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Sudene e MMA revisam planos contra desertificação

Sudene e MMA avançam na revisão dos Planos Estaduais de Combate à Desertificação no Semiárido, com entrega prevista até 2026.

Sudene
Já foram realizados 19 seminários em oito estados do Nordeste para debates com a sociedade civil sobre o assunto. Foto: Ascom/Semac-CE

A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) avançam na revisão dos Planos Estaduais de Combate à Desertificação (PAEs) nos estados que compõem o Semiárido brasileiro.

A iniciativa integra uma estratégia institucional voltada à construção de soluções pragmáticas e sustentáveis para conter o avanço da desertificação no Semiárido e mitigar os efeitos da seca na região.

A atualização contempla dez estados: Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. A previsão é que as versões revisadas sejam entregues até o primeiro semestre de 2026.

Construção participativa e escuta ativa

A parceria entre Sudene e MMA deu início a uma série de seminários estaduais. A metodologia prioriza a escuta ativa de gestores municipais, representantes da sociedade civil, setor produtivo e órgãos ambientais estaduais.

Os encontros são coordenados pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), responsável pela execução do Programa de Ação Contra a Desertificação, Efeitos da Seca e Revisão dos Planos Estaduais (PROADES).

Até o momento, foram realizados 19 seminários e duas reuniões técnicas em oito estados: Paraíba, Alagoas, Ceará, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Outros quatro seminários estão previstos — dois no Maranhão e dois em Pernambuco — com realização programada para março.

Segundo o pesquisador da Univasf e integrante do PROADES, Sirius Souza, o trabalho já apresenta resultados concretos. Ele afirma que o processo de revisão e reescrita dos PAEs está em andamento e conta com a participação ativa dos estados envolvidos.

Desertificação no Semiárido: dimensão do problema

A desertificação no Semiárido é caracterizada pela degradação da terra em áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas. O fenômeno está associado a fatores climáticos e atividades humanas, como desmatamento, manejo inadequado do solo e uso intensivo dos recursos naturais.

De acordo com dados do MMA e estudos técnicos vinculados à Política Nacional de Combate à Desertificação, milhões de pessoas vivem em áreas suscetíveis ao processo no Brasil. A região do Semiárido concentra parte significativa dessas áreas vulneráveis.

Especialistas apontam que as mudanças climáticas intensificam eventos extremos, como secas prolongadas, ampliando os desafios ambientais e socioeconômicos. Por outro lado, representantes do setor produtivo defendem que políticas públicas precisam equilibrar preservação ambiental e desenvolvimento econômico regional.

Próximas etapas e captação de recursos

Após a entrega dos planos revisados, a próxima fase será fortalecer a articulação interinstitucional para viabilizar financiamento e apoiar a implementação das ações previstas.

Segundo Victor Uchôa, da Coordenação de Desenvolvimento Territorial, Infraestrutura e Meio Ambiente da Sudene, a estratégia inclui ampliar o diálogo com possíveis financiadores e consolidar uma agenda integrada de combate à desertificação no Semiárido.

O objetivo, segundo a autarquia, é estruturar projetos alinhados às prioridades de cada estado. Dessa forma, busca-se potencializar a captação de recursos e garantir maior efetividade na execução das políticas públicas.

Articulação nacional e política pública

A Sudene também integra o movimento institucional que restabeleceu as atividades da Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD), colegiado vinculado ao MMA.

A retomada da Comissão reforça a implementação da Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PNCD), que estabelece diretrizes para prevenir e reverter processos de degradação ambiental em áreas vulneráveis.

Além disso, a assistência técnica oferecida aos estados está alinhada ao Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), instrumento estratégico que propõe ações interdisciplinares para ampliar a resiliência do Semiárido.

Desafios e perspectivas

Apesar dos avanços institucionais, especialistas alertam que a efetividade dos PAEs dependerá da continuidade administrativa, do monitoramento das metas e da garantia de financiamento estável.

Organizações da sociedade civil defendem maior transparência na execução dos planos e indicadores claros de acompanhamento. Já representantes governamentais destacam que o modelo participativo adotado busca justamente fortalecer o controle social e a legitimidade das ações.

Nesse contexto, a revisão dos PAEs surge como uma tentativa de atualizar diagnósticos, integrar dados recentes e alinhar políticas estaduais às estratégias nacionais e internacionais de enfrentamento às mudanças climáticas.

A revisão dos Planos Estaduais de Combate à Desertificação conduzida pela Sudene e pelo Ministério do Meio Ambiente representa um esforço coordenado para enfrentar a desertificação no Semiárido brasileiro.

Com participação de dez estados e previsão de conclusão até 2026, o processo inclui seminários participativos, articulação técnica e planejamento voltado à captação de recursos.

Embora desafios estruturais persistam, a iniciativa busca fortalecer políticas públicas integradas, ampliar a resiliência climática e promover desenvolvimento sustentável em uma das regiões mais vulneráveis do país.

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