Canal no WhatsApp supera em cerca de 5 milhões de seguidores o grupo ligado a Flávio Bolsonaro e amplia a mobilização digital na reta final da eleição.
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| O canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones, alcançou 7 milhões de seguidores no WhatsApp. Foto: Reprodução/WhatsApp |
O canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), alcançou 7 milhões de seguidores nesta quarta-feira (21), a quatro dias do segundo turno presidencial. O número supera com ampla margem o da “Tropa do Flávio”, ligada à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), que reúne aproximadamente 2 milhões de inscritos.
O crescimento do grupo reforça a disputa por espaço e engajamento nas redes sociais entre os dois candidatos à Presidência. Janones, responsável pela mobilização digital em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também tem defendido que o desempenho da militância na internet indica um cenário favorável à reeleição do petista.
Em declarações anteriores, o deputado chegou a classificar a vitória de Lula como praticamente irreversível, mesmo diante de pesquisas que apontavam uma disputa apertada. A avaliação se baseia, segundo ele, no comportamento dos apoiadores e no alcance das ações digitais.
Canal de Lula cresce rapidamente na reta final
O avanço do “Exército do Lula” ocorreu em poucos dias. Em 12 de outubro, o canal reunia 3,7 milhões de seguidores. No dia 17, chegou a 5 milhões e, na terça-feira (20), ultrapassou 6 milhões de inscritos.
Na manhã desta quarta-feira, o grupo superou a marca de 7 milhões. A estrutura é utilizada para compartilhar vídeos, mensagens e conteúdos favoráveis ao presidente, além de orientar os participantes a interagir com publicações e ampliar sua circulação em diferentes plataformas.
A estratégia procura transformar os integrantes do canal em agentes de divulgação da campanha, multiplicando o alcance das mensagens para além dos perfis oficiais de Lula.
Do outro lado, a “Tropa do Flávio”, criada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), também mobiliza apoiadores para divulgar conteúdos e fortalecer a presença digital do candidato do bolsonarismo.
A diferença entre os dois canais chega a aproximadamente 5 milhões de seguidores. Apesar da distância no número de inscritos, os dados não permitem concluir que todos os participantes sejam eleitores dos respectivos candidatos ou que a proporção se repita nas urnas.
Janones associa mobilização digital à vitória de Lula
André Janones tem defendido que a atuação nas redes sociais pode influenciar o resultado eleitoral. O parlamentar avalia que a capacidade de mobilização da esquerda aumentou e que a circulação de conteúdos favoráveis a Lula representa uma vantagem na disputa digital.
Em declaração divulgada anteriormente, Janones afirmou que a vitória do presidente seria praticamente irreversível, embora pesquisas eleitorais apontassem uma disputa acirrada com Flávio Bolsonaro.
A previsão, entretanto, é uma avaliação política do deputado. O número de seguidores de um canal não constitui uma pesquisa eleitoral e não comprova a preferência de todos os inscritos por determinado candidato.
O engajamento digital pode ampliar a exposição de mensagens, estimular a participação de apoiadores e influenciar o debate público. Ainda assim, a conversão desse alcance em votos depende de outros fatores, como a decisão dos eleitores indecisos, a rejeição aos candidatos e a participação no dia da votação.
Disputa entre os canais chegou ao TSE
O “Exército do Lula” também se tornou alvo de uma disputa na Justiça Eleitoral. Após uma representação da campanha de Flávio Bolsonaro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal em outubro.
A decisão foi posteriormente suspensa pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que restabeleceu o funcionamento do grupo e encaminhou o caso para análise do plenário do tribunal.
O episódio gerou questionamentos sobre o uso de canais digitais para coordenar ações políticas durante a campanha. Uma análise técnica do TSE não identificou, no material examinado entre 2 e 11 de outubro, as notícias falsas específicas apontadas no processo, mas registrou indícios de ações coordenadas para ampliar o alcance de conteúdos nas redes.
O caso evidencia como o WhatsApp se tornou uma ferramenta importante na disputa presidencial, tanto para a mobilização de apoiadores quanto para a circulação de mensagens que podem ser questionadas perante a Justiça Eleitoral.
Seguidores não garantem resultado nas urnas
A marca de 7 milhões representa um avanço expressivo do canal administrado por Janones e demonstra a capacidade de mobilização digital da campanha de Lula. A diferença em relação à “Tropa do Flávio” também chama atenção para a disputa por influência nas plataformas digitais.
O resultado eleitoral, no entanto, será definido pelos votos depositados nas urnas. O alcance dos canais pode ajudar a medir a capacidade de mobilização de cada grupo, mas não substitui pesquisas realizadas com metodologia adequada nem permite antecipar o vencedor.
Com o segundo turno marcado para domingo (25 de outubro), as campanhas entram nos últimos dias de uma disputa marcada pela polarização política e pela tentativa de conquistar eleitores indecisos, tanto nas ruas quanto no ambiente digital.

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