Canal com 8,8 milhões de seguidores pode ser retirado do ar por decisão do TSE; deputado tenta evitar nova suspensão antes do último debate entre Lula e Flávio Bolsonaro.
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| Janones alerta para queda do Exército de Lula no TSE. Foto: Reprodução/Facebook |
O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou nesta sexta-feira (23) que o canal “Exército do Lula”, criado por ele no WhatsApp para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), corre o risco de sair do ar por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A possível suspensão ocorre a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais e poucas horas antes do último debate entre os candidatos, previsto para a TV Globo.
Com 8,8 milhões de seguidores, o canal se tornou uma importante ferramenta de mobilização digital da campanha petista. Nas redes sociais, Janones disse que está em contato com advogados para tentar impedir uma nova interrupção e manter o espaço ativo até a votação de domingo (25).
“Nosso canal deverá sair do ar ainda hoje, próximo ao horário do debate na Rede Globo, por decisão do TSE. Com isso, o resultado de domingo volta a ser incerto”, escreveu o parlamentar, segundo o ICL Notícias.
Janones também afirmou que as disputas judiciais prejudicam a organização dos apoiadores justamente no momento decisivo da campanha, quando as equipes buscam ampliar o alcance das mensagens e mobilizar eleitores para o segundo turno.
Campanha de Flávio Bolsonaro questiona atuação do canal
A disputa judicial começou após a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) acionar a Justiça Eleitoral contra o canal. Os representantes do candidato questionam a atuação do grupo e alegam que ele seria utilizado para coordenar ações destinadas a influenciar resultados de buscas no Google e ampliar a circulação de hashtags nas redes sociais.
Diante dos questionamentos, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que Meta, Google e X prestassem esclarecimentos sobre possíveis ações coordenadas, padrões de engajamento e suspeitas de amplificação artificial de publicações relacionadas ao canal.
As alegações fazem parte da disputa judicial e não devem ser tratadas, por si só, como comprovação de irregularidades. A análise depende das informações apresentadas pelas plataformas e das decisões da Justiça Eleitoral.
Canal já foi suspenso em decisões anteriores
Esta não é a primeira vez que o “Exército do Lula” enfrenta uma ordem de suspensão. Em 11 de outubro, Nunes Marques determinou que o canal fosse retirado do ar após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a medida e autorizou a retomada do funcionamento.
Uma nova interrupção ocorreu posteriormente, mas o canal voltou a funcionar após medidas relacionadas à sua regularização perante a Justiça Eleitoral. A sequência de decisões expôs divergências sobre a condução do caso dentro do próprio tribunal.
O debate jurídico envolve o equilíbrio entre a liberdade de expressão, a mobilização política na internet e a fiscalização da propaganda eleitoral. As regras do TSE estabelecem critérios para identificar quando canais digitais estão vinculados a campanhas e devem cumprir as exigências aplicáveis à propaganda eleitoral, inclusive as restrições à divulgação de informações falsas.
Lula pede ampliação da mobilização digital
Na manhã desta sexta-feira, Lula publicou um vídeo direcionado aos integrantes do canal e incentivou o crescimento da rede de apoiadores. O presidente estabeleceu como meta alcançar 10 milhões de seguidores até o fim do debate na TV Globo.
“Quero ver se a gente chega, depois do debate, a 10 milhões de soldados. Vai ser o maior exército do mundo, e eu preciso de vocês”, afirmou Lula, em mensagem reproduzida pelo ICL Notícias.
A manifestação reforça a importância que a campanha atribui à mobilização digital na reta final da disputa. Com o segundo turno marcado para domingo, a possibilidade de retirada do canal do ar acrescenta um novo elemento à disputa política e judicial entre os grupos ligados aos dois candidatos.
Disputa digital ganha peso na reta final da eleição
O caso do “Exército do Lula” evidencia o papel das plataformas digitais na mobilização eleitoral e os desafios enfrentados pela Justiça Eleitoral para aplicar as regras de propaganda em ambientes digitais.
Enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro busca medidas contra o canal, Janones tenta preservar a estrutura de comunicação que administra. A decisão sobre uma eventual suspensão deverá considerar as determinações judiciais aplicáveis e as informações reunidas no processo.
Até o momento retratado pelas reportagens consultadas, Janones alertava para a possibilidade de o canal sair do ar ainda nesta sexta-feira (23). Portanto, a retirada não deve ser apresentada como consumada sem confirmação posterior.

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