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PT negocia filiação de Marina Silva para eleição ao Senado por SP

PT articula a filiação de Marina Silva ao PT para disputar o Senado por São Paulo, enquanto a ministra avalia cenário político e convites de outras siglas.

Marina Silva
Bastidores indicam avanço do PT por filiação de Marina Silva. Foto: Divulgação / EBC

O Partido dos Trabalhadores (PT) intensificou, nos bastidores, as articulações para atrair a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para seus quadros. A sigla promete tratá-la como “prioridade” caso ela opte pela filiação e pela candidatura ao Senado por São Paulo nas eleições de outubro. Apesar do avanço nas conversas, não há acordo formalizado, e o futuro político da ambientalista permanece em aberto.

Segundo interlocutores do partido ouvidos pelo O Globo, o clima interno é de confiança. Integrantes da legenda afirmam que, embora a negociação ainda não tenha sido concluída, existe um cenário descrito como de “quase um casamento” entre Marina e o PT. A avaliação é compartilhada por lideranças nacionais, como o presidente do partido, Edinho Silva, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o deputado federal Nilto Tatto, presidente da Frente Parlamentar Ambientalista.

“As conversas com a ministra avançaram e estamos confiantes na filiação de Marina. É uma boa candidata”, afirmou o deputado Jilmar Tatto, vice-presidente nacional do PT.

Estratégia eleitoral e fortalecimento da base

A eventual filiação de Marina Silva se insere em uma estratégia mais ampla do PT. A legenda busca repetir, em São Paulo, o modelo adotado em outros estados, como o Paraná, onde nomes de projeção nacional foram incentivados a disputar o Senado para ampliar a presença do partido no Legislativo e fortalecer a base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nesse contexto, Marina é vista como um nome capaz de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado, especialmente aqueles ligados à pauta ambiental e aos movimentos sociais. Para dirigentes petistas, sua trajetória política e reconhecimento internacional agregariam peso à chapa paulista.

Nilto Tatto destaca que a ministra representa uma síntese de desafios contemporâneos enfrentados pelo país.

“Marina é a maior expressão do socioambientalismo. Ela simboliza os desafios da crise climática e da desigualdade social. No PT, teria instrumentos para ampliar a incidência dessa agenda na sociedade”, afirmou.

Futuro de Haddad influencia cenário

Apesar do entusiasmo, o cenário eleitoral ainda depende de definições importantes. Uma delas é o futuro político de Fernando Haddad. Cotado para disputar o governo de São Paulo, o ministro da Fazenda tem reiterado publicamente que não pretende concorrer a cargos eletivos neste momento.

De acordo com apuração da reportagem, é considerada “pouco provável” uma candidatura de Marina ao Senado caso Haddad decida disputar a mesma vaga. Diante disso, o PT avalia que o cenário só será definido após uma posição mais clara do ministro da Fazenda.

Caso opte pela candidatura, Marina precisaria deixar o Ministério do Meio Ambiente até abril, conforme a legislação eleitoral. Internamente, o nome do secretário-executivo João Paulo Capobianco surge como possível substituto interino, embora o tema ainda não tenha sido discutido formalmente com o presidente Lula.

Condições impostas por Marina Silva

Aliados da ministra afirmam que uma eventual candidatura só ocorreria mediante o cumprimento de três condições consideradas essenciais por Marina Silva. A primeira é o apoio explícito à reeleição de Lula. A segunda envolve a construção coletiva de uma frente ampla, especialmente no estado de São Paulo. Já a terceira diz respeito ao fortalecimento da agenda ambiental como eixo central da campanha.

Segundo interlocutores próximos, a disputa ao Senado também está diretamente ligada a uma “redefinição partidária”. Marina avalia que sua atuação política precisa estar alinhada a uma legenda que ofereça sustentação programática e espaço efetivo para a pauta socioambiental.

Interesse de outras siglas

Além do PT, outras legendas do campo progressista manifestaram interesse em filiar Marina Silva. PSB, PV, PSOL e PDT têm mantido diálogos com a ministra, buscando atraí-la para suas fileiras.

Nesta semana, Marina se reuniu em Brasília com a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi. No encontro, a dirigente reiterou o convite para que a ambientalista se filie ao partido e dispute o Senado por São Paulo. Marina agradeceu, mas não apresentou uma decisão, afirmando apenas que deseja contribuir para o fortalecimento do campo progressista nas eleições.

Saída da Rede Sustentabilidade

A indefinição também está relacionada à situação de Marina na Rede Sustentabilidade, partido que ajudou a fundar. Aliados da ministra indicam que sua saída da sigla deve ocorrer nos primeiros meses do ano, após mudanças estatutárias que, segundo eles, tornaram sua permanência “inevitável”.

Em dezembro, um grupo ligado a Marina divulgou um manifesto criticando a direção nacional da Rede. O documento aponta perseguição interna e contesta alterações no estatuto partidário. Por outro lado, integrantes da atual executiva da legenda afirmam que o conflito se agravou após tentativas da ministra de impor seu grupo político no comando nacional, sem respaldo da militância.

O embate interno se aprofundou após derrotas eleitorais do grupo de Marina para aliados da deputada federal Heloísa Helena, que mantém forte atuação orgânica dentro do partido e representa uma corrente política distinta.

Divergências ideológicas

As divergências entre Marina Silva e Heloísa Helena também são de natureza ideológica. Enquanto Marina se define como “sustentabilista” e integra o governo Lula, Heloísa adota uma postura de oposição ao Planalto e defende o ecossocialismo, corrente que propõe a preservação ambiental associada a transformações estruturais no sistema econômico.

Essas diferenças têm dificultado a convivência interna na Rede e contribuído para o distanciamento da ministra da legenda.

A possível filiação de Marina Silva ao PT permanece em negociação, cercada por expectativas e condicionantes políticas. O partido vê na ministra um nome estratégico para o Senado e para a consolidação da agenda ambiental no Congresso. Marina, por sua vez, avalia cuidadosamente o cenário, considerando convites de diferentes siglas, o futuro eleitoral de aliados e a viabilidade de suas propostas.

Enquanto não há uma definição oficial, o quadro segue em aberto, com impactos relevantes para a configuração das alianças no campo progressista e para a disputa eleitoral em São Paulo.

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