Crime ocorreu na tarde desta sexta-feira (02), no trajeto entre os municípios de Camaragibe e São Lourenço da Mata. Vítima registrou Boletim de Ocorrência e afirma ter sido atacada por discurso político de ódio.
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| Homem agressor no ônibus, Julya na delegacia de Camaragibe. Foto: Reprodução/ WhatsApp Fala News |
Na tarde desta sexta-feira, 02 de outubro, uma jovem de 20 anos, identificada como Julya Valentina, foi vítima de agressão física, assédio e calúnia dentro de um ônibus que fazia a linha Macaxeira/São Lourenço, na Região Metropolitana do Recife. O caso ocorreu por volta das 15h49, nas proximidades do atacadão de Camaragibe.
De acordo com o relato da vítima ao portal Fala News, ela retornava de uma caminhada política do candidato João Campos (PSB), na qual trabalhava como contratada para a juventude, quando decidiu ir ao mercado durante o intervalo de 40 minutos. Ao entrar no coletivo, Julya relata que foi recebida com gritos de torcida política ("Aqui é Mainha viu, é Mainha") em referência a governadora Raquel Lyra (PSD). Inicialmente, ela ignorou as provocações, mas a situação escalou quando os passageiros começaram a se referir a ela e a uma amiga como "galegas que seguram o pau de João Campos por dinheiro".
Ao pedir respeito, a jovem afirma ter sido alvo de uma série de ataques misóginos. "Ele falou dos meus seios, da minha bunda, do meu corpo, disse que eu só iria servir para ser estuprada", relatou Julya. Segundo ela, o agressor ainda a acusou de racismo quando ela afirmou que iria denunciá-lo por assédio.
Agressão física e destruição de celular
Julya contou que começou a filmar a situação para se proteger das acusações falsas, mas o agressor a atacou fisicamente. "Ele me bateu mesmo, deu um tapa no meu braço super forte que fez com que meu celular caísse no chão, e ele pisou no meu celular", disse. O aparelho ficou completamente quebrado.
A jovem também relatou que, no momento da agressão, o motorista não interveio de imediato. Ela precisou pedir para descer do ônibus para cessar as agressões. O clima de hostilidade, segundo ela, foi alimentado pelo fato de que a maioria dos passageiros presentes declarou apoio a outro partido político, e, segundo a vítima, acharam que "uma mulher merecia ser agredida e assediada de forma exposta".
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| Celular de Julya totalmente destruído. Foto: Divulgação/WhatsApp Fala News |
Boletim de Ocorrência e investigação
Após o ocorrido, Julya se dirigiu diretamente à Delegacia de Polícia Civil de Camaragibe (37ª Circunscrição), onde registrou o Boletim de Ocorrência (nº 26E0127008652) às 16h56. No documento, consta a tipificação de "Outras Ocorrências Contra a Pessoa - Dolo (Consumado)".
Segundo a vítima, o policial que registrou o B.O. informou que ela deverá retornar à delegacia na próxima segunda-feira pela manhã, pois um homem que trabalha na busca de pessoas estará disponível para tentar identificar o agressor. "O problema seria esse", disse ela, referindo-se à dificuldade de localizar o suspeito.
Estado de choque e apelo por justiça
Em contato com a reportagem, Julya relatou estar em completo estado de choque e com crises de tremor. "Eu só estava trabalhando. Só isso. A sociedade está de uma forma triste de achar que uma mulher merece sofrer agressão só por ser de outro partido", desabafou.
A jovem, que trabalha atualmente na campanha política para sustentar um abrigo de gatinhos que mantém em casa, afirmou que o apoio da imprensa é fundamental. "Você nem imagina o quanto isso me confortou agora, porque eu estou em completo estado de choque", declarou.
A reportagem do Fala News questionou Julya sobre a possibilidade de procurar a Delegacia da Mulher, e a matéria segue acompanhando o caso para cobrar respostas das autoridades sobre a identificação e punição do agressor.


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