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Justiça muda comando do Cidadania em Pernambuco que volta a se alinhar a Raquel Lyra

Cidadania em Pernambuco se reorganiza após decisões judiciais e retoma alinhamento político com Raquel Lyra, enquanto ex-direção anuncia contestação.

João Freire
Novo presidente João Freire diz que alinhamento com Raquel é consequência jurídica das decisões judiciais. Foto: Divulgação

O Cidadania em Pernambuco passou por uma reorganização política após o desfecho da disputa interna nacional do partido. A nova configuração recolocou o dirigente João Freire na presidência estadual e restabeleceu o alinhamento político com a governadora Raquel Lyra (PSD), repetindo a composição que marcou a eleição de 2022.

Segundo João Freire, decisões judiciais anularam os atos praticados pela direção anterior e restabeleceram a composição política existente antes da intervenção no diretório estadual. O dirigente afirma que a mudança não decorre de uma decisão política local, mas de efeitos jurídicos ligados ao conflito nacional do partido.

A reorganização ocorre em meio à antecipação das articulações para as eleições estaduais de 2026, quando o cenário político pernambucano tende a ser polarizado entre a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos (PSB).

Disputa nacional redefiniu o Cidadania em Pernambuco

A reorganização do Cidadania em Pernambuco está diretamente relacionada à disputa nacional pela presidência do partido, que envolveu Roberto Freire e Comte Bittencourt.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) decidiu reconduzir Roberto Freire ao comando nacional da legenda. Posteriormente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) optou por não intervir no conflito, classificando a disputa como uma questão interna partidária. Com isso, foram mantidos os efeitos da decisão judicial que restabeleceu a antiga direção nacional.

De acordo com João Freire, essa decisão resultou automaticamente na anulação de intervenções feitas pela gestão anterior, incluindo a mudança no comando do diretório estadual.

“Quando a Justiça determinou o retorno de Roberto Freire à presidência nacional, todos os atos dessa direção passaram a ser juridicamente nulos. Como foi essa mesma direção que promoveu a intervenção em Pernambuco, o meu retorno ao comando estadual é uma consequência jurídica direta dessa decisão”, afirmou.

Com a anulação dos atos administrativos anteriores, também perderam validade as decisões que haviam colocado Cláudio Carraly na presidência estadual do partido.

Segundo Freire, o partido já retomou formalmente o controle da legenda junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) e deve convocar um congresso estadual para eleger uma nova direção definitiva.

Alinhamento com Raquel Lyra é retomado

O novo comando afirma que o Cidadania em Pernambuco retomou o alinhamento político com a governadora Raquel Lyra. A parceria entre o partido e a gestora estadual já havia sido estabelecida nas eleições de 2022.

Naquele pleito, o Cidadania integrou a coligação que elegeu Raquel Lyra governadora. À época, a atual vice-governadora Priscila Krause era filiada à legenda.

Segundo João Freire, o reposicionamento político é consequência direta da decisão judicial que restabeleceu a composição partidária anterior.

“O Cidadania volta a estar com Raquel Lyra porque a Justiça determinou o restabelecimento da composição anterior. Já retomamos o partido no TRE e vamos marchar com Raquel”, declarou.

Freire também afirmou que a legenda pretende retomar sua estrutura política no Estado e lançar candidaturas nas eleições de 2026.

Direção anulada defendia aproximação com o PSB

De acordo com João Freire, a direção nacional anteriormente liderada por Comte Bittencourt defendia uma aproximação do Cidadania em Pernambuco com o PSB e a discussão de uma possível federação partidária.

Esse movimento poderia aproximar o partido politicamente do prefeito do Recife, João Campos, que é apontado como possível candidato ao Governo do Estado em 2026.

Freire afirmou que já havia manifestado oposição a esse posicionamento.

Segundo ele, permanecer no partido seria inviável caso o alinhamento político fosse alterado.

Ex-dirigente contesta decisão

A reorganização do Cidadania em Pernambuco não encerrou totalmente o conflito interno. O ex-presidente estadual Cláudio Carraly divulgou nota pública criticando a decisão da direção nacional e anunciando que pretende recorrer à Justiça Eleitoral.

Carraly classificou a destituição da direção estadual como ilegal e afirmou que o diretório afastado foi resultado de um processo político construído ao longo de quatro meses.

Segundo ele, foram realizados 18 congressos municipais que culminaram no XXI Congresso Estadual do partido.

“Não aceitaremos que esse processo coletivo, legítimo e democrático seja desconsiderado por decisão monocrática, sem diálogo com a base e sem respeito às instâncias partidárias”, afirmou.

Carraly também declarou confiar nas garantias legais relacionadas à autonomia partidária e anunciou que medidas judiciais serão adotadas para tentar reverter a decisão.

Impactos políticos da reorganização

Analistas políticos avaliam que a reorganização do Cidadania em Pernambuco reposiciona o partido no cenário estadual e pode influenciar as articulações eleitorais para 2026.

A legenda tem presença menor em termos de representação parlamentar, mas mantém influência em alianças políticas e composição de chapas majoritárias.

Com o alinhamento reafirmado com a governadora Raquel Lyra, o partido tende a integrar o bloco político governista no próximo ciclo eleitoral.

Por outro lado, a contestação judicial apresentada pelo grupo afastado indica que a disputa interna ainda pode ter novos desdobramentos.

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