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Morre Raul Jungmann, ex-ministro e ex-deputado, aos 73 anos

A morte de Raul Jungmann, aos 73 anos, encerra a trajetória de um dos principais nomes da política brasileira, com atuação em cinco ministérios.

Raul Jungmann
Ex-ministro Raul Jungmann morre após luta contra o câncer. Foto: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

A morte de Raul Jungmann, aos 73 anos, foi confirmada na tarde deste domingo (18), em Brasília. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo. O ex-ministro e ex-deputado federal estava internado no hospital DF Star, onde tratava um câncer no pâncreas diagnosticado há alguns anos.

Segundo informações apuradas, Jungmann havia passado um longo período hospitalizado, mas recentemente recebeu alta médica e estava em casa, sob cuidados paliativos. No entanto, no último fim de semana, apresentou agravamento do quadro clínico e precisou ser novamente internado, não resistindo às complicações da doença.

Pernambucano, com forte ligação política com o Recife, Raul Jungmann construiu uma trajetória marcada por passagens tanto pelo Legislativo quanto pelo Executivo federal, ocupando posições estratégicas em diferentes governos.

Trajetória política começou no Recife

Raul Jungmann iniciou sua vida pública como vereador do Recife, cargo que marcou sua entrada institucional na política. Posteriormente, consolidou sua carreira no Congresso Nacional, onde exerceu o mandato de deputado federal por Pernambuco, ganhando projeção nacional.

Ao longo dos anos, Jungmann se destacou por transitar entre diferentes campos políticos, mantendo diálogo com setores diversos da vida pública. Essa característica contribuiu para que fosse convidado a integrar ministérios em governos de diferentes orientações partidárias.

Atuação em cinco ministérios no Executivo federal

Durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Raul Jungmann comandou três pastas estratégicas: Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Ministério das Políticas Fundiárias. Nessas funções, esteve à frente de debates sensíveis relacionados à reforma agrária, conflitos no campo e políticas ambientais.

Posteriormente, Jungmann voltou a ocupar posição de destaque no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). Inicialmente, assumiu o Ministério da Defesa, tornando-se uma das figuras centrais da articulação política e institucional do governo, especialmente no diálogo com as Forças Armadas.

Em 2018, em meio ao aumento da preocupação com a violência urbana no país, Jungmann foi nomeado ministro da Segurança Pública, tornando-se o primeiro titular da pasta recém-criada. O ministério, no entanto, foi extinto posteriormente, durante o governo Jair Bolsonaro, sendo suas atribuições incorporadas ao Ministério da Justiça.

Avaliações e diferentes leituras sobre sua atuação

A trajetória de Raul Jungmann é avaliada de forma diversa por analistas políticos. Para alguns, ele representou um perfil técnico e conciliador, capaz de transitar entre áreas sensíveis da administração pública. Já críticos apontam que sua passagem por áreas como segurança pública ocorreu em um contexto de desafios estruturais profundos, com resultados limitados diante da complexidade dos problemas enfrentados.

Especialistas destacam que sua atuação refletiu os limites institucionais dos ministérios que comandou, sobretudo em temas como violência, defesa e políticas fundiárias, que dependem de articulação federativa e investimentos de longo prazo.

Ainda assim, há consenso de que Jungmann foi um personagem relevante da política brasileira nas últimas décadas, especialmente por sua presença constante em momentos-chave da administração federal.

Contexto da morte e repercussão

A morte de Raul Jungmann ocorre em um momento de transição política no país, em que antigos protagonistas da cena nacional têm se afastado da vida pública. Até o momento, familiares não divulgaram detalhes sobre velório e sepultamento.

Autoridades políticas, ex-colegas de governo e parlamentares devem se manifestar oficialmente ao longo das próximas horas. Em ocasiões anteriores, Jungmann já havia se afastado dos holofotes, mantendo atuação mais discreta nos últimos anos.

Legado político

Ao longo de sua carreira, Raul Jungmann deixou como marca a passagem por diferentes áreas da administração pública federal, além da experiência legislativa. Sua atuação refletiu um período da política brasileira caracterizado por coalizões amplas e rearranjos institucionais constantes.

Para além de avaliações positivas ou críticas, sua trajetória ilustra a complexidade do exercício da política em um país marcado por profundas desigualdades sociais e desafios estruturais.

A morte de Raul Jungmann, aos 73 anos, encerra a trajetória de um político que ocupou cinco ministérios e teve atuação relevante no Legislativo e no Executivo federal. Pernambucano, ex-vereador do Recife e ex-deputado federal, Jungmann participou de governos distintos e esteve à frente de áreas estratégicas como Defesa e Segurança Pública. Internado em Brasília, ele tratava um câncer no pâncreas e estava sob cuidados paliativos.

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