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Monitoramento policial reacende embate entre João Campos e Raquel Lyra

A acusação de espionagem em Pernambuco envolvendo a Polícia Civil, a Prefeitura do Recife e o Governo do Estado intensifica o embate político entre João Campos e Raquel Lyra.

João Campos e Raquel Lyra
Espionagem investigada acirra tensão entre João Campos e Raquel Lyra. Foto: Divulgação

A acusação de espionagem em Pernambuco envolvendo a Polícia Civil e um secretário da Prefeitura do Recife tornou-se mais um capítulo nos atritos políticos entre o prefeito João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD). O episódio ocorre em um contexto de pré-campanha eleitoral, já que ambos devem se enfrentar nas eleições deste ano, e reacende o debate sobre limites institucionais, legalidade das investigações e uso político de órgãos do Estado.

A denúncia veio a público após reportagem exibida pela TV Record no domingo (25), que revelou que o secretário municipal de Articulação Política e Social, Gustavo Queiroz Monteiro, teria sido monitorado por policiais civis entre agosto e outubro de 2025.

Monitoramento e denúncia anônima

Segundo a reportagem, os policiais acompanharam o veículo utilizado pelo secretário e por seu irmão, Eduardo Queiroz Monteiro, e trocavam informações em um grupo de mensagens. Em setembro, um rastreador teria sido instalado no automóvel, sem ordem judicial.

Em entrevista coletiva realizada na segunda-feira (26), o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, confirmou o monitoramento. De acordo com ele, a ação teve origem em uma denúncia anônima que apontava a possibilidade de entregas de valores supostamente relacionados a propina em contratos firmados pela Prefeitura do Recife com fornecedores.

Alessandro Carvalho afirmou que, por se tratar de denúncia anônima, foi realizada uma checagem preliminar. No entanto, segundo o secretário, não foram constatadas entregas de pacotes ou dinheiro, conforme relatado inicialmente, e o procedimento acabou sendo arquivado.

Debate sobre legalidade da investigação

Um dos principais pontos de controvérsia da acusação de espionagem em Pernambuco diz respeito à legalidade da instalação do rastreador no veículo. O secretário de Defesa Social declarou que, na avaliação da pasta, não havia necessidade de autorização judicial para esse tipo de monitoramento preliminar.

Especialistas em direito penal e processual penal ouvidos por diferentes veículos de imprensa, no entanto, apontam que o entendimento sobre a necessidade de ordem judicial para rastreamento veicular não é pacífico e pode variar conforme o tipo de tecnologia utilizada e o grau de invasão à privacidade.

Reação da Prefeitura do Recife

Nas redes sociais, o prefeito João Campos classificou o episódio como perseguição política. Em pronunciamento público, afirmou que tomará medidas judiciais e criticou o uso de instituições públicas em disputas eleitorais.

“Tudo isso não vai ficar impune. Não vale tudo para disputar uma eleição. Não vale tudo dentro de uma instituição tão séria como a Polícia Civil”, declarou o prefeito.

João Campos também afirmou ser alvo de investigações com motivação política desde 2024. Como exemplo, citou uma apuração relacionada à área de creches, que teria sido arquivada, reaberta em período eleitoral e novamente arquivada após sua reeleição.

Defesa do Governo do Estado

A governadora Raquel Lyra se pronunciou nesta terça-feira (27) e defendeu a atuação da Polícia Civil. Segundo ela, o trabalho investigativo foi realizado “dentro da legalidade” e a denúncia recebida era grave, justificando a apuração inicial.

“A gente precisa, claro, sempre combater a corrupção. Ninguém está acima da lei”, afirmou a governadora.

Em publicação nas redes sociais, Raquel Lyra também destacou ações de sua gestão e reforçou o discurso de foco administrativo. “Aqui a caneta não faz barulho. Faz entrega. Resolve. A gente usa do jeito certo: para governar Pernambuco e cuidar de todos os pernambucanos”, escreveu.

Contexto de desgastes políticos

A acusação de espionagem em Pernambuco surge em um momento de desgaste político tanto para o governo estadual quanto para a Prefeitura do Recife. No início de janeiro, João Campos foi alvo de um pedido de impeachment na Câmara Municipal, sob a acusação de interferência irregular no resultado de um concurso público para procurador do município.

Além disso, o PSB, partido presidido por João Campos, emprega desde 2023 um ex-secretário do Governo de Pernambuco que é acusado pelo Ministério Público Federal de corrupção passiva e foi alvo de operação da Polícia Federal.

Por outro lado, Raquel Lyra também enfrentou críticas após a revelação de que a empresa de ônibus de sua família, a Logo Caruaruense, operou por cerca de três anos sem fiscalização da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), órgão ligado ao governo estadual. O caso também resultou em um pedido de impeachment contra a governadora.

Disputa política e instituições

Analistas políticos avaliam que o episódio reforça a polarização entre os dois principais grupos políticos de Pernambuco. Embora ambos neguem qualquer uso político das instituições, o caso evidencia como investigações policiais e denúncias administrativas ganham maior repercussão em períodos eleitorais.

Entidades da sociedade civil e especialistas em governança pública defendem que casos como este sejam apurados com transparência, respeito ao devido processo legal e sem interferências políticas, a fim de preservar a credibilidade das instituições.

A acusação de espionagem em Pernambuco envolvendo a Polícia Civil, a Prefeitura do Recife e o Governo do Estado amplia a crise política entre João Campos e Raquel Lyra em um ano eleitoral decisivo. Enquanto a gestão municipal aponta perseguição e questiona a legalidade do monitoramento, o governo estadual sustenta que a investigação ocorreu dentro dos limites legais.

O desfecho do caso, tanto no campo jurídico quanto político, tende a influenciar o debate público e o ambiente eleitoral em Pernambuco, reforçando a importância da transparência institucional e do respeito às garantias legais em investigações envolvendo agentes públicos.

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