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Raquel Lyra cobra de João Campos explicações na Justiça

 Governadora apresentou interpelação criminal e quer que João Campos identifique quem teria acusado de integrar suposta “milícia digital” em Pernambuco.


Raquel Lyra cobra de João Campos explicações na Justiça
Raquel Lyra questiona João Campos sobre “milícia digital”. Foto: Miva Filho

Raquel Lyra apresentou uma interpelação judicial criminal contra João Campos para que o candidato esclareça declarações nas quais relacionou uma suposta estrutura de ataques digitais ao governo estadual.

O pedido foi apresentado na quinta-feira (27) e divulgado pela campanha da governadora nesta sexta-feira (28). A iniciativa ocorre em meio ao acirramento da disputa pelo Governo de Pernambuco nas eleições de 2026.

Segundo as informações divulgadas sobre a medida, Raquel quer que Campos identifique de maneira precisa quem estaria por trás da estrutura mencionada e indique os fatos utilizados para fundamentar a acusação.

A governadora sustenta que a declaração não se limitou a uma crítica política e teria atribuído à administração estadual a liderança de uma estrutura clandestina voltada à prática de atos ilícitos.

O que João Campos disse sobre a suposta “milícia digital”

A declaração que motivou a iniciativa judicial foi feita por João Campos em um vídeo publicado nas redes sociais em 26 de agosto.

Na gravação, o candidato afirmou que vinha denunciando há mais de um ano a existência de um suposto “gabinete do ódio” e relacionou a estrutura ao Palácio do Campo das Princesas.

Campos afirmou que quem ocupa o governo de Pernambuco não poderia coordenar uma “milícia digital” para atacar adversários ou utilizar dinheiro público com essa finalidade.

A fala ocorreu depois da repercussão de uma reportagem da TV Record sobre uma suposta rede de páginas e perfis digitais que publicaria conteúdos contra Campos e outros adversários políticos.

Raquel Lyra quer saber quem foi acusado

Na interpelação, a defesa de Raquel Lyra pede que João Campos esclareça quem foi individualmente apontado nas declarações e quais elementos serviram de base para a acusação.

A campanha da governadora afirma que o objetivo é obter uma manifestação precisa sobre o destinatário das declarações.

A medida, entretanto, não representa neste momento uma queixa-crime nem um pedido de condenação de João Campos. Trata-se de uma iniciativa para obter esclarecimentos judiciais sobre declarações consideradas ofensivas pela parte que ingressou com a ação.

O que diz o artigo 144 do Código Penal

A interpelação foi fundamentada no artigo 144 do Código Penal. O dispositivo estabelece que, quando referências, alusões ou frases permitirem inferir calúnia, difamação ou injúria, a pessoa que se considerar ofendida pode pedir explicações em juízo.

A legislação também prevê que a recusa em prestar esclarecimentos ou a apresentação de explicações consideradas insatisfatórias pelo juiz pode ter consequências jurídicas relacionadas à eventual ofensa.

Por isso, a utilização do mecanismo não significa, por si só, que João Campos tenha sido condenado ou que a Justiça tenha reconhecido como verdadeira a acusação feita durante a disputa política.

Caso envolve servidor do Governo de Pernambuco

A troca de acusações ganhou força após uma reportagem sobre Amisadai Andrade da Silva, então servidor do Governo de Pernambuco.

Segundo o JC e o Diario de Pernambuco, o servidor foi apontado na reportagem como responsável por uma rede de páginas e perfis que publicava conteúdos contra João Campos. Amisadai ocupava o cargo de superintendente de Operações da Arena de Pernambuco e foi exonerado após a repercussão do caso.

A reportagem também apresentou declarações atribuídas ao servidor sobre reuniões com integrantes do governo e sobre a atuação do grupo nas redes sociais.

Essas informações, porém, integram as acusações e relatos que deram origem à disputa. A existência de uma estrutura coordenada diretamente pelo governo estadual é justamente um dos pontos contestados politicamente e que está no centro da controvérsia.

Campanhas trocam acusações

A campanha de Raquel Lyra nega que a governadora tenha participado ou coordenado qualquer estrutura destinada a atacar adversários políticos.

Após as acusações, a Frente Popular de Pernambuco, ligada à candidatura de João Campos, anunciou medidas jurídicas para pedir a apuração do suposto “gabinete do ódio”. Entre as iniciativas anunciadas está uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), além de representações a órgãos de controle.

Do outro lado, a campanha de Raquel classificou as acusações como desprovidas de provas e passou a questionar publicamente a relação de João Campos com Amisadai.

O episódio, portanto, passou a envolver não apenas a disputa política entre os dois candidatos, mas também uma sequência de iniciativas jurídicas apresentadas pelas campanhas.

João Campos volta a falar sobre o caso

Na sexta-feira (28), João Campos voltou a comentar o episódio durante uma agenda no Recife.

Segundo o Diario de Pernambuco, o candidato negou ter mantido relação próxima com Amisadai e afirmou que o servidor não integrou sua equipe durante a gestão à frente da Prefeitura do Recife.

Campos também afirmou que as acusações deverão ser tratadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Até o momento, as versões apresentadas pelas duas campanhas permanecem em conflito. As acusações feitas publicamente ainda dependem das apurações e das decisões dos órgãos competentes.

Disputa eleitoral aumenta tensão entre adversários

A troca de acusações ocorre durante uma das principais disputas políticas de Pernambuco em 2026. Raquel Lyra busca a reeleição, enquanto João Campos disputa o comando do Estado após dois mandatos à frente da Prefeitura do Recife.

O cenário eleitoral tornou a comunicação digital um dos principais campos de disputa entre os candidatos.

Levantamento Datafolha divulgado em agosto mostrou Raquel com 50% de avaliação positiva do governo e 66% de aprovação entre os entrevistados. Já pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto apontou a governadora com 44% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de João Campos.

Nesse ambiente, acusações sobre redes sociais, utilização da estrutura pública e eventual atuação coordenada para atingir adversários passaram a ganhar peso político e jurídico.

O que acontece agora

A interpelação apresentada por Raquel Lyra deverá seguir os trâmites da Justiça. O objetivo imediato é obter os esclarecimentos solicitados pela governadora.

Paralelamente, a disputa envolvendo o suposto “gabinete do ódio” poderá continuar em outras instâncias, diante das medidas anunciadas pela campanha de João Campos.

A Justiça Eleitoral disponibiliza, por meio do Tribunal Superior Eleitoral, informações oficiais e resoluções relacionadas às eleições de 2026.

Raquel Lyra levou à Justiça a declaração de João Campos sobre uma suposta “milícia digital” ligada ao Governo de Pernambuco. A governadora quer que o adversário identifique quem teria sido acusado e apresente os fatos utilizados para sustentar a afirmação.

A medida está fundamentada no artigo 144 do Código Penal e, neste momento, não representa uma queixa-crime ou condenação. O episódio ocorre em meio à escalada de acusações entre as campanhas durante as eleições de 2026.

Agora, o caso poderá avançar tanto na esfera judicial quanto no debate eleitoral, enquanto as partes apresentam suas versões e os órgãos competentes analisam as medidas protocoladas.


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