Zema votou com celular na cabine em Araxá, disse que não foi alertado e negou ter fotografado o voto. TRE-MG vai apurar o caso.
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| Zema leva celular para cabine e diz: “Ninguém me alertou”. Foto: Reprodução / CNN |
Romeu Zema votou pela manhã na Escola Estadual Delfim Moreira, em Araxá. Imagens feitas no local mostram o candidato com o aparelho celular nas mãos enquanto estava diante da urna eletrônica.
Após deixar o local de votação, Zema foi questionado sobre o motivo de ter levado o aparelho para a cabine. O candidato afirmou que costuma permanecer com o celular durante todo o dia e que não recebeu orientação para deixá-lo com os mesários.
“Eu ando com o celular o dia todo. Ele é quase como se fosse um dedo. Ninguém me lembrou ali e eu fui votar normalmente”, afirmou Zema.
O presidenciável também disse que não fotografou a urna nem utilizou o telefone para registrar seu voto. Segundo ele, a consulta aos números dos candidatos foi feita por meio de uma anotação em papel.
Zema diz que não fotografou o voto
A justificativa apresentada por Zema não elimina a proibição prevista nas regras eleitorais. O Tribunal Superior Eleitoral determina que celulares e outros equipamentos capazes de registrar ou transmitir informações não podem ser levados para dentro da cabine, mesmo quando desligados.
O objetivo da norma é preservar o sigilo do voto e impedir situações em que o eleitor possa ser obrigado a comprovar sua escolha, inclusive em possíveis esquemas de compra de votos.
Antes de entrar na cabine, o eleitor deve desligar o aparelho e deixá-lo no local indicado pela mesa receptora, sob a guarda dos mesários. A regra vale para celulares, máquinas fotográficas, filmadoras e outros equipamentos que possam comprometer o sigilo da votação.
TRE-MG vai apurar caso de Zema
O presidente do TRE-MG, desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga, afirmou que a situação envolvendo Zema será analisada pela Justiça Eleitoral.
Segundo o magistrado, os mesários receberam orientações para impedir que eleitores levassem celulares para a cabine. Por isso, ele classificou o episódio como uma possível sucessão de equívocos que deverá ser esclarecida durante a apuração.
“Em primeiro lugar, valem as regras”, afirmou Braga. O presidente do tribunal também declarou que a conduta é irregular e pode caracterizar crime, com possibilidade de pena de detenção, mas ressaltou a necessidade de analisar as circunstâncias específicas antes de uma decisão.
A Agência Brasil informou que o caso deverá ser apurado pelo juiz eleitoral e, posteriormente, poderá chegar ao tribunal para a adoção das providências cabíveis.
O que diz a regra sobre celular na cabine
A proibição está prevista no artigo 91-A da Lei nº 9.504/1997, a Lei das Eleições. A legislação impede que o eleitor porte celular, câmera ou filmadora dentro da cabine de votação.
As regras específicas para as eleições de 2026 também estabelecem que esses equipamentos devem ser depositados em local próprio, visível à mesa receptora, antes de o eleitor se dirigir à urna.
A regulamentação é ainda mais clara ao determinar que, caso o eleitor se recuse a entregar o aparelho, ele não deverá ser autorizado a votar. A ocorrência deve ser registrada em ata e, se necessário, a força policial pode ser acionada.
Uso do celular pode ter consequência criminal
O episódio envolvendo Zema também ganhou atenção porque a legislação protege o sigilo do voto. O artigo 312 do Código Eleitoral prevê detenção de até dois anos para quem violar ou tentar violar o sigilo do voto.
Isso não significa, porém, que a entrada de Zema com o celular resulte automaticamente em condenação ou aplicação dessa pena. O próprio TRE-MG informou que é necessário apurar os fatos e avaliar as circunstâncias antes de qualquer decisão.
A eventual responsabilização dependerá do enquadramento jurídico definido pelas autoridades competentes após a análise do caso.
Caso de Zema ocorre durante o primeiro turno
O episódio ocorreu no mesmo dia em que os eleitores brasileiros foram às urnas para o primeiro turno das eleições de 2026.
A situação envolvendo Zema chamou atenção entre os registros do dia porque ocorreu diante da urna eletrônica e envolveu um candidato à Presidência da República. Outros veículos também registraram o caso e a decisão do TRE-MG de apurar a situação.
O episódio também ocorre em um momento em que a Justiça Eleitoral reforçou publicamente as orientações sobre celulares. Em setembro, o TSE publicou materiais específicos explicando que o aparelho não pode acompanhar o eleitor até a cabine.
A proibição do celular na cabine não é uma orientação exclusiva para candidatos. Ela se aplica a todos os eleitores e busca preservar uma das características fundamentais do sistema eleitoral brasileiro: o sigilo do voto.
Para as eleições de 2026, o TSE voltou a reforçar que o aparelho deve ser entregue aos mesários antes do eleitor acessar a urna. A regra inclui equipamentos desligados, justamente porque a restrição não depende de o eleitor efetivamente fotografar ou filmar a votação.
No caso de Zema, há dois pontos distintos que precisam ser considerados: o fato de o candidato ter entrado na cabine com o celular, situação confirmada pelas imagens e considerada irregular pela Justiça Eleitoral, e a alegação de que ele não utilizou o aparelho para registrar ou divulgar o voto.
A eventual consequência jurídica ainda depende da apuração anunciada pelo TRE-MG. Até o momento, portanto, não há decisão definitiva sobre eventual responsabilização de Zema.
O candidato Romeu Zema foi visto com um celular dentro da cabine de votação em Araxá durante o primeiro turno das eleições de 2026. Ele afirmou que não foi alertado pelos mesários e negou ter fotografado ou utilizado o aparelho para registrar seu voto.
A regra eleitoral, entretanto, proíbe o porte de celulares na cabine independentemente de o equipamento estar sendo utilizado para fotografar ou filmar. O TRE-MG vai apurar o caso e avaliar as circunstâncias da ocorrência antes de qualquer decisão.
O caso, portanto, ainda terá desdobramentos na Justiça Eleitoral.

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