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Lula afirma que Trump não deve interferir nas eleições

 Lula afirmou que falará com Trump sobre as eleições brasileiras durante viagem à ONU e defendeu que decisões eleitorais cabem ao povo do Brasil.


Lula reforça soberania do Brasil antes de ir à ONU
Lula diz  em comício na Ceilândia que pedirá a Trump distância das eleições. Foto: Kebec Nogueira / Metrópoles

A relação entre Lula e Trump voltou a ocupar espaço no cenário político brasileiro após o presidente afirmar que pretende abordar as eleições de 2026 durante sua viagem aos Estados Unidos.

Durante o discurso em Ceilândia, Lula declarou que viajará a Nova York no domingo (20) para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo ele, a intenção é conversar com Trump e pedir que o presidente norte-americano não se envolva no processo eleitoral brasileiro.

“O Brasil só tem um dono e o dono do Brasil se chama povo brasileiro”, afirmou Lula durante o ato.

A fala ocorreu em um evento de campanha que contou com a participação de candidatos apoiados pelo presidente no Distrito Federal. Entre os presentes estavam Leandro Grass, candidato ao governo local, além da senadora Leila Barros e da deputada Erika Kokay, que disputam vagas no Senado.

O que Lula disse sobre Trump

Lula afirmou que pretende aproveitar sua presença na ONU para tratar diretamente com Trump sobre o processo eleitoral brasileiro.

A declaração amplia um posicionamento que o presidente já havia manifestado anteriormente. Em junho, após a cúpula do G7, Lula havia dito que Trump poderia ter suas próprias preferências políticas, mas deveria respeitar a soberania brasileira e não interferir nas eleições.

Em setembro, Lula voltou ao assunto em encontro com líderes religiosos. Na ocasião, chamou Trump de “amigo” e afirmou que já havia feito o alerta para que o presidente norte-americano não interferisse nas eleições brasileiras.

A repetição do tema ocorre durante a campanha eleitoral de 2026 e em meio a tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

Assembleia da ONU acontece na próxima semana

A viagem mencionada por Lula ocorrerá às vésperas da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada na sede da organização, em Nova York.

Segundo a ONU, o Debate Geral será realizado de 22 a 28 de setembro. O encontro reunirá chefes de Estado e de governo dos 193 países-membros para apresentar posições e prioridades sobre temas internacionais.

O Brasil mantém a tradição de abrir o Debate Geral da Assembleia. Na sequência, ocorre o pronunciamento do país-sede, os Estados Unidos. Em 2026, a presidência norte-americana é exercida por Donald Trump.

Apesar da afirmação de Lula sobre uma conversa com Trump, a CNN Brasil informou que, segundo diplomatas, não havia pedido de reunião bilateral entre os dois presidentes às margens da Assembleia Geral até a publicação da reportagem.

Lula critica atuação de Eduardo Bolsonaro

No mesmo comício, Lula também direcionou críticas ao deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro.

O presidente afirmou que Eduardo estaria nos Estados Unidos tentando obter medidas contra o Brasil e relacionou essa atuação à pressão sobre Trump. Lula classificou o comportamento do ex-deputado como uma postura contrária aos interesses nacionais.

A Agência Estado registrou que Lula acusou Eduardo de tentar fazer com que Trump interferisse nas eleições brasileiras, mas destacou que a acusação foi feita sem apresentação de provas durante o discurso.

Lula também utilizou expressões críticas ao se referir a políticos brasileiros que, segundo sua avaliação, adotam uma postura de submissão aos Estados Unidos.

Relação entre Brasil e Estados Unidos está sob tensão

O episódio ocorre em um período de atritos entre os governos brasileiro e norte-americano.

Nos últimos meses, Lula e Trump trocaram declarações públicas sobre questões comerciais, políticas e eleitorais. Em junho, o presidente brasileiro já havia reagido a comentários de Trump sobre a situação política do Brasil e defendido o respeito à soberania nacional.

Mais recentemente, o governo brasileiro também respondeu a críticas norte-americanas relacionadas ao combate ao crime organizado. Segundo a Folha de S.Paulo, o Ministério da Justiça contestou acusações feitas pelos Estados Unidos e afirmou que o governo brasileiro vem adotando medidas de enfrentamento às organizações criminosas.

A disputa política brasileira também passou a fazer parte desse ambiente diplomático. Reportagem da Folha informou que Lula deve defender, em seu discurso na ONU, o princípio de não interferência estrangeira nos assuntos internos dos países.

A discussão sobre Lula e Trump não começou no comício de Ceilândia. Em junho, durante a passagem de Lula pela Europa, o presidente brasileiro já havia reagido publicamente a declarações de Trump sobre o cenário político brasileiro.

Na ocasião, Lula afirmou que o presidente norte-americano poderia manter suas preferências políticas, mas pediu respeito à soberania brasileira. O episódio marcou uma das primeiras manifestações públicas de Lula sobre uma possível influência de Trump nas eleições brasileiras de 2026.

Agora, o assunto retorna às vésperas da Assembleia Geral da ONU. O encontro internacional ocorrerá entre 22 e 28 de setembro, com participação de representantes dos 193 Estados-membros. O tema oficial da 81ª sessão é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.

A eventual realização de uma conversa entre Lula e Trump, portanto, deve ser diferenciada de uma reunião bilateral oficialmente confirmada. Até a publicação das informações consultadas, a CNN Brasil relatava que não havia pedido de reunião bilateral entre os presidentes.

Lula afirmou que pretende falar com Trump durante sua passagem pela Assembleia Geral da ONU e pedir que o presidente norte-americano não interfira nas eleições brasileiras. A declaração foi feita em um comício em Ceilândia, marcado também por críticas de Lula a Eduardo Bolsonaro.

O episódio ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos e durante a campanha eleitoral brasileira de 2026. A Assembleia Geral começa em 22 de setembro, mas uma eventual reunião bilateral entre Lula e Trump ainda não estava oficialmente confirmada nas informações consultadas.

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