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Mensagens mostram cobranças de Flávio a Vorcaro sobre o filme Dark Horse

Mensagens obtidas pela PF mostram Flávio Bolsonaro cobrando Daniel Vorcaro por pagamentos do filme e acompanhando reuniões e gravações da produção.

Flávio Bolsonaro
Flávio cobrou Vorcaro por pagamentos do filme. Foto:  Sergio Lima/AFP

Mensagens e documentos analisados pela Polícia Federal mostram a atuação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) nas tratativas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Os registros, que integram a investigação conduzida no Supremo Tribunal Federal, indicam cobranças de pagamentos, articulações para reuniões e acompanhamento das gravações. O inquérito apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas aos recursos destinados à produção.

O que as mensagens revelam sobre Dark Horse

A investigação sobre Dark Horse ganhou novos elementos após a análise de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, Flávio Bolsonaro aparece não apenas como uma pessoa mencionada por terceiros, mas como interlocutor direto do ex-banqueiro em tratativas relacionadas ao financiamento da produção.

As conversas registram cobranças sobre pagamentos, tentativas de marcar encontros e informações sobre o andamento das filmagens. A documentação também mostra a participação do marqueteiro Thiago Miranda na interlocução inicial entre Flávio e Vorcaro.

O primeiro registro citado na investigação é de dezembro de 2024, quando Miranda procurou Vorcaro para marcar uma reunião com Flávio. Entre os assuntos previstos estava o chamado “filme do presidente”.

Como começou a negociação

Em 8 de dezembro de 2024, Thiago Miranda entrou em contato com Vorcaro para organizar uma reunião com Flávio Bolsonaro. O encontro foi marcado para 11 de dezembro.

Dois dias antes da reunião, Miranda encaminhou uma mensagem atribuída a Flávio informando que o então deputado federal Mário Frias participaria do encontro por ser o idealizador do projeto.

Em janeiro de 2025, Miranda voltou a procurar Vorcaro para tratar do primeiro aporte financeiro. Uma captura de tela de conversa atribuída a Flávio também foi encaminhada, com cobrança relacionada à resposta do setor jurídico do investidor.

Em 28 de janeiro, Vorcaro questionou Fabiano Zettel sobre o pagamento. Segundo os registros, ao saber que a transferência ainda não havia sido realizada, afirmou que aquele pagamento seria “o mais importante disparado”.

Os repasses milionários

A investigação identificou transferências realizadas por meio da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos.

Segundo informações apresentadas à investigação, foram identificados sete repasses que somaram US$ 12,333 milhões durante 2025. O valor equivalia a cerca de R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro daquele ano.

O acordo encontrado pelos investigadores previa uma operação de até US$ 24 milhões. A estrutura financeira previa duas primeiras parcelas de US$ 2 milhões e outras parcelas de aproximadamente US$ 1,666 milhão.

A apuração busca esclarecer a origem, a destinação e a regularidade dos recursos. A existência dos repasses, por si só, não comprova a prática dos crimes investigados.

Mensagens mostram cobranças durante as gravações

As conversas diretas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro aparecem de forma mais clara a partir de agosto de 2025.

Em 8 de setembro, Flávio encaminhou uma mensagem de áudio cobrando pagamentos relacionados à produção. Segundo os documentos descritos na investigação, o senador demonstrava preocupação com compromissos assumidos com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.

Vorcaro respondeu pedindo desculpas e afirmou que tentaria solucionar a situação.

Em outubro, Flávio voltou a cobrar o banqueiro. Em uma das mensagens, afirmou que o filme estava no terceiro dia de gravação e que a produção estava “no limite”. O senador também pediu que Vorcaro avisasse caso não pudesse realizar o aporte, para que fosse buscada outra alternativa.

O papel de Eduardo Bolsonaro

Os documentos também mencionam Eduardo Bolsonaro na estrutura relacionada aos recursos destinados ao projeto.

Segundo a Folha, a Polícia Federal aponta Eduardo como responsável pela gestão dos recursos nos Estados Unidos. O fundo Havengate Development Fund LP é associado ao advogado Paulo Sergio Camin Calixto, que atua na defesa de Eduardo Bolsonaro.

A investigação também identificou mensagens relacionadas a orientações sobre a movimentação dos recursos no exterior.

Esse ponto integra a apuração sobre a estrutura financeira utilizada para o financiamento do filme e sobre a eventual destinação dos valores.

Qual é o tamanho do investimento previsto

Além dos US$ 12,333 milhões efetivamente identificados em sete repasses, os investigadores encontraram um acordo que previa investimento total de US$ 24 milhões.

O plano financeiro também projetava receitas de bilheteria de US$ 45 milhões em um cenário considerado pessimista, US$ 70 milhões em um cenário conservador e US$ 100 milhões em uma projeção otimista.

As estimativas chamaram a atenção dos investigadores porque representariam valores muito superiores ao histórico de bilheteria do cinema brasileiro. O recorde nacional, segundo levantamento citado pela Folha, pertence a Minha Mãe é uma Peça 3, que arrecadou aproximadamente R$ 120 milhões em 2019.

A comparação, contudo, é apenas um elemento da análise econômica do projeto e não demonstra, isoladamente, qualquer irregularidade.

O que a Polícia Federal investiga

A Polícia Federal solicitou a abertura de investigação para apurar possíveis crimes relacionados aos repasses destinados ao filme. Entre as hipóteses investigadas estão corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O ministro André Mendonça autorizou a abertura do inquérito em julho de 2026, após manifestação da PF e concordância da Procuradoria-Geral da República.

Flávio Bolsonaro foi incluído formalmente como investigado no caso. Eduardo Bolsonaro também é alvo da apuração. Mário Frias aparece relacionado ao projeto e às discussões sobre a produção.

Até o momento, a investigação não equivale a uma condenação. Caberá às autoridades reunir elementos que confirmem ou afastem as suspeitas levantadas.

Cronologia das mensagens

8 de dezembro de 2024 — Thiago Miranda procurou Daniel Vorcaro para marcar reunião com Flávio Bolsonaro. O “filme do presidente” foi citado entre os assuntos.

10 de dezembro de 2024 — Miranda encaminhou mensagem atribuída a Flávio informando a participação de Mário Frias.

20 de janeiro de 2025 — Miranda cobrou Vorcaro sobre o primeiro aporte e encaminhou captura de tela de conversa atribuída a Flávio.

28 de janeiro de 2025 — Vorcaro questionou Fabiano Zettel sobre o pagamento e afirmou que o repasse era prioritário.

Março de 2025 — Mensagens indicaram a intenção de Flávio e Eduardo Bolsonaro de se reunir com Vorcaro para tratar do filme.

20 de agosto de 2025 — Mensagens indicaram possível encontro presencial entre Flávio e Vorcaro.

8 de setembro de 2025 — Flávio cobrou pagamentos e mencionou compromissos relacionados à produção.

15 e 16 de setembro de 2025 — Foram registradas novas tratativas para encontro e uma ligação entre Vorcaro e Flávio.

17 de setembro de 2025 — Os dois trocaram mensagens relacionadas a novo encontro.

22 de outubro de 2025 — Flávio afirmou que as gravações estavam no terceiro dia e cobrou solução para os pagamentos.

7 de novembro de 2025 — Flávio enviou um vídeo a Vorcaro e atribuiu a realização daquela etapa da produção à ajuda financeira do banqueiro.

16 de novembro de 2025 — Flávio tentou contato telefônico com Vorcaro e depois enviou uma mensagem de apoio, pedindo que o banqueiro lhe desse uma orientação sobre a situação.

O que dizem os envolvidos

Flávio Bolsonaro nega irregularidades relacionadas ao filme. Em declaração dada em 11 de setembro, o candidato defendeu a divulgação integral das informações e afirmou que a transparência confirmaria, segundo sua avaliação, que não havia irregularidades na produção.

A defesa de Flávio também sustenta que não há irregularidades nos gastos relacionados ao projeto. A Reuters informou que Flávio e Eduardo Bolsonaro negam qualquer irregularidade.

A abertura do inquérito, entretanto, significa que a Polícia Federal ainda busca esclarecer os fatos e verificar se houve ou não prática criminosa.

O que acontece agora

A investigação segue no Supremo Tribunal Federal sob relatoria de André Mendonça. A abertura do inquérito ocorreu após pedido da Polícia Federal e manifestação favorável da PGR.

Apesar da divulgação de documentos e decisões relacionadas ao caso Banco Master, o inquérito específico envolvendo Dark Horse permanece submetido a sigilo em determinados trechos e diligências, conforme informações divulgadas pelo UOL.

O avanço da apuração poderá esclarecer a origem dos recursos, a estrutura utilizada para as transferências internacionais, a efetiva destinação do dinheiro e a eventual existência de ilícitos.

O caso Dark Horse está inserido nas investigações relacionadas ao Banco Master e às operações financeiras atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A apuração passou a envolver diretamente Flávio Bolsonaro após a identificação de elementos sobre sua atuação nas negociações do financiamento do filme.

A estrutura financeira investigada envolveu uma empresa denominada Entre Investimentos e o fundo Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos. A Polícia Federal busca esclarecer se as operações tiveram finalidade exclusivamente relacionada à produção cinematográfica ou se houve outras destinações.

Outro aspecto analisado é a diferença entre o valor previsto no acordo, de até US$ 24 milhões, e os US$ 12,333 milhões em repasses identificados nas transferências analisadas pela investigação.

Também existe uma investigação paralela envolvendo recursos e emendas relacionados à produção. A apuração, portanto, reúne diferentes frentes que precisam ser distinguidas para evitar conclusões antecipadas sobre responsabilidades individuais.

As mensagens analisadas pela Polícia Federal mostram que Flávio Bolsonaro manteve contato direto com Daniel Vorcaro para tratar de pagamentos, reuniões e do andamento de Dark Horse. Os registros reforçam que o senador teve participação nas tratativas financeiras relacionadas ao projeto, segundo a PF.

A investigação apura se os repasses, que chegaram a pelo menos US$ 12,333 milhões e estavam inseridos em um acordo de até US$ 24 milhões, envolveram crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas ou corrupção.

O caso ainda está em fase de investigação. Portanto, as suspeitas deverão ser confrontadas com novas provas e com as manifestações das partes antes de qualquer conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal.

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