Candidato do PL à Presidência participou de comício em Porto Alegre sem mencionar a proposta, após anunciar voto favorável à medida.
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| Candidato a presidente pelo PL, senador Flávio Bolsonaro. Foto: Sérgio Lima/ Poder360 |
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, mas não abordou o tema publicamente durante sua agenda de campanha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, nesta quarta-feira (14).
A votação ocorreu enquanto o parlamentar participava de eventos eleitorais na capital gaúcha. A postura chama atenção porque a redução da jornada de trabalho se tornou um dos temas centrais da disputa presidencial de 2026.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, Flávio concentrou seu discurso em outras pautas, incluindo mudanças na segurança pública e a redução da maioridade penal para 16 anos. Durante o comício, não fez referência à PEC que prevê o fim da escala 6x1.
Flávio mudou de posição sobre a proposta
Na terça-feira (13), Flávio Bolsonaro anunciou que votaria a favor da PEC, após ter criticado anteriormente a iniciativa e questionado o momento escolhido para sua discussão.
Ao justificar a mudança, o senador afirmou que a maioria dos trabalhadores brasileiros deseja o fim da escala 6x1. Ao mesmo tempo, defendeu que o governo federal compense os custos que a redução da jornada poderia gerar para as empresas.
“Os empresários estão sufocados, estão quebrados”, declarou Flávio, segundo relato da Folha de S.Paulo. Ele também mencionou o risco de aumento da informalidade caso a mudança não venha acompanhada de medidas para reduzir os impactos econômicos sobre os empregadores.
Antes de anunciar o voto favorável, o candidato havia classificado a discussão da proposta durante o período eleitoral como oportunista e questionado seus possíveis efeitos sobre o emprego. A mudança de posição ocorreu na reta final da campanha presidencial.
Senado aprova o fim da escala 6x1
O Senado aprovou a PEC nesta quarta-feira (14), com 75 votos favoráveis e apenas um contrário. O único voto contra foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República durante o governo de Jair Bolsonaro.
A proposta prevê a redução da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. A implementação será gradual, conforme o texto aprovado.
A aprovação representa um avanço para uma das principais bandeiras trabalhistas defendidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha. O apoio de Flávio à medida, por sua vez, ocorre após críticas anteriores e em meio à disputa pelo voto dos trabalhadores.
Proposta alternativa também entra no debate
Apesar de anunciar voto favorável à PEC, Flávio sinalizou a aliados que pretende discutir alterações no texto caso seja eleito presidente. Paralelamente, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o partido pretende apoiar, em 2027, uma proposta alternativa relacionada ao pagamento por hora trabalhada.
A discussão envolve diferenças importantes entre os modelos. A PEC aprovada pelo Senado estabelece a redução da jornada semanal e a preservação dos salários. Já a alternativa defendida por integrantes do PL prevê maior flexibilidade contratual e pode permitir formatos em que a remuneração dependa das horas efetivamente trabalhadas.
O debate sobre a escala 6x1, portanto, não se limita ao voto favorável ou contrário à proposta atual. Também envolve as regras que serão adotadas, a garantia de descanso remunerado e os efeitos sobre trabalhadores e empresas.

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