Reprodução

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) voltou a cobrar, nesta quinta-feira (20), a prestação de contas do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após Flávio Bolsonaro (PL) afirmar que o caso é uma “página virada”. A declaração ocorreu durante agenda eleitoral de Flávio em São Paulo, no mesmo dia em que Caiado questionou o cumprimento de uma promessa feita pelo adversário em maio sobre a divulgação dos gastos da produção.

Dark Horse volta ao centro da disputa eleitoral

O caso Dark Horse voltou a provocar troca de acusações entre candidatos à Presidência da República. Ronaldo Caiado criticou a postura de Flávio Bolsonaro depois de o senador afirmar que a discussão sobre o filme está encerrada.

Em publicação no X, Caiado afirmou que o Brasil ainda aguardava a prestação de contas que, segundo ele, Flávio havia prometido apresentar após admitir que havia solicitado recursos a Daniel Vorcaro.

A cobrança ocorre em meio à campanha presidencial de 2026 e recoloca o financiamento da produção no debate eleitoral.

Flávio Bolsonaro diz que caso está encerrado

Durante uma agenda de campanha em São Paulo, Flávio Bolsonaro afirmou que a prestação de contas do filme já havia sido realizada. Segundo ele, o documento foi anexado a um processo e posteriormente vazado.

O candidato do PL também classificou o episódio como uma “página virada” e direcionou cobranças ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

A versão apresentada por Flávio, porém, não encerrou as cobranças sobre o detalhamento dos gastos. Segundo reportagem do g1, uma perícia contratada pela própria produtora apontou custo de aproximadamente R$ 75 milhões, mas não apresentou recibos ou notas fiscais individualizadas dos gastos.

Qual foi a promessa sobre Dark Horse

Em 19 de maio, Flávio Bolsonaro afirmou que havia solicitado à equipe responsável pelo filme uma prestação de contas detalhada sobre a utilização e o destino dos recursos empregados na produção.

Na ocasião, o senador informou que o relatório deveria ser apresentado em até 30 dias. A declaração ocorreu após a divulgação de mensagens e áudios relacionados à negociação com Daniel Vorcaro para financiar o filme.

Reportagens publicadas posteriormente apontaram que o prazo anunciado não resultou, naquele momento, na divulgação pública de um relatório financeiro detalhado. A partir daí, a questão passou a ser usada por adversários políticos para cobrar maior transparência sobre a produção.

Quanto dinheiro foi relacionado ao filme

O caso ganhou repercussão em maio, quando o Intercept Brasil divulgou informações sobre uma negociação de US$ 24 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse. A informação também foi noticiada pela CNN Brasil.

Documentos posteriormente divulgados indicaram, segundo o Intercept, que ao menos US$ 10,6 milhões — aproximadamente R$ 61 milhões na cotação daquele período — foram efetivamente transferidos para o projeto entre fevereiro e maio de 2025.

Os valores divulgados variam conforme o que é considerado: o montante inicialmente negociado, o valor efetivamente transferido e o custo declarado posteriormente para a produção. Por isso, é importante diferenciar esses números ao tratar do caso.

O que Flávio disse sobre os recursos

Em entrevista à CNN Brasil em maio, Flávio afirmou que o orçamento previsto para o filme era de US$ 24 milhões, mas que o fundo relacionado a Vorcaro havia investido pouco mais de US$ 12 milhões. Na mesma ocasião, disse que os recursos eram privados e que poderiam ser comprovados por meio de documentos.

A reportagem do Intercept, por sua vez, descreveu uma estrutura financeira que envolvia transferências internacionais e um fundo sediado nos Estados Unidos. As informações foram posteriormente repercutidas por veículos como CNN Brasil e InfoMoney.

A existência de investigação sobre a origem e o destino dos recursos não significa, por si só, que tenha havido irregularidade comprovada. O esclarecimento definitivo depende dos procedimentos conduzidos pelas autoridades responsáveis.

Caso também chegou ao STF

O episódio gerou questionamentos no campo político e jurídico. Uma notícia-crime apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu investigação sobre a origem e o destino dos recursos relacionados ao filme.

O caso envolve questionamentos sobre Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro. Conforme informado na pauta, o pedido foi encaminhado dentro do Supremo Tribunal Federal, ficando relacionado a procedimentos sob relatoria do ministro André Mendonça.

As investigações e procedimentos mencionados não equivalem a uma conclusão de responsabilidade criminal. Eventuais irregularidades precisam ser apuradas e comprovadas pelas autoridades competentes.

Por que Dark Horse voltou ao debate eleitoral

A retomada do caso ocorre em um momento de intensa disputa pela Presidência da República. Flávio Bolsonaro transformou a resposta às acusações em parte de seu discurso de campanha e passou a direcionar questionamentos também ao governo Lula.

Caiado, por outro lado, utiliza o episódio para cobrar transparência do adversário e relembrar a promessa de divulgação das contas feita em maio.

A disputa política, portanto, envolve não apenas o financiamento do filme, mas também a forma como cada candidato tenta responder às cobranças durante a campanha presidencial.

O que acontece agora

Flávio Bolsonaro sustenta que a prestação de contas já foi apresentada e que o assunto está encerrado. Caiado mantém a cobrança por informações detalhadas sobre os recursos utilizados no filme.

Até o momento, as informações públicas disponíveis indicam versões diferentes sobre o grau de transparência da prestação de contas. A perícia mencionada pelo g1 aponta um custo de R$ 75 milhões, mas, segundo o veículo, não apresentou recibos ou notas fiscais dos gastos.

O avanço das investigações e a eventual divulgação de documentos poderão esclarecer a origem, o caminho e a aplicação dos recursos relacionados a Dark Horse. Enquanto isso, o filme permanece como um dos temas que repercutem na campanha presidencial de 2026.

O caso Dark Horse voltou ao debate eleitoral após Ronaldo Caiado cobrar de Flávio Bolsonaro a prestação de contas prometida sobre os recursos utilizados na produção. Flávio afirma que a documentação já foi apresentada e considera o episódio encerrado.

A controvérsia, entretanto, continua envolvendo questionamentos sobre os valores negociados com Daniel Vorcaro, os recursos efetivamente transferidos e o detalhamento das despesas. A definição sobre eventuais irregularidades dependerá das investigações e dos documentos apresentados às autoridades.

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