PSB de João Campos pressionaria PSOL/Rede para retirar Ivan Moraes da disputa em PE. Bastidores envolvem Manuela d’Ávila e Ricardo Cappelli.
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| Manuela d'Ávila, João Campos e Ivan Moraes. Fotos - Luiza Castro, Gabriela Biló, Paloma Keise |
Segundo informações repassadas ao Portal Fala News, o PSB estaria usando a disputa eleitoral em outros estados para pressionar o PSOL nacional a intervir na candidatura de Ivan Moraes em Pernambuco.
A estratégia, segundo as fontes, seria condicionar o apoio político do PSB a Manuela d’Ávila, candidata ao Senado pelo PSOL no Rio Grande do Sul, à retirada da candidatura de Ivan ao Governo de Pernambuco.
Na prática, a pressão buscaria fazer com que a direção nacional do PSOL atuasse junto à Federação PSOL/Rede para retirar Ivan da disputa.
A acusação é tratada nesta reportagem como informação de bastidor atribuída a fontes ligadas à federação. Até o momento, o PSB e João Campos não confirmaram publicamente que estejam fazendo essa exigência.
PSB estaria ameaçando retirar apoio a Manuela d’Ávila
Um dos pontos mais sensíveis da suposta articulação envolve Manuela d’Ávila, que disputa uma vaga ao Senado pelo Rio Grande do Sul.
Manuela teve sua candidatura oficialmente confirmada pelo PSOL durante convenção realizada em julho. A ex-deputada aparece como um dos principais nomes da esquerda na disputa pelo Senado gaúcho e lidera ou aparece numericamente à frente em levantamentos divulgados ao longo do ano.
Segundo as informações recebidas pelo Fala News, o PSB estaria sinalizando que poderia deixar de apoiar Manuela caso o PSOL não atuasse pela retirada de Ivan Moraes em Pernambuco.
Até o fechamento desta reportagem, não havia declaração pública do PSB confirmando essa suposta condição.
Ivan Moraes foi oficializado pela Federação PSOL/Rede
A pressão ocorre poucos dias depois de a Federação PSOL/Rede oficializar Ivan Moraes como candidato ao Governo de Pernambuco.
A convenção realizada em 2 de agosto confirmou Ivan na disputa e Alice Gabino, da Rede, como candidata a vice-governadora. Paulo Rubem Santiago também foi homologado como candidato ao Senado pela federação.
A candidatura, portanto, não é mais apenas uma pré-candidatura. Ela foi formalizada pela federação durante sua convenção eleitoral.
O lançamento da chapa foi apresentado pelos partidos como uma alternativa às forças políticas que dominam a disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
Reunião às pressas aumentou tensão dentro do PSOL
Segundo aliados de Ivan Moraes, uma reunião teria sido convocada às pressas na Casa Marielle Franco, sede estadual do PSOL, no Recife.
O encontro teria reunido candidatos e candidatas a deputado federal e estadual para discutir a situação da candidatura ao Governo de Pernambuco.
A informação é de que a pressão nacional estaria sendo discutida internamente diante da tentativa de setores do PSB de convencer a direção nacional do PSOL a retirar o nome de Ivan.
Até o momento, não foi divulgada publicamente uma decisão da direção nacional do PSOL determinando a retirada da candidatura.
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| Ricardo Capelli e João Campos. Foto - Reprodução |
Disputa de Cappelli e Grass pode entrar na negociação
As informações de bastidores também apontam para outro conflito eleitoral envolvendo PSB e PT: a disputa pelo Governo do Distrito Federal.
O PSB lançou Ricardo Cappelli para o Palácio do Buriti, enquanto o PT oficializou Leandro Grass como seu candidato. A divisão do campo progressista no DF vem sendo discutida há meses e já provocou tentativas de construção de uma candidatura única.
Segundo as informações recebidas pelo Fala News, haveria interesse nacional do PT em convencer o PSB a retirar Cappelli da disputa para fortalecer Leandro Grass.
A existência de uma negociação formal envolvendo diretamente a candidatura de Ivan Moraes, Manuela d’Ávila e Ricardo Cappelli, porém, não foi confirmada publicamente pelos partidos.
PT também teria interesse na retirada de Cappelli
O cenário do Distrito Federal ajuda a dimensionar a complexidade das negociações dentro do campo político progressista.
PT e PSB integram a base política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas lançaram candidatos diferentes ao Governo do Distrito Federal. Leandro Grass foi definido pelo PT, enquanto Cappelli representa o PSB.
O impasse já ganhou dimensão nacional porque uma candidatura única poderia concentrar o eleitorado de esquerda e facilitar a estratégia do grupo na disputa pelo governo.
Reportagens sobre o cenário brasiliense mostram que houve tentativas de aproximação entre as duas siglas, mas as candidaturas permaneceram em campos separados.
Uma negociação nacional em três estados?
Se confirmada, a articulação descrita pelas fontes teria uma característica incomum: envolveria interesses eleitorais de pelo menos três unidades da Federação.
Em Pernambuco, o PSB buscaria a retirada de Ivan Moraes. No Rio Grande do Sul, estaria em jogo o apoio à candidatura de Manuela d’Ávila ao Senado. No Distrito Federal, o PT teria interesse na saída de Ricardo Cappelli para fortalecer Leandro Grass.
Essa possível conexão, entretanto, ainda está no campo dos bastidores.
Não há confirmação pública de que PSB, PSOL, PT e Rede tenham firmado um acordo nacional nesses termos.
Por que Ivan Moraes incomoda o PSB?
A candidatura de Ivan Moraes acrescenta um nome próprio do campo progressista à disputa pelo Governo de Pernambuco.
João Campos é candidato do PSB ao governo estadual e está no centro da disputa contra a governadora Raquel Lyra (PSD). Nesse cenário, uma candidatura de esquerda pode disputar parte do eleitorado progressista e alterar a dinâmica eleitoral.
A própria Federação PSOL/Rede apresentou Ivan como uma alternativa aos grupos tradicionais da política pernambucana.
É nesse contexto que, segundo aliados, estaria ocorrendo a pressão para que a candidatura seja retirada.
O que dizem PSB, PSOL e Rede
Até o fechamento desta reportagem, não havia manifestação pública do PSB ou de João Campos confirmando a suposta pressão ou ameaça de retirada de apoio a Manuela d’Ávila.
Também não havia confirmação pública da direção nacional do PSOL de que esteja avaliando retirar Ivan Moraes da disputa.
A Federação PSOL/Rede, por sua vez, oficializou a candidatura em convenção realizada em 2 de agosto.
O Portal Fala News continuará acompanhando as negociações e eventuais manifestações oficiais dos partidos.
A eleição de 2026 tem produzido disputas internas entre partidos que integram o mesmo campo político nacional.
Em Pernambuco, a Federação PSOL/Rede oficializou Ivan Moraes e Alice Gabino para a chapa majoritária.
No Rio Grande do Sul, Manuela d’Ávila foi confirmada pelo PSOL como candidata ao Senado.
No Distrito Federal, PT e PSB permanecem divididos entre Leandro Grass e Ricardo Cappelli. A disputa entre os dois nomes já é tratada publicamente como um dos principais conflitos internos da esquerda na eleição brasiliense.
Nesse contexto, eventuais acordos nacionais podem influenciar candidaturas estaduais e a composição dos palanques para a eleição presidencial.
A suposta chantagem política atribuída ao PSB de João Campos coloca a candidatura de Ivan Moraes novamente no centro das negociações da esquerda para as eleições de 2026.
Segundo fontes, o PSB estaria pressionando o PSOL nacional e ameaçando retirar apoio à candidatura de Manuela d’Ávila ao Senado caso Ivan permaneça na disputa em Pernambuco. Os mesmos bastidores apontam para um possível interesse do PT na retirada de Ricardo Cappelli no Distrito Federal.
Até agora, porém, nenhuma dessas articulações foi confirmada oficialmente pelos partidos envolvidos.
Ivan Moraes permanece como candidato da Federação PSOL/Rede ao Governo de Pernambuco. Os próximos dias serão decisivos para saber se a pressão relatada pelas fontes resultará em alguma mudança na composição da disputa.


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