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PSB emprega ex-secretário acusado pelo MPF de corrupção

PSB emprega ex-secretário investigado por corrupção que é réu no TRF-5 e foi alvo da Polícia Federal na Operação Articulata.

João Campos
João Campos presidente nacional do PSB. Foto: Cláudio Reis

O PSB, partido comandado nacionalmente pelo prefeito do Recife, João Campos, emprega desde 2023 um ex-secretário do governo de Pernambuco acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de corrupção passiva. Renato Thiebaut foi alvo da Operação Articulata, deflagrada pela Polícia Federal, e responde atualmente a uma ação penal no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5).

A informação consta na Coluna Painel, da Folha de S.Paulo, e se baseia em dados oficiais da prestação de contas do Partido Socialista Brasileiro ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo os registros, Thiebaut recebeu salários do PSB entre 2023 e 2025, mesmo após se tornar réu em investigação relacionada à compra emergencial de insumos médicos durante a pandemia da Covid-19.

Ex-secretário atuou no governo Paulo Câmara

Renato Thiebaut ocupou o cargo de secretário de Projetos Estratégicos de Pernambuco durante a gestão do então governador Paulo Câmara, à época filiado ao PSB. Antes disso, também exerceu funções técnicas em áreas estratégicas da administração estadual.

De acordo com o MPF, o ex-secretário teria participado de um esquema de cobrança de propinas entre os anos de 2017 e 2020, envolvendo contratos da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e das secretarias estaduais de Saúde e Educação.

As investigações apontam suspeitas de direcionamento de licitações e favorecimento de empresas em contratos públicos, especialmente durante o período emergencial da pandemia, quando regras excepcionais permitiram compras sem licitação tradicional.

Renato Thiebaut
Investigado por esquema na pandemia, Thiebaut recebeu mais de R$ 500 mil do PSB. Foto: Divulgação

Operação Articulata e acusações do MPF

A Operação Articulata é um desdobramento de investigações iniciadas em junho de 2020 pela Polícia Federal, com apoio do Ministério Público Federal. O foco das apurações é um suposto esquema milionário de fraudes em licitações para aquisição de materiais médicos destinados ao combate à Covid-19.

Segundo a Procuradoria da República, Renato Thiebaut teria atuado como intermediário na cobrança de vantagens indevidas, o que caracteriza, segundo o MPF, o crime de corrupção passiva. As acusações ainda não foram julgadas em definitivo.

Processo tramita no TRF-5

Inicialmente, o caso tramitava em instâncias inferiores da Justiça Federal. No entanto, após uma mudança de entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o alcance do foro por prerrogativa de função, a ação penal foi remetida ao TRF-5.

O processo está sob relatoria do desembargador federal Roberto Machado e segue em fase de instrução. Até o momento, não há sentença condenatória ou absolutória.

Valores recebidos do PSB

Dados da prestação de contas do PSB ao TSE indicam que Renato Thiebaut recebeu, entre janeiro e setembro de 2025, o montante de R$ 149.093,37 em salários pagos pelo partido.

Em 2024, o valor recebido foi de R$ 182.297,97. Já em 2023, primeiro ano com registros disponíveis, o total pago foi de R$ 182.447,48. Somados, os valores ultrapassam R$ 500 mil em três anos.

Os pagamentos são legais do ponto de vista eleitoral e constam nos registros oficiais enviados à Justiça Eleitoral.

Posicionamento do PSB

Procurado pela Folha de S.Paulo, o PSB afirmou, por meio de nota, que Renato Thiebaut atua no partido há três anos e que não há qualquer condenação judicial que impeça sua atuação profissional.

“O partido ressalta que o referido colaborador não possui condenação civil ou criminal que desabone sua atuação”, informou a legenda.

Princípio da presunção de inocência

Especialistas em direito público ressaltam que, conforme a Constituição Federal, ninguém pode ser considerado culpado antes do trânsito em julgado de uma sentença penal condenatória. Assim, do ponto de vista legal, o vínculo profissional de investigados ou réus sem condenação definitiva não é proibido.

Por outro lado, analistas políticos destacam que a manutenção de quadros investigados pode gerar desgaste reputacional para partidos e lideranças, sobretudo em contextos de cobrança por maior transparência na administração pública.

Contexto político e institucional

O PSB é uma das principais forças políticas de Pernambuco e tem como principal liderança atual o prefeito do Recife, João Campos. O partido governa a capital pernambucana e mantém influência histórica no estado.

Casos envolvendo investigações de corrupção em gestões passadas continuam sendo objeto de atenção de órgãos de controle e da opinião pública, especialmente quando se referem a contratos firmados durante a pandemia da Covid-19.

O caso de Renato Thiebaut evidencia o cruzamento entre investigações judiciais em curso e a atuação político-partidária. Embora não haja condenação até o momento, o ex-secretário responde a uma ação penal por acusações graves feitas pelo Ministério Público Federal.

O PSB, por sua vez, sustenta a legalidade do vínculo e reforça o princípio da presunção de inocência. A definição sobre a responsabilidade penal do ex-secretário caberá à Justiça Federal, que segue analisando o caso no TRF-5.

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