Polícia Federal apura as causas do fogo que destruiu laboratórios de pesquisa no Recife. Prejuízo estimado é de R$ 100 milhões, e a perícia depende de medidas de segurança na estrutura do prédio.
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| Prédio do DINE que sofreu com incêndio no campus da UFPE em Recife. Foto: Arnaldo Sete/Marco Zero. |
O incêndio de grandes proporções que atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite de quarta-feira (7), está sob investigação da Polícia Federal. As causas do fogo ainda não foram esclarecidas, e a hipótese de ação criminosa permanece sem confirmação oficial.
O caso ganhou repercussão após relatos de ameaças contra estudantes da instituição. Segundo informações divulgadas pelo UOL, mensagens que circularam nas redes sociais e em grupos de alunos teriam mencionado a possibilidade de ataques à universidade. A autenticidade dos conteúdos e uma eventual relação com o incêndio ainda precisam ser apuradas.
A sequência de três incêndios registrados na UFPE em pouco mais de uma semana também aumentou a preocupação da comunidade acadêmica. Até o momento, porém, não há confirmação de que os episódios estejam relacionados.
Polícia Federal investiga incêndio e ameaças
A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar as circunstâncias e as possíveis causas do incêndio. A investigação deverá considerar as informações oficialmente apresentadas, incluindo os relatos de ameaças que circularam antes do episódio.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, informou que o governo também pretende acionar a área de combate a crimes cibernéticos da Polícia Federal para investigar as ameaças direcionadas a universidades federais.
A apuração busca esclarecer tanto a origem do fogo quanto a procedência das mensagens. Até que os trabalhos avancem, não é possível afirmar que o incêndio tenha sido provocado intencionalmente ou atribuir responsabilidade a qualquer pessoa ou grupo.
Perícia enfrenta dificuldades devido ao risco estrutural
Os trabalhos periciais no prédio atingido foram interrompidos após uma avaliação inicial identificar a necessidade de escoramento da estrutura, especialmente nas áreas mais danificadas pelas chamas.
A medida é necessária para reduzir o risco de desabamento e garantir a segurança dos profissionais responsáveis pela análise. A perícia deverá ser retomada depois que as condições estruturais permitirem a entrada segura das equipes.
Enquanto isso, a origem do incêndio permanece desconhecida. A conclusão depende de elementos técnicos capazes de esclarecer como o fogo começou e se houve participação humana intencional.
Incêndio destruiu laboratórios e pesquisas científicas
O fogo atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da UFPE, que abrigava laboratórios de pesquisa em áreas como genética, informática e inovação terapêutica.
O reitor Alfredo Gomes estimou inicialmente em aproximadamente R$ 100 milhões os prejuízos com equipamentos, insumos e materiais de pesquisa do pavimento superior, que foi severamente destruído. O levantamento completo das perdas ainda depende da avaliação dos espaços atingidos.
Além dos danos materiais, o incêndio comprometeu trabalhos científicos desenvolvidos ao longo de anos. Segundo a reitoria, cerca de 80 dissertações e teses estavam associadas às atividades realizadas no local, que também armazenava dados acumulados durante aproximadamente duas décadas.
A destruição dos laboratórios representa um impacto para pesquisadores, estudantes de pós-graduação e projetos científicos em andamento.
Três incêndios em oito dias aumentam a preocupação
O incêndio mais recente foi o terceiro registrado na UFPE em um intervalo de pouco mais de uma semana.
Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido pelo fogo. Na ocasião, a universidade apontou como hipótese inicial um problema relacionado a um equipamento utilizado no aquecimento de substâncias.
Em 4 de outubro, outro incêndio atingiu o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. As informações divulgadas posteriormente apontaram um curto-circuito no aparelho de ar-condicionado como causa desse segundo episódio.
Já no incêndio de 7 de outubro, a origem ainda não havia sido determinada. Apesar da proximidade entre as ocorrências, as informações disponíveis não permitem concluir que os três casos tenham uma causa comum.
Nenhum dos episódios deixou feridos, segundo os relatos divulgados pela imprensa.
Governo anuncia medidas para recuperar a estrutura
Após o incêndio, o Ministério da Educação anunciou medidas para apoiar a reconstrução das instalações e a continuidade das pesquisas. Entre as ações divulgadas estão a construção de um novo prédio para os laboratórios e a reposição dos equipamentos perdidos, com valores estimados inicialmente em dezenas de milhões de reais.
Também foram anunciadas alternativas para que estudantes e pesquisadores afetados possam dar continuidade aos trabalhos acadêmicos, incluindo medidas relacionadas a bolsas e à realização de pesquisas em outras instituições.
A recuperação, no entanto, não se resume à reconstrução física. A retomada dos estudos depende também da reposição de equipamentos, da recuperação de dados que ainda possam estar preservados e da reorganização das equipes científicas.
Investigação deverá esclarecer as causas
A principal questão continua sendo determinar o que provocou o incêndio de 7 de outubro. A existência de ameaças relatadas por estudantes torna necessária a apuração dos conteúdos, mas não comprova, por si só, que o fogo tenha sido criminoso.
O resultado da perícia e das diligências da Polícia Federal será fundamental para esclarecer as circunstâncias do caso. Até a conclusão das investigações, qualquer atribuição de responsabilidade deve ser tratada com cautela.
O Portal Fala News continuará acompanhando as investigações e as medidas anunciadas para recuperar os laboratórios e garantir a continuidade das pesquisas na UFPE.

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